sábado, 12 de janeiro de 2013

Um pouco da minha casa

Às quatro horas da tarde entrei na internet, o Naldo estava lá. Não demorou muito ele estava conectado comigo.
Escreveu.
- E aí ET como você está?
- Bem, já passou.
- Dormiu?
- Dormi, acordei agora. Estava cansada.
- E o cachorro?
- Já está enturmado.
- Liga a webcam e o microfone
- Pra quê?
- Quero ver a tua casa e conversar.
Liguei, e dei uma geral com a câmera pela casa. Ele falou:


- Por que tu não tens móveis? É tudo pelo chão?
- Pelo chão, não. É tudo encostado na parede. Um "bota coisas" em cima e uma mesa de computador no cantinho.
- "Rack" de computador. Só os dois? Não tem móvel nenhum...
- Isso é tudo que preciso, e não é só isso. Tem a estante de livros, a mesa de estudos e as prateleiras que eu fiz.


- Uma casa normal tem sofá, poltrona, cadeiras, mesas. É isso que estou falando.
- Não preciso de nada disso. Gosto de espaço pra me mexer. E os dois aí são suficientes para o que eu preciso. Um com TV, Som e DVD, e o outro com a minha central de computação. Ah! Comprei uma mesinha daquelas de notebook. Olha aí. – Foquei pra ele ver.
- Mostra aí, mostra aí. Não vi direito. Nossa!!!! Show!!! Equipadássa, tem até maçã.


- Não é maçã, é um mouse. Estás com fome?
- E o que é aquilo lá atrás? Uma rede?
- É... É uma rede que eu uso pra me embalar. Ela agora está recolhida. Depois eu armo pra me embalar. Uma coisa legal... Gostei muito da rede, posso me embalar, me sinto solta no espaço. Durmo ali na minha cama e me embalo na rede.


- Cama... Que cama? É o chão forrado. E a rede fica em cima do que tu chamas de cama?
Sorri e aí foquei pra ele ver.
- É uma delícia dormir aí.
- Tudo vazio... Isso não é uma casa. É um lugar vazio com algumas coisas dentro.
Sorri e disse:
- Dá licença de eu ter a minha casa do jeito que eu gosto! Ora!
Ele deu risada.
- Estou brincando... Acho muito legal aí, diferente... Nada na sala, só um abajur de pé. Sentas no chão pra ler?
- Agora tem mais uma coisa na sala! A mesinha do notebook que eu já te mostrei. 
Olha lá.
- É!!! A sala tá cheia, agora.
- Está mesmo! Olha essa outra mesinha que eu fiz. Mostrei o engradado de madeira das caixas de maçã.

- Passei uma cera, coloquei um vidro em cima, e agora posso até escrever nela se quiser. Ficou ótima! E na parte de baixo, coloco o meu cesto de revista.
Ele sorriu.
- É... Ficou legal... Ideias. E tu és cheia delas.
- Gostou, não é?
- Gostei mesmo, mas acho que tu devias comprar uma mesa com cadeiras pra comer em cima.
- Minha mesa é no chão. Forro com uma toalha e a mesa está posta.
- Tu és muito desligada... E a tua roupa? Onde guardas?
Foquei a câmera no canto.
- Ali, sabes o que é isso?

- Sei, é uma arara daquelas de expor roupas nas lojas. É! Legal! Não estou dizendo? Ideias, ninguém tem um guarda-roupa assim.
Sorri.
- A conversa está boa, mas eu quero te perguntar uma coisa sobre os reptilianos. Podes responder? 
Puxei a cadeira e sentei.
- O que foi isso? Tu sentastes, foi?
- Foi. O meu "rack" tem uma cadeira de rodinhas como a tua. A tua é azul e a minha é vermelha.
- Legal! Finalmente uma cadeira.
- O que tu queres saber mesmo dos reptilianos? A internet está cheia de coisas falando sobre eles.
- Eu sei, mas queria saber se é verdade isso.
- É, eles foram os primeiros a chegar aqui, por isso se acham os donos do planeta.


- E vocês?
- Nós somos vocês.
- Eu sei, quero saber se são amigos deles?
- Não, eles expulsaram quase todos nós Daqui. E os que ficaram, vivem escondidos assim como outras raças. Eles querem manter todos escravos, obedecendo a eles, e como nós dividimos com oS homens da terra a nossa sabedoria oculta, os nossos conhecimentos, eles nos combatem. Porque o homem consciente, que sabe das coisas, não se escraviza. Nossa é a ciência do antigo Egito.

 A descendência dos faraós sumiu da Terra por causa disso.


Tivemos que ir embora, e não só nós, outros povos abandonaram suas cidades inteiras e sumiram. Voltaram para o seu lugar de origem.    


