sábado, 12 de janeiro de 2013

Testes

I'm So Glad That I'm A Woman by Love Unlimited on Grooveshark

Fui na casa do Naldo, cuidar do irmão dele, eles estavam comendo laranjas.
O Naldo foi logo falando:
- Ei! Pontual! Pega a laranja, aí!!
Peguei, dizendo:
- Mas só vou comer depois que fizer o tratamento dele. Quando acabei, lavei as mãos e sentamos eu e o Naldo conversando e eu comecei a comer minha laranja. O Romulo ficou pegando sol .
- Por que você mora aqui, nessa cidade do interior de São Paulo?
- Isso aqui é endereço provisório, eu moro na Califórnia, um tempo no deserto de Mojave, as vezes em comunidades de extraterrestres em São Francisco (Califórnia). Aqui no interior de São Paulo são vários endereços. Agora, a minha casa mesmo é em Point Reyes, litoral de são Francisco, perto do National Seashore.


Lá é a minha casa onde fico bastante tempo, um ano ou dois e depois saio pelo mundo de novo. Eu fui morar prá lá pela primeira vez depois do que fiz com os caras para salvar o professor, já te contei, lembras?

 Olhamos para o irmão dele e ele dormia lá no sol, ele não sabe que sou uma ET.
- Então, morei dois anos lá, depois fui estudar nos Estados Unidos em Nova York.
- E no deserto? Onde se mora no deserto? Eu não imagino...

-Eu morava lá perto da base onde desciam os ônibus espaciais, no leito seco do Rozers Dry Lake, ou lá próximo da base onde são feitos os testes com bombas na região nordeste do deserto.  


- Pra que, Etnéia, morar onde explodem bombas?
- Eles também faziam experiências com artilharia pesada. Eu fazia isso pra conhecer as armas da Terra, ver os brinquedinhos funcionando.
- Brinquedinhos?
- Pra nós é, se eu mandar um raio da minha mão em cima, destruo tudo e sem ferir ninguém. Só elimino e nem sujo o chão, desintegro.
O Naldo me olhando, disse:
- Raio da palma da tua mão?
- É, tem uma luz na palma da minha mão, que quando preciso, uso, e conforme a intensidade que eu dou a ele, posso fazer diversas coisas.
- Como assim?
- Mais forte, mais fraco, em foco fixo, luz pulsante, névoa, bola de fogo, faíscas, em ondas espaçadas, em fio constante, ascendendo e apagando como uma lanterna para me comunicar, ver o que está acontecendo. São várias maneiras de usar.
- Nossa! Qual é a mão?
- Nas duas
- E tu usas?
- Uso
- Mostra aí?
- Não. Isso não é brincadeira. Posso curar e até matar com ela, mas só uso para boas coisas, nunca usei para destruir nada nem ninguém, não ataco meus irmãos terrestres.
- Nem eles te atacando?
- Não, saio fora.
- E se eles te pegarem? Te matarem?
- Troco de clone, mas é difícil o pessoal da Terra me matar, podem até me atingir e me prejudicar e estragar o meu corpo, mas a mim, não.
- Não entendi.
- Não é para entender mesmo.
- Se te matarem, tu não morres? Explica isso.
-Nenhum de nós morre, abandonamos o corpo.
- Quem dera eu pudesse fazer isso...
- E faz... Quando morre, desencarna e reencarna.
- Como assim?
- Inconscientemente, é que vocês não tem consciência disso, não sabem dessas coisas... O bebê no útero sabe de tudo, mas quando entra em contato com a atmosfera do planeta começa a esquecer das coisas e ele vai crescendo e adormecendo a sua consciência, que nasce desperta. Como não tem estímulos para mantê-la viva, isso fica acumulado no subconsciente.  É aí que ficam todas as informações arquivadas e é preciso aprender a acessá-las. Quem faz isso pode fazer qualquer coisa. Essa é a parte oculta de todo o ser humano, e se você consegue se concentrar e acionar o que quer fazer, isso acontece mesmo sem você ver como.
Naldo me pediu:
- Me dá outra fruta daquelas que eu comi na tua casa? Como é o nome?
- Peco.
- Aquilo é parecido com uma toronja, com um jeito de maracujá e um gosto que eu nunca senti... Macio, doce, cheio de suco. Uma delícia! Dá em árvore? Trepadeira? Como é?
- Arbusto.
- É muito bom! Por que não tem aqui na terra?
- Foi extinto por causa da poluição e desmatamento. Antes tinha em todo jardim e quintal medieval. Ainda tem uns pés por aí, pela mata densa que o pessoal planta para se abastecer, basta comer meio por dia que é uma refeição completa. Você come e bebe ao mesmo tempo. É o nosso alimento nas longas viagens de exploração pelo Universo.
- Engraçado o nome!
- É, eles chamam "pico" também, eu gosto muito, e gosto do caqui também, por achar os dois bem parecidos.
- É mesmo! Acho que esse é o caqui das estrelas, só muda a cor. O caqui é vermelho, meio alaranjado e esse de vocês é amarelo por fora e alaranjado por dentro. E nós temos caqui amarelo também, é o caqui chocolate.
         
