sábado, 11 de abril de 2015

Fatos

Levantei cedo, tomei banho, me troquei pra ir à Vila fazer compras. Eu morava em uma ilha, em um pedaço bem isolado dela, e quando faltavam as coisas em casa eu ia à Vila (o centro da Ilha) para fazer compras. Tem um ônibus que passa a cada 20 min e vai para lá (é o circular da Ilha).
Nesse dia resolvi ir andando pela estrada à beira a mar. Esta estrada é estreita, fica entre o mar e as casas. Fica lá em cima, no alto e lá embaixo, é só pedra. Essas praias não servem para tomar banho, pois têm arraias, cobras e a correnteza é muito forte, as ondas batem lá embaixo e respingam lá em cima. O mar é muito furioso nesse pedaço, e por isso também ninguém vai pra lá.
Fora da temporada de férias a ilha é deserta. As casas do lado esquerdo não são muitas e estavam todas fechadas nesse dia. Do outro lado é o barranco e o mar aberto. Tem um destacamento de bombeiros nesse local, só que vive vazio porque ou os bombeiros estão em aula, em treinamento na mata da ilha, ou patrulhando as praias junto com os policiais. Então o quartel é vazio. Com certeza tem bombeiros lá dentro, mas não se vêm ninguém, só os carros parados.
Eu ia pela estrada sozinha olhando o mar, a mata depois das casas, o voo dos passarinhos, e o silencio era tanto que dava para ouvir os pica paus na mata martelando as árvores além dos estrondos do mar batendo na praia. É uma boa caminhada até a Vila, e eu gosto de andar por ali apesar de ser o caminho mais comprido ate a Vila. É um caminho soturno e, dizem, perigoso.
Quando eu dobrei a curva, vi em frente à mata um grupo de pessoas vestidas em longas roupas pretas, parecidas com aquelas capas de samurai (sabe o Darth Vader na Guerra nas Estrelas?). Então, era uma roupa assim toda preta. Estavam todos de costas. Eu parei olhando, eles se viraram e todos estavam de máscaras negras tipo máscara contra poluição. Eu me assustei e dei um grito surpresa. Ahhhhhhh!!!!! Aí, me virei e corri. Nunca pensei que eu pudesse ser tão rápida na carreira, cheguei em casa imediatamente, abri o portão, estava tremendo tanto que quase não consegui colocar a chave na porta. Abri a porta. Entrei, fiquei quieta olhando pelos buraquinhos da porta, escondida atrás dela, mas não veio ninguém me seguindo. Resolvi voltar para cidade, e comecei a arrumar as minhas coisas, não ia ficar na Ilha sozinha nem mais um minuto.
Eu gosto de morar só, curtir a ilha calma e deserta, mas agora eu queria distância dali. Estava arrumando as minhas coisas, a campainha tocou e eu acordei. Estava sonhando. Foi um alívio. Fui olhar quem era e eram os meus parentes chegando para o fim de semana. Fomos até a Vila de carro fazer as compras, lá pela avenida que passa pelo centro da ilha, não deixei irem por aquela estrada, cortando caminho e fugindo do transito.
O fim de semana foi bom para eles... Pra mim, não. Eu estava muito apreensiva. Quando eles se arrumaram para voltar para cidade, eu disse que vinha junto. “Mas por quê?”, perguntaram.

- Eu preciso fazer umas coisas na cidade, tem um quarto lá em casa pra mim?

- Claro! Vamos arrumar o que está desocupado e tu ficas lá.

Vim para cidade e não voltei mais para morar na ilha, fazem 4 anos que não apareço por lá. Deixei meu quarto montado e montei outro aqui na cidade. Lá ficaram minhas plantas, minhas fruteiras carregadas de frutas, meu baú e muitos livros.
Em Belém acontecem muito essas aparições, principalmente nas ilhas, e quase ninguém vê porque tem horas que elas são tão desertas que ficam como se fossem abandonadas. O pessoal que mora na ilha, na sua maioria caseira ou pescadores, comem no almoço uma cuia de açaí com peixe frito e vão dormir, é costume do local. Aí as coisas aproveitam para aparecer.

Com certeza existem bases alienígenas nas nossas águas, nossa floresta, nossas ilhas. Eles estão aqui no meio de nós como pessoas comuns, não tenha dúvida. Isso já é tão normal por aqui que com certeza já existem paraenses ET’s.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Por favor, comente!