Nesse dia resolvi ir andando
pela estrada à beira a mar. Esta estrada é estreita, fica entre o mar e as
casas. Fica lá em cima, no alto e lá embaixo, é só pedra. Essas praias não
servem para tomar banho, pois têm arraias, cobras e a correnteza é muito forte,
as ondas batem lá embaixo e respingam lá em cima. O mar é muito furioso nesse
pedaço, e por isso também ninguém vai pra lá.
Fora da temporada de férias
a ilha é deserta. As casas do lado esquerdo não são muitas e estavam todas
fechadas nesse dia. Do outro lado é o barranco e o mar aberto. Tem um
destacamento de bombeiros nesse local, só que vive vazio porque ou os bombeiros
estão em aula, em treinamento na mata da ilha, ou patrulhando as praias junto
com os policiais. Então o quartel é vazio. Com certeza tem bombeiros lá dentro,
mas não se vêm ninguém, só os carros parados.
Eu ia pela estrada sozinha
olhando o mar, a mata depois das casas, o voo dos passarinhos, e o silencio era
tanto que dava para ouvir os pica paus na mata martelando as árvores além dos
estrondos do mar batendo na praia. É uma boa caminhada até a Vila, e eu gosto
de andar por ali apesar de ser o caminho mais comprido ate a Vila. É um caminho
soturno e, dizem, perigoso.
Quando eu dobrei a curva, vi
em frente à mata um grupo de pessoas vestidas em longas roupas pretas,
parecidas com aquelas capas de samurai (sabe o Darth Vader na Guerra nas
Estrelas?). Então, era uma roupa assim toda preta. Estavam todos de costas. Eu
parei olhando, eles se viraram e todos estavam de máscaras negras tipo máscara
contra poluição. Eu me assustei e dei um grito surpresa. Ahhhhhhh!!!!! Aí, me
virei e corri. Nunca pensei que eu pudesse ser tão rápida na carreira, cheguei
em casa imediatamente, abri o portão, estava tremendo tanto que quase não
consegui colocar a chave na porta. Abri a porta. Entrei, fiquei quieta olhando
pelos buraquinhos da porta, escondida atrás dela, mas não veio ninguém me seguindo.
Resolvi voltar para cidade, e comecei a arrumar as minhas coisas, não ia ficar
na Ilha sozinha nem mais um minuto.
Eu gosto de morar só, curtir
a ilha calma e deserta, mas agora eu queria distância dali. Estava arrumando as
minhas coisas, a campainha tocou e eu acordei. Estava sonhando. Foi um alívio.
Fui olhar quem era e eram os meus parentes chegando para o fim de semana. Fomos
até a Vila de carro fazer as compras, lá pela avenida que passa pelo centro da
ilha, não deixei irem por aquela estrada, cortando caminho e fugindo do
transito.
O fim de semana foi bom para
eles... Pra mim, não. Eu estava muito apreensiva. Quando eles se arrumaram para
voltar para cidade, eu disse que vinha junto. “Mas por quê?”, perguntaram.
- Eu preciso fazer umas
coisas na cidade, tem um quarto lá em casa pra mim?
- Claro! Vamos arrumar o que
está desocupado e tu ficas lá.
Vim para cidade e não voltei
mais para morar na ilha, fazem 4 anos que não apareço por lá. Deixei meu quarto
montado e montei outro aqui na cidade. Lá ficaram minhas plantas, minhas
fruteiras carregadas de frutas, meu baú e muitos livros.
Em Belém acontecem muito
essas aparições, principalmente nas ilhas, e quase ninguém vê porque tem horas
que elas são tão desertas que ficam como se fossem abandonadas. O pessoal que
mora na ilha, na sua maioria caseira ou pescadores, comem no almoço uma cuia de
açaí com peixe frito e vão dormir, é costume do local. Aí as coisas aproveitam
para aparecer.
Com certeza existem bases
alienígenas nas nossas águas, nossa floresta, nossas ilhas. Eles estão aqui no
meio de nós como pessoas comuns, não tenha dúvida. Isso já é tão normal por
aqui que com certeza já existem paraenses ET’s.
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