Oi,
Sentei pra ver TV. Avisaram que as buscas iam parar e
recomeçar só no outro dia. Na rua um repórter falou com umas pessoas, e todo
mundo tinha o que contar, tinham visto luzes, discos e até ETs e uma lá disse:
- Eu não acredito nisso, isso é bobagem de criança, eles não
viram nada. Estão imaginando.
Gostei. Depois do programa acabar, saí pra ver o João e a
Glória. Invisível, claro. Só queria saber o que eles achavam, ver o que diziam.
Cheguei lá, estavam conversando. O João disse:
- E nós nunca acreditamos no que ela dizia, hein, Glória.
- Menino, pois é. E era verdade mesmo. Eu achava que ela
estava brincando.
A mãe deles veio perguntando:
- Essa não é aquela amiga de vocês, que andou aquele tempo
por aqui?
João responde:
- É parecida mesmo, mas acho que não é ela, não.
A mãe:
- Olha que é, eu achava ela bem esquisita mesmo. Vê lá o que
vocês vão trazer pra casa agora, viu? Todo cuidado é pouco.
Saí de lá e fui na república onde morei. Os caras que
conheci e que estavam atacando o professor aquele dia, comentavam também.
- Vocês acham que devemos contar o que aconteceu lá no
estacionamento?
- Não, cara, ninguém vai acreditar.
- É, já faz tempo isso. Porque não contamos logo o que
aconteceu? Vão querer saber. E o que vamos responder?
- É, contar agora não dar... Se bem que podíamos dizer que
ficamos com medo. E ficamos mesmo, não vamos mentir.
- Vão querer saber por quê ela fez isso conosco. Vocês vão
contar que estávamos batendo no professor e ela veio defendê-lo?
- É... Não, é melhor não contar. Vamos nos enrolar com isso.
E todos concordaram.
- Mas eu estou torcendo pra pegarem ela e matarem aquela
maluca.
Senti o ódio dele. Não sei por que... Não fiz nada com ele,
só defendi o professor. Era uma covardia aquilo, quatro contra um. Não sei por que
o ser humano é assim.
Os caras do disco me conectaram. Eu disse:
- Oi, fala.
- Viu como estão as coisas?
Que tal dar um tempo longe? Vamos deixar eles encontrarem o que o garoto
disse: a sua casa. Vamos clonar outra, eles invadem, derrubam, veem que não tem
nada e sossegam.
- Tá, eu vou, mas antes quero ver outra coisa.
Fui lá no professor. Ele andava de um lado pro outro na sala
dele, torcendo as mãos. Pensava: “Eles
não podem encontra-la, pegá-la. Vão matá-la e ela é boa, me salvou aquele dia.
Não podem fazer isso.”
Fiquei satisfeita de saber que ele era meu amigo e torcia
por mim. Voltei ao hospital com a minha avó, ela estava dormindo. Ao lado dela,
o filho e a esposa dele conversavam. A
esposa:
- Que história louca essa, Elias. Tu acreditas nisso?
- Não sei, estou confuso. A história de como a Enéia sumiu e
não tivemos mais notícias dela. Ela sumiu da face da Terra. Devíamos ter ouvido
a moça. Nós erramos ao não fazer isso.
E a mulher dele fazendo cara de nojo, disse:
- Mas uma ET? Você queria ter escutado uma ET?
- E se ela realmente for minha sobrinha? Filha da Enéia com
um ET? Não é essa a história? Que foram os ETs que a levaram?
- Isso é um terror, Elias. Não fala uma coisa dessas.
Outras pessoas chegaram. Elias se levantou dizendo:
- Oh, minha irmã, ainda bem que você veio.
- O que aconteceu com a mamãe?
- Ihhhh, é uma história que você não vai acreditar.
Eu pensei comigo: “ah,
não vai mesmo.”
Saí dali e fui pra casa. O disco voador fez contato.
- Oi, fala!
- A sua mãe quer falar com você.
- De novo? Ah, estou cansada. Não quero ouvir mais nada
hoje. Diz que não me encontrou. Não sabe onde eu estou. A culpa é deles que me
mandaram pra cá.
- Tudo bem, mas olha, não esquenta, estamos dando suporte.
- Ok, obrigado.
Sentei lá na janela, olhando a escuridão lá fora e dentro de
casa, pensando: “Será que vou ter que
deixar a Terra? Como as coisas se espalharam de repente. Parece um rastro de
pólvora. Num instante, virou um alvoroço medonho.”
Levantei, entrei e fui pra internet. Todo mundo estava
comentando, fazendo graça, piadas, desenhos. Desliguei dizendo:
- Ah, vão se catar! Vou dormir que é melhor. O helicópteros continuam lá fora, agora com
os holofotes acesos, varrendo tudo.
Ia me deitar, quando alguma coisa deu de encontro com a
minha casa, e ela começou a cair. Transferi tudo dali imediatamente para Point
Reys, e fiquei olhando pra ver o que era. Focos de luz se acenderam de todos os
lados. Um trator desses monstruosos, próprios pra demolição, bateu em mim de
novo e a casa caiu como papel. Focos de luz foram acesos e os soldados armados
começaram a procurar alguma coisa pelo escombros. Passaram o resto da madrugada
toda nisso. Viraram e reviraram os entulhos. Uma pá mecânica veio para retirar
os entulhos. E pela manhã explodiu a notícia. Tinha sido encontrada a casa que
os meninos disseram que tinha no mato e que era a casa da ET.
Tinham derrubado tudo e estavam fazendo buscas no local, mas
até agora nada tinha sido encontrado, além da casa. Talvez ela estivesse morta
entre os entulhos e era isso o qeu estavam procurando.
Fui lá na casa do Naldo, El estava estático diante da T.V.
olhando. Ele sabia que aquela era a minha casa. Ele estivera lá e diante da
confirmação caiu em prantos, dizendo:
- Acharam! Acharam ela, Meu Deus! Será que mataram ela e
deram sumiço? Levaram? Eles costumam fazer isso. Não capturam ETs vivos. Eles matam
logo! E os bichinhos dela? Meu Deus, protege eles. Protege a Etnéia. Parece até
que ela estava adivinhando quando me pediu pra tomar conta dos bichinhos dela.
Ela já sabia! Ela já sabia que isso ia acontecer.
A mãe dele veio falando algo com ele, e ele desligou a
Televisão e correu pro banheiro. A mãe não podia vê-lo chorando, senão...
- Estás tomando banho, Naldo?
- Estou.
- Não estás vendo a TV?
- Não, porque?
- Acharam a casa do mato que o Pil disse que você falou.
- Mãe, eu já falei que foi brincadeira isso.
- Acharam a casa na mata e derrubaram. Mas não acharam sua
amiga.
- Oh, mãe, para com isso... Eu já te falei que ela está
viajando, e ela não é uma E.T.
Saí de lá. Quero ver quando vão parar com essa besteira
toda. Não vão me achar mesmo.
Beijos.



Nenhum comentário:
Postar um comentário
Por favor, comente!