- Nossa! É por isso que vives escondida?
- É, me escondo de vocês e deles.
- Deve ser o "Ó" isso.
- Entendeu agora porque eu não posso aparecer? Usar webcam, fotos e outros?.. Por causa disso.
- Deve ser horrível viver assim, hein?
- Já acostumei, nem dói.
- E eles podem se transformar em gente?
- Não. Eles usam o disfarce de gente, não podem se misturar com vocês. São uns dissimulados. E os livros que te dei? Gostou? Tenho outros bons aqui. O pessoal da Terra está escrevendo bem, abrindo o campo. E eu fico preocupada de darem sumiço neles.
- Vocês morrem?
- Não. Somos clones, fazemos transmigração.
- O que é isso?
- A transferência da consciência para outro corpo. Se você tem o seu corpo destruído, passa pra outro.
- Como assim?
- O seu clone já está lá pronto, só esperando ser usado.
- Aí você nasce e cresce de novo, igual?
- Não. O corpo tem a mesma idade do que você deixou, é só ajustar. Simples como vestir uma roupa.
- Vocês não usam a palavra morte?
- Não. Somos imortais.
- E porque nós não somos? Não fomos criados por vocês?
- Não. Nós demos descendência da nossa raça a vocês, que já existiam quando aqui chegamos. Agora não sei por que, vocês são mortais. Um defeito, talvez, coisas do planeta, interferências ou alguma coisa assim.
- Tu não sabes tudo?
- Não fomos nós que criamos vocês, nós nos misturamos, geramos nova raça. Vocês já estavam aqui quando nós chegamos. Agora, o fato de serem descartáveis e terem que ser jogados fora, isso é lá com quem criou vocês. Usam vocês o tempo que precisam e depois descartam. Vocês são escravos deles até hoje. Olha a vida de vocês como é. Pode até nem parecer, mas vocês vivem sob jugo. É um jogo. E o cheque mate um dia chega pra todos vocês em forma de morte.
- Tu não morres?
- Não, e tu já me perguntastes isso.
- Caramba, que conversas doidas essas tuas.
- Eu só respondo o que perguntam, explico o que querem saber.
To vendo, e explicas direitinho.
- Vou desligar a câmera.
- Não, espera aí... Mostra a tua parede ali...
- Qual?
- A de máscaras.
- Ah, tu já vistes isso... Não posso ficar mostrando a minha casa.
- Não, não vi não. Naquele dia estava muito nervoso, com medo, não vi nada, não olhei nada. Depois que passou, eu até dormi de tão cansado. Mostra a parede, vai.
Mostrei a parede.

- Nossa, que legal. É, tens muita coisa mesmo. Tudo encostado nas paredes e, no meio, espaço vazio. É muito legal a tua casa. Tudo é bonito, simples e diferente.
- É, eu não compro nada. Vou garimpando as coisas. As paredes tem de tudo pendurado. Vou encostando tudo. Agora o meio da casa é livre pra andar. Só os cantos são cheios, o miolo, não.
- Muito legal. Tu podias colocar na internet para todo mundo ver como tu moras legal. E és uma pessoa comum igual a qualquer terráqueo.
- Não, podem me pegar.
- Que nada, ninguém vai saber onde é, o teu endereço não existe, fica na mata. Quem vai achar isso, lá?
- É, vou mandar. E agora tchau.
- Ei, espera aí. E os reptilianos?
- Vai na internet que tá cheio lá.
- O que é isso? Estás pronta, é? Vai sair?
- Vou.
- Pra onde, já?
- Dar uma volta por aí, e depois ir comprar o meu jantar, faço isso todo dia.
- E precisa toda essa elegância?
- Deixa de ser chato.
Ele riu.
- Mostra ali antes de desligar, aquilo é uma cesta de frutas, é?


- É, agora tchau.
- Espera aí, espera aí! É um cavaleiro medieval, alí?
- É, e um templário, tchau.


Desliguei, fui andar um pouco. Comprar revistas e jornais lá na conveniência do posto de gasolina.
Depois na lanchonete comprar o meu jantar. Hamburger de soja com salada, batatas, suco e maçã à parte.


Gosto de bater papo por lá. Já tenho até conhecidos no local. Hoje fui só. O Canjica ficou catando o cachorro. Ele largou o gato e agora está pra cima e pra baixo com o cachorro.


   
 Beijos.

Um comentário:

  1. Já vi que o Canjica é um cara enjoado, fica pegando no pé...te deixou de lado e agora é o cachorro...coitado. O Canjica é um galo bonitão, elegante. Eu também já tive um galo mas era pedrês, o nome dele era Expedito. tchau.

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