Veja só como são as coisas. Lição de casa da nossa filha Beatriz (em 22/06/12)."Eu retirei esse trecho de um livro que conta a experiência que um menino que passa 24 horas em contato com Mika, um ser vindo de outro planeta. Em suas conversas, eles apresentam seus pontos de vista a respeito de vários assuntos e percebem o quanto as opiniões podem ser diferentes. Confira um trecho no qual eles confrontam seus pensamenros e costumes pela primeira vez.
Foi como se ele estivesse vendo uma maça pela primeira vez. Primeiro só cheirou, depois arriscou uma dentadinha. Daí exclamou: "Nham-nham!", e deu uma grande mordida. Perguntei: "Você gosta?" Ele se inclinou bem para frente, fazendo uma reverência. Eu queria saber que gosto tem a primeira maçã que alguém como na vida. Perguntei de novo: "Que gosto tem?" Ele fez outra reverência. Perguntei: "Por que você está se inclinando?" Mika se inclinou mais uma vez. Fiquei tão perplexo que só consegui perguntar de novo: "Mas por que você está se inclinando desse jeito?" Agora foi a vez de Mika ficar confuso. Acho que ele não sabia se era melhor se inclinar mais uma vez, ou só responder. "Lá de onde eu venho", explicou ele, "nós sempre fazemos uma reverência quando alguém faz uma pergunta fascinante. E quanto mais profunda for a pergunta, mas profundamente a gente se inclina." "Nesse caso", perguntei, " "O que vocês fazem quando querem se cumprimentar?" "Tentamos pensar numa pergunta inteligente." "Por que?" Primeiro ele fez uma reverência rápida, já que eu tinha feito mais uma pergunta, daí falou: "Tentamos pensar numa pergunta inteligente, para fazer a outra pessoa se inclinar." Essa resposta me impressionaou tanto que fiz uma profunda rever~encia, me inclinando ao máximo. Quando levantei os olhos, vi que ele estava chupando o dedo. Houve uma longa pausa até ele tirara o polegar da boca. "Por que você me fez uma reverência?", perguntou ele, num tom quase ofendido. "Porque você deu uma resposta superinteligente para a minha pergunta", respondi. Daí, numa voz bem alta e clara, ele disse algo que eu haveria de lembrar pelo resto da vida. "Uma pessoa nunca merece uma recerência. Mesmo que for inteligente e correta, nem assim você deve se curvar para ela." Fiz que sim, rapidamente. Mas me arrependi no mesmo momento, pois Mika poderia pensar que eu estava me inclinando para a resposta que ele acabava de dar. "Quando você se inclina, você dá passagem! Continuou Mika. "E a gente nunca deve dar passagem para uma resposta, " "Por que não?" "A resposta é sempre um trecho do caminho que está atrás de você. Só uma pergunta pode apontar o caminho para frente." (Ei! Tem alguém aí?, Jostein Gaarder)
Será que "Mika" é parente da Etnéia. Espero que sim.De qualquer maneira adorei ler esse texto com a Bia e ajudá-la a criar o desafio de formular 10 perguntas inteligentes (que é o objetivo da lição de casa). Beijos a todos.
Veja só como são as coisas. Lição de casa da nossa filha Beatriz (em 22/06/12)."Eu retirei esse trecho de um livro que conta a experiência que um menino que passa 24 horas em contato com Mika, um ser vindo de outro planeta. Em suas conversas, eles apresentam seus pontos de vista a respeito de vários assuntos e percebem o quanto as opiniões podem ser diferentes. Confira um trecho no qual eles confrontam seus pensamenros e costumes pela primeira vez.
ResponderExcluirFoi como se ele estivesse vendo uma maça pela primeira vez. Primeiro só cheirou, depois arriscou uma dentadinha.
Daí exclamou: "Nham-nham!", e deu uma grande mordida.
Perguntei: "Você gosta?"
Ele se inclinou bem para frente, fazendo uma reverência.
Eu queria saber que gosto tem a primeira maçã que alguém como na vida.
Perguntei de novo:
"Que gosto tem?"
Ele fez outra reverência.
Perguntei: "Por que você está se inclinando?"
Mika se inclinou mais uma vez. Fiquei tão perplexo que só consegui perguntar de novo:
"Mas por que você está se inclinando desse jeito?"
Agora foi a vez de Mika ficar confuso. Acho que ele não sabia se era melhor se inclinar mais uma vez, ou só responder.
"Lá de onde eu venho", explicou ele, "nós sempre fazemos uma reverência quando alguém faz uma pergunta fascinante. E quanto mais profunda for a pergunta, mas profundamente a gente se inclina."
"Nesse caso", perguntei, " "O que vocês fazem quando querem se cumprimentar?"
"Tentamos pensar numa pergunta inteligente."
"Por que?"
Primeiro ele fez uma reverência rápida, já que eu tinha feito mais uma pergunta, daí falou:
"Tentamos pensar numa pergunta inteligente, para fazer a outra pessoa se inclinar."
Essa resposta me impressionaou tanto que fiz uma profunda rever~encia, me inclinando ao máximo. Quando levantei os olhos, vi que ele estava chupando o dedo. Houve uma longa pausa até ele tirara o polegar da boca.
"Por que você me fez uma reverência?", perguntou ele, num tom quase ofendido.
"Porque você deu uma resposta superinteligente para a minha pergunta", respondi.
Daí, numa voz bem alta e clara, ele disse algo que eu haveria de lembrar pelo resto da vida.
"Uma pessoa nunca merece uma recerência. Mesmo que for inteligente e correta, nem assim você deve se curvar para ela."
Fiz que sim, rapidamente. Mas me arrependi no mesmo momento, pois Mika poderia pensar que eu estava me inclinando para a resposta que ele acabava de dar.
"Quando você se inclina, você dá passagem! Continuou Mika. "E a gente nunca deve dar passagem para uma resposta, "
"Por que não?"
"A resposta é sempre um trecho do caminho que está atrás de você. Só uma pergunta pode apontar o caminho para frente."
(Ei! Tem alguém aí?, Jostein Gaarder)
Será que "Mika" é parente da Etnéia. Espero que sim.De qualquer maneira adorei ler esse texto com a Bia e ajudá-la a criar o desafio de formular 10 perguntas inteligentes (que é o objetivo da lição de casa). Beijos a todos.