Oi,
Fui na casa do Naldo hoje. Apareci
lá no quarto. Ele estava uma tristeza só. Chamei:
- Naldo.
E ele se virou e correu pra me
abraçar, chorando e rindo, dizendo:
- ET! ET! Que bom que você está
bem, eu achava que você tinha morrido.
Eu perguntei:
- E o Rômulo?
- Triste demais... Nós ficamos
arrasados os dois, não imaginas.
- Imagino, sim, mas eu não podia
arriscar, sabe? Vim agora porque está tudo calmo e vocês estão sozinhos. Quero
ver o Rômulo.
- Ele já sabe que você é uma ET,
viu. Eu contei, não precisa mais se esconder dele.
Fomos lá ver o Rômulo. Ele me
abraçou e chorou, dizendo:
- Porque você sumiu, ET? Achei que
tinha morrido. Devia ter avisado que estava viva
Sorri.
- Eu só vim pra sossegar vocês. Vou
dar umas voltas aí pelo espaço, viajar e, prometo, mandar notícias de lá para vocês.
Combinando?
- Vai viajar de novo? Você não
estava viajando? O Naldo me falou que você tinha ido viajar.
- É, eu fui. Mas agora vou pra
outros lugares. Vou lá com a minha mãe, conhecer a minha terra, onde nasci. Vou
até lá as Plêiades com meu tio, ver a mãe do meu pai em Cassiopéia e tirar umas
férias em Sirius.
- Não some, por favor, ET.
- Não, não vou sumir.
Naldo disse:
- Vamos comer um daqueles, ET?
- Eu topo!
Naldo falou:
- Vou ligar pedindo pra trazerem o
lanche em casa.
Rômulo:
- Me conta aí o que tu fizeste
neste tempo, ET.
Naldo no telefone, de lá me
perguntou:
- E os bichinhos?
- Todos lá na Califórnia, até os passarinhos.
Mudei com todo mundo.
- E quem está lá agora?
- Ninguém, daqui a pouco volto pra
casa. E é só, “Óóó”, estalar os dedos, e estou lá.
Rimos. Rômulo perguntou:
- Como é a Califórnia?
- Linda. O lugar onde eu moro é
interior, próximo a um parque de preservação ambiental. Perto tem outras
cidades e comunidades pequenas que gostam dos ETs.
Rômulo:
Naldo:
- Não sabia que existiam lugares
assim na Terra.
- Existem, lá os ETs são bem
vindos, ninguém hostiliza eles, muitos contatos são feitos. Dizem até que muitos
deles vivem lá entre os humanos em perfeita harmonia. Eu nunca fui até esses
lugares, mas sei que eles existem.
Rômulo:
- Legal, nós também gostamos dos
ETs. Naldo me disse que os caras do disco são legais. Me mostrou o CD que eles
gravaram.
- Ele gostou muito. Eu até fiz uma
cópia do CD pra ele.
- Gostei mesmo – Disse Rômulo.
Sorri.
- E seus pais?
- Trabalhando, disse Naldo.
- Mas aquele moleque lá, que falou
sobre mim, é um chato, hein?
- E ele continua falando. Queria
dar um jeito de ninguém acreditar nele.
- Posso dar esse jeito.
- O que você vai fazer? - Perguntou Naldo.
- Aparecer pra ele.
-
O quê? Tá doida?
- Deixa comigo, vou até filmar pra
mostrar o que vai acontecer.
Fui lá para a casa do garoto, no
quarto dele, e ele, distraído, jogava no computador.
Quando ele se virou e me viu,
começou a berrar!
- A ET! Mãããããeeeeeeee!! A ET está
aqui no meu quarto! Socorrrrrooooooooo! Manhêêêêêêêêêêêêêê, socorroooooooooo!
Todo mundo correu. Até os vizinhos.
Ninguém me via, só ele. Ele apontava mostrando, e ninguém via nada. Ele dizia:
- Ali, ela está ali! Está rindo!
Os pais se olharam, os vizinhos de
olharam e o garoto lá berrando, alucinado. Dizia:
- Ali, ela está ali! Ela vai me
pegar! Vocês não estão vendo? Pai?! Me ajuda!
Dei tchauzinho pra ele e saí pela
janela. Ele apontou pra janela e desmaiou. Logo se espalhou por ali que o
menino estava com alucinação, vendo o que não existia. Até na imprensa apareceu
de imediato.
Voltei lá pra casa do Naldo e
sentei lá com eles, comendo o meu cheeseburger vegetariano, calmamente. Contei
pra eles o acontecido, e ríamos. Ali perto da casa do Naldo já estava a
imprensa e a polícia. Ambulância, médico e tudo. Nós três lá comendo, nem nos
dávamos conta de nada.
# A partir deste ponto,
os acontecimentos são relatados por uma testemunha #
Distraídos, eles não perceberam a
mãe do Naldo chegar. Ao ouvir vozes, ela veio devagar, viu que era a ET que estava
lá, correu para avisar a polícia que estava logo ali. Eles imediatamente foram
pra lá e cercaram tudo no maior silêncio.
Eles só perceberam quando o
helicóptero já estava encima deles. Não deu nem tempo dela ficar invisível.
Quando ela correu, uma rajada de metralhadora a derrubou.