- Conheço e gosto também, mas prefiro o vermelho que é molinho pois o amarelo é muito duro.
Fui pra casa pegar as frutas e voltei. Sentamos, comendo. O Rômulo já estava acordado, provou e aprovou também:
- Hummmmmmm, o que é isso? Bom!
- O Naldo disse:
- Caqui das estrelas.
Rimos. Pensei: esses dois meninos são ótimos, mas a mãe... Credo! Uma chata de galocha. O Rômulo quis entrar pra dormir. Naldo foi agasalhar ele, e depois voltou.
- Ele anda dormindo muito viu, Etnéia.
-Isso é bom, em repouso o corpo dele se recupera, os ossos se ajeitam e ele ganha forças. Não precisa se preocupar.
- Eu queria te mostrar um desenho que eu fiz de uma nave espacial. A nave que vou construir.
Olhei e disse:
- Tu tens que aprender a montar um computador primeiro com algumas alterações, pois é o computador o cérebro da máquina. Depois, tu tens que aprender a manipular o computador por controle mental. Aí, então sim, montar a máquina, fazer a estrutura, acoplar um ao outro e então finalizar. Não te esquece que tu vais te tornar parte da máquina. Vais interagir com ela, te tornando fonte geradora de energia. Lembras disso? Tu vais ser ligado à máquina, então  te tornas parte dela: computador, máquina, estrutura, acoplamento deles e, por último, tu no controle de tudo - corpo e mente, te e a máquina serão um só.
- Fantástico e difícil, lógico.
- É só seguir as instruções de como construir. Não é difícil, não. É complexo e muito fácil. Não é um bicho de sete cabeças.
- E se eu falhar?
- Se tu falhares, a máquina entra no sistema automático, corrigindo o teu erro. Mas isso é quase impossível de acontecer, porque tu vais ser treinado e enquanto não estiveres em condições, não assumes o comando.
- E os discos voadores que já caíram aqui na Terra? O que foi que aconteceu com eles?
- É mentira. Eles atiram pedaços de material para entreter os perseguidores. As nossas naves nunca caíram aqui. Já despistamos caças nos perseguindo, mísseis e outros. São artifícios que usamos para escapar.
- É uma coisa sem compreensão essas aparições de discos, contatos, abduções, não se tem certeza de nada. Porque isso é tão complexo?
- Pra vocês, para nós é muito claro. Nós estamos aqui, então não sei porque vocês ficam nos procurando no céu. Já ouviu falar do “Elo Perdido”, que vocês tanto procuram? O elo perdido somos nós e estamos bem aqui.
- É difícil entender essas coisas.
- Voltando à máquina: tens que saber como abastecê-la, com o que abastecê-la e desconsiderar essas teorias terrestres e leis das físicas de vocês. Vais aprender o certo, o real das coisas. Nós não usamos suposições.
- Será que eu dou conta?
- Começa logo a treinar o teu cérebro, antes de qualquer coisa tens que aprender a dominá-lo, conduzi-lo, dar ordens a ele, acordar os teus sentidos, colocar a máquina do teu corpo em funcionamento total e consciente. E enquanto treinas isso, vais estudando, nos intervalos, o manual de voo e só depois vais aprender a construir a máquina. Se não fores construir a  de máquina, então sim, vais aprender a pilotar. Mas precisa saber o passo-a-passo de como é a máquina para conhecê-la e se inteirar com ela. Essa é a parte mais importante, a interação. Um faz parte do outro e se transformam em um só.
- Muita responsabilidade.
- Mas perfeitamente possível.
- Pra ti tudo é fácil Etnéia, mas eu quase fiquei maluco olhando aquele painel da nave de vocês.
Sorri.
- Aprendendo, acaba o mistério.
- Tu fostes bem treinada pra tudo.
- Fui, porém só depois que os rapazes chegaram aqui, aprendi tudo com eles, inclusive essas lutas marciais. É só se dedicar. É questão de concentração, disciplina e adquirir agilidade. Essa é a preparação física e mental. Acho que já tem um ano quer treino com eles. O Astor é o melhor espadachim Marciano aqui na Terra. O Andrew é exímio esgrimista Oraniano. O Atagildo é samurai capelliano. O Atanázio, que é meu professor de artes marciais, é um ninja.
E o Pedro pratica kung fu.
             


