sábado, 12 de janeiro de 2013

Minha Avó

Oi, Toquei a campainha da casa, uma senhora veio abrir, a empregada.
- Boa noite. A D. Elisa, por favor?
Ela se virou pra dentro, dizendo:
- D. Elisa, tem uma moça te procurando aqui.
 E lá de dentro:
- Mande entrar.
 Ela se virou pra nós:
- Entrem.
Entramos. Eu estava nervosa, meu coração batia doido no peito. Ela estava sentada em uma cadeira de balanço.
- Pois não?
Quando ela me olhou, senti o impacto. Ela disfarçou, mas senti que tremia.
- Sou filha da Enéia, sua filha. - Falei
Ia mostrar a foto pra ela, mas a reação dela me fez recuar.
- O que?! A minha filha morreu a mais de vinte anos, e não tinha filha nenhuma. Era solteira e morava aqui comigo.
Ela falava alto e aumentou mais ainda a voz.
- O que você quer? Dinheiro, só porque se parece com ela?
Uma senhora veio lá de dentro...
- O que foi, D. Elisa? - Pergunta também.
- Essa moça chega aqui dizendo que é filha da Enéia que já morreu há... - Começou a chorar, completando - ...tempos.
A senhora me olhou. Ela gritou:
- Ponha ela pra fora daqui!
- Senhora, desculpa, mas estou falando a verdade. Eu...  - Ela gritou, me interrompendo:
- Cale a boca!
O Naldo já estava nervoso ao meu lado, segurou o meu braço da foto na mão e baixou. Ela fritou:
- Saia! Saia daqui, vá embora. Chamem o Elias! Elias, Elias. Meu filho venha aqui!
Um senhor chega rápido, agoniado.
- O que foi, mamãe?
- Ponha eles pra fora daqui!
Ele me olhou e ficou surpreso. E ela, ante a indecisão dele, gritou de novo.
- Anda, ponha ela pra fora daqui! Naldo fez sinal pra ele, pra esperar.
- Senhor, escute. Escute o que ela tem a dizer.
E ele:
- Não estamos interessados no que ela tem a dizer. Olhem o estado da minha mãe. Saiam ou chamo a polícia!
Ele nos pegou pelo braço, eu e o Naldo, e nos empurrou para a porta. Eu...
- Deixe eu lhe mostrar a foto.
- Não quero ver nada, saia! Ele abriu a porta e apontou, dizendo:
- Pra fora, os dois!

  She is Out of My Life by Pablo Cabrera on Grooveshark

Naldo: 
- Senhor, por favor, escute o que ela tem a dizer, é importante. Ele:
- É dinheiro que vocês querem? Vão embora, ou eu chamo a polícia - ameaçou de novo.
Eu:
- Vamos, Naldo. Saímos. Entramos no carro, liguei e saí. Ele lá da porta, olhando eu sair na Mercedes. Parei lá adiante. Naldo perguntou:
- O que foi?
- Vou voltar lá.
 - Pra que? O cara vai mandar te prender.
- Não, vou voltar invisível pra ouvir a conversa deles.
 - Ah, então eu também quero ir.
Num instante estávamos lá na sala de novo. Ele dizia:
- Mas era parecida mesmo, tomei um susto quando a vi.
A senhora:
- E eu!?
Minha avó:
- Queria dinheiro só porque se parece com ela, a minha filha. E chorou.
Ele:
- O que ela disse, afinal?
Minha avó:
- Que era filha da Enéia.
Ele, admirado:
- Filha?
Minha avó:
- Minha filha morreu solteira. Ela queria dinheiro, com certeza.
- Não, acho que não. Ela estava em uma Mercedes modelo clássico, não precisa de dinheiro, não.
Minha avó parou de chorar e olhando pra ele, disse:
- Não vá me dizer que está acreditando na história dela. Ele:
- Mamãe, você sabe que a Enéia não morreu. Ela desapareceu. O corpo não foi encontrado, portanto, ela pode estar viva, casou e a moça pode ser filha dela mesmo. É muito parecida. Minha avó olhando pra ele, ouvindo o que ele dizia.
- A senhora sabe como se deu a coisa, e nós escondemos tudo a seu pedido. Fizemos um enterro simbólico. Quem garante que ela não está viva?
Minha avó:
- Então, você acredita naquela história que um disco voador levou ela? A Aurora estava bêbada. - Eu não estou dizendo que acredito nisso, ela pode ter inventado essa história pra justificar o desaparecimento da Enéia. Mas essa é a única história que temos.
A senhora:
- É. Ela ficou mal. Lembra, D. Elisa? Acabou morrendo. Minha avó começou a chorar.
Ele:
- Querida, vá providenciar um chá pra mamãe, vá.
E, se virando pra minha avó, disse:
- Mamãe, não chore mais, se acalme, já passou;
 Minha avó:
- Lembrei de tudo outra vez. Ele:
- Calma, calma! Minha avó:
- O que é aquilo ali no chão? Ele foi lá, pegou.
- Uma foto da Enéia com a moça que veio aqui. Ela deve ter deixado cair. Naldo me olhou. Eu disse: "foi de propósito. Eu joguei no chão". Minha avó pegou a foto, olhou, olhou, dizendo:
- Será que isso é verdade, Elias?
- Pode ser, viu, mamãe. Devíamos ter ouvido a moça. Agora com todas as ameaças que fizemos, ela não volta mais aqui e não vamos poder saber a verdade. Perdemos a chance de saber o que aconteceu com a Enéia.
A senhora, esposa dele, chegou com o chá. Ele mostrou a foto pra ela, das duas juntas. Ela pegou a foto na mãe e ficou olhando. Falou:
- São demais parecidas. Puxei o Naldo, e estávamos no carro, sentado. Liguei, e saí. Naldo:
- Vai voltar lá agora? - Nunca mais. Os caras do disco voador me seguiam em cima, acompanhando o carro. Quando alguma coisa me deixa assim, como estou, eles sentem, e vêm logo atrás. Colocaram pra tocar:

 Maria - Believe Me by www.musicasyoutube.net/ on Grooveshark

Esses caras do disco voador são muito doidos. Que nem vocês.
- É, eles querem me alegrar. Sabem que eu estou triste. Legal.
Convidei: "Vamos comer um daqueles? Estou com fome." Ele tipou na hora: "Eu também, vamos!"

- Te segura. - Eu falei pra ele. Acelerei. O carro disparado embaixo, e o disco voador disparado em cima. Naldo sorriu.
- Uau, é racha, é?



Freei e o disco passou, mudei o caminho. Eles frearam o disco e voltaram pra cima de mim, de novo. Sorri, dizendo. - São uns chicletes, não consigo desgrudá-los do meu pé. Rimos. Eu não ia esquentar com o que tinha acontecido. Naldo:
- Eu queria muito entrar em um disco voador.
- É mesmo?
- Queria ver como é. Me leva lá?
- Levo sim, mas agora vamos comer ali.
Paramos em uma lanchonete, entramos, pedi cinco cheesburger. O Naldo me olhou.
- Nossa, tudo isso é fome?
- Não, é pros rapazes do disco também, eles gostam.
- Como vai entregar isso pra eles?
- Vamos levar para p carro, e eu faço subir, e nós comemos o nosso no carro. Tudo bem?
- Ah, sim, mas onde ficou o disco, que eu não vejo?
- Ele é invisível aos olhos humanos. às vezes eles esquecem de acessar a invisibilidade, e as pessoas veem as naves. O Naldo:
- Ah, então é por isso que somem, sem ninguém saber como?
Fomos para o carro. Comecei a dançar a música de tocava e ele começou a dançar também. As pessoas passavam e olhavam. O rapaz trouxe os lanches, dei os dos rapazes, entramos no carro e comemos o nosso, parados lá no posto. Depois voltamos pra estrada, eu embaixo e o disco encima. Logo estava dormindo. Chamei:
- Hei, pessoal, quero falar com minha mãe. Esperei fazer a conexão e falei:
- Mãe, deu tudo errado.
 Ela
- Eu sei, por isso falei pra você não ir. Mas és teimosa....
- Tá, tchau, era só isso. Obrigado, pessoal.
Eles desligaram. Parei o carro lá na estrada, e enquanto o Naldo dormia, peguei a minha harmônica para tocar, sentei no chão. O disco voador parado mais lá adiante. Um cachorrinho abandonado veio pra junto de mim e parou, me olhando.


 Estava se tremendo todo. Peguei ele e agasalhei no meu casaco, providenciei ração, água, ele comeu e bebeu. Depois se deitou em cima das minhas pernas. Continuei tocando a minha harmônica. Agora, eu estava muito chateada com o que acontecera com o meu encontro com a minha avó. 
Mas isso passa, pensei, 

Beijos.

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