Naldo e Rômulo estavam pasmos,
duros no lugar, em choque. Um dos guardas, aos berros, anunciou:
- Pegamos a ET, pegamos a ET!
Correu todo mundo que estava lá na
casa do menino, pra casa do Naldo.
Lá no gramado do quintal, o corpo
dela estirado. Naldo e Rômulo agora choravam aos berros, dizendo:
- Não! Não! Etnéia! Vocês mataram a
minha amiga! Assassinos, vocês mataram a minha amiga. Ela era boa!
O Rômulo disse:
- Ela me curou, eu estou andando de
novo.
Os vizinhos, que sabiam da
paralisia dele, ficaram surpresos ao vê-lo de pé e começaram a comentar entre
eles, olhando e falando sobre isso, apontando para o menino.
Estavam lá no meio do povo, olhando
o que acontecia, João e Glória, que viram pela TV sobre a notícia do menino que
estava vendo a ET e vieram com os pais deles até lá. Estavam também o professor
que ela salvara da briga, D. Elisa, Elias e a Esposa.
Ela lá no chão imóvel. Quando os
guardas vieram de máscaras, luvas e roupas especiais, para ir juntar o corpo,
Naldo e Rômulo correram e se colocaram na frente dela. Naldo dizendo:
- Não! Não se aproximem! Vocês não
vão pegar ela! Não vão, eu não vou deixar!!!
A mãe deles desesperada gritava:
- Saiam daí! Saiam daí! Deixem a
policia recolher essa coisa!
Os dois lá na frente dela. Os guardas
que tinham parado, avançaram de novo, junto com mais dois.
Naldo:
- Não, não! Por favor ajudem, não
deixem eles pegarem ela!
Rômulo também gritava desesperado:
- Ajudem, ajudem, ela me curou! Ela
é boa, por favor, não deixem eles pegarem ela!
Vendo o desespero dos meninos, João
e Glória correram até eles e seguraram em suas mãos, se colocando em frente à
ela também. Os guardas pararam, olhando pra eles.
Os pais de Glória e João, foram também,
deram as mãos aos filhos, aumentando o cerco. O professor foi. Elias foi. D.
Elisa foi, e fecharam um semicírculo diante do corpo da ET. Naldo disse a eles:
- Tomem conta dela que eu vou me concentrar
e chamar os rapazes do disco.
Mal ele apertou o botão da sua
camisa, e a nave espacial parou em cima deles. Um feixe de luz em forma de cone,
desceu sobre o corpo dela. Os rapazes desceram da nave.
Os guardas começaram a atirar neles,
mas as balas batiam em alguma coisa invisível e caiam no chão, como se ali tivesse
uma parede transparente.
A mãe dos meninos gritava:
- Não atirem, não atirem!!! Vão
matar meus filhos.
Os rapazes pegaram a Etnéia e subiram
com ela para a nave. Eles ficaram todos embaixo olhando pra cima. Naldo:
- A senhora é a avó dela, não é?
Ela vai ficar muito feliz de lhe ver assim, aqui.
- Ela morreu? - pergunta a avó.
- Não, acho que não, ela só está
ferida ou em animação suspensa. Ela é diferente de nós. Vamos esperar.
O disco voador recolheu o cone de
luz e partiu em alta velocidade, levando-a. Naldo, Rômulo e a Avó dela começaram
a chorar.
Naldo disse:
- Acho que ela morreu sim. Eles
foram embora levando ela...
A mãe dos meninos veio abraçá-los,
dizendo:
- Meus filhos, graças a Deus vocês estão
bem!!!
Naldo se soltou dela, gritando:
- Foi você, você que denunciou ela!
- O que é isso, meu filho? – Disse
a mãe.
Naldo, revoltado e chorando:
- Eu não sou seu filho! Você é uma
traidora!!! Ela cuidou do Rômulo, ela o curou e é assim que você agradece o que
ela fez? Denunciando-a? Deixando eles a matarem? Não!!! Não sou seu filho, você
é um ser humano estúpido e mesquinho!!!
A mãe, surpresa, se vira pra Rômulo
para abraçá-lo e ele, empurrando-a, disse:
- Eu também não sou seu filho, você
não cuidou de mim como ela fez.
- Eu não sou uma ET, não tenho
poderes.
- Ela não fez nenhuma mágica
comigo. Nem usou nenhum poder. Só teve paciência, me deu amor, carinho,
atenção, me animou e me incentivou, coisa que a senhora nunca fez. Pelo
contrário, ia pra festas, cinemas, reunião de amigos, e deixava o Naldo com
toda responsabilidade de cuidar de mim, um menino de 12 anos cuidando do irmão aleijado
de 5 anos, porque a mãe dele ia dançar na boate com os amigos. Não quero mais
ser seu filho!
A Nave espacial voltou. O cone de
luz desceu sobre eles.
Os rapazes desceram. Naldo, Rômulo
e a D. Elisa foram levados pelos rapazes para a nave. Depois os rapazes
desceram de novo e levaram João, Glória e os pais deles. Desceram novamente e
levaram o Professor e Elias.
Recolheram o cone de luz e sumiram,
deixando um rastro de luz e todos lá boquiabertos, olhando para o céu. A mãe
dos meninos desmaiou.







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