- Só fera! (sorri)
- Bem, já vou.
- Não, não vai ainda! Conversa mais!
- Seu pais estão para chegar. Não quero rolo comigo. Depois ainda vou tomar banho, ir comprar o meu jantar, e dar uma volta por aí.
- Ahhh! Que inveja. Quem dera eu fosse livre assim.
 Sorri.
-Sua vez vai chegar. Agora, pra isso precisa morar sozinho, se sustentar, ter a sua casa, seu trabalho. Só assim somos livres, donos da nossa vida. Antes eu até queria voltar pra casa, quis morar em Capella com meus pais. Agora não quero mais não, nada como ter a nossa casa e ser dono do nosso nariz. Então estuda, trabalha e faz a tua vida. Te digo isso por experiência própria, viu?
- É, tu tens uma vida ótima.
-Fiz por onde, mas penei, viu? Os rapazes que me deram esse emprego com eles. Pelo meu pai, eu não faria nada na vida, só seria objeto de estudos.
- É, "patricinha". Tem nave espacial, presente do papai, um carrão que é uma máquina, uma casa maneira. Estás com tudo.
Rimos os dois.
- Tchau. Amanhã, quinta-feira, cedo, vou pra minha cass em Point Reys, mas volto pra terminar o tratamento do Rômulo. Até a volta.
- Tchau Etnéia. Boa viagem.
Saí bem cedo, fui levando meu note book e lá abri a casa, saí na minha bicicleta pra comprar jornal, cumprimentei os vizinhos e fiz compras de supermercado. Na volta, já em casa, aparei a grama, podei os arbustos, adubei os canteiros e as árvores frutíferas. Ao anoitecer molhei todas as plantas, tomei banho e fui comprar meu jantar lá na conveniência. O pessoal que me conhece me cumprimentou alegre.
- Oi Etnéia, voltou?
- Ainda não, só vim dar uma olhada na casa e ajeitar algumas coisas por aqui. Trouxe jantar, comi e depois fui olhar a noite. No outro dia pintei a casa, troquei as telas das janelas colocando novas. Quando vier pra cá vou fazer igual como é o meu sótão lá no interior de São Paulo, colocar as mesmas coisas que tenho lá, aqui. Porque quando fui daqui, levei tudo pra lá e aqui ficou vazio. Então vou montar outra casa igual aqui pra não ter que ficar levando e trazendo as coisas.
O domingo foi ótimo, passei numa rede embaixo das árvores. É verão aqui agora e foi muito bom. Um dia de preguiça, bem coisa de terráqueos. Peguei as manias de vocês.

Beijos.

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