sábado, 12 de janeiro de 2013

Nós e Vocês


Oi, 
O Naldo acordou alta madrugada, umas 2 da manhã mais ou menos.
Eu estava lá, com o cachorrinho dormindo no meu casaco. Fazia frio. Naldo saiu do carro e veio. Sentou do meu lado dizendo:
- Eras, eu dormi! O que você está fazendo aqui no tempo? Está frio... Porque parou?
- Estavas dormindo, aí eu falei com a minha mãe, parei um pouco e o cachorrinho chegou. Fiquei aqui quieta pra ele dormir.
Naldo afastou o meu casaco olhando o cachorrinho. Sorriu.
- Olha só a folga. Vais ficar com ele?
- Vou. Já tenho um gato, o Cosmos, um galo, o Canjica, 3 passarinhos, plantas.... Agora um cachorro. Se um dia eu tiver que ir embora, você fica com eles, os meus bichinhos?
- Porque, está pensando em ir embora?
- Não, mas vai que um dia, eu tenho que ir...
- Eu cuido, sim, pode ficar sossegada.
Ele olhou pro céu e ficou surpreso.
- Olha! O disco voador, estou vendo!
- É, os rapazes gostaram de você, porque és meu amigo. Guarda o segredo. És um ser humano diferente, um cara legal. Mas não és ET, não.
Ele olhando o disco voador.
- Quando vais me levar lá?
- Queres ir agora?



Oh, eu estou sonhando, não estou?
- Não, por quê?
- É de verdade?
- É, pode se beliscar.
Rimos
- Pessoal, o Naldo quer ir aí com vocês no disco.
O Disco focou o raio no chão. Nós nos aproximamos. O Naldo estava nervoso, podia sentir o nervosismo dele. Falei:
- Fica calmo, cara.
- É a emoção. Não avalias o que é isso para um ser humano. É algo fantástico, inacreditável.
O raio subiu, nos elevando. Entramos no disco. Agora tocamos suavemente algo de Richard Strauss. 
O som suave enchia o espaço da nave e a luz estava esmaecida. Os 3 rapazes estavam em pé, de braços cruzados, olhando pra nós, vestidos em seus macacões metálicos. Naldo parou olhando pra eles.- Oi, pessoal.
- Oi, Naldo.
A música tocando e as luzes dos painéis piscando. Um deles fez um convite com a mãe, pro Naldo se aproximar do painel. Ele foi olhar de perto. O rapaz foi junto, e passou a mão sobre as telas, e o Naldo começou a ver o espaço. O outro rapaz deu um botãozinho, pra ele colocar ao lado do nariz. Ele colocou. É pra respiração. Pela janela do disco começaram a passar o céu, os planetas, as estrelas. Naldo, assustado,
- O que é isso?

Eu disse: estamos viajando pelo céu.
- Jura?
- Esta sentido alguma coisa?
- Não.
Mesmo assim o enrolei na proteção do macacão.
Ele olhava pelo vidro, admiradíssimo. Não acredito, cara... O céu! Meu Deus. Como isso é lindo! Etnéia, jura que eu não estou sonhando?
- Não, meu amigo. É real.
- Com pode, não sinto nada. Por quê?
- O botão no seu nariz e a roupa. Depois a nave é muito segura. Se você soubesse a velocidade em que estamos.
- Dá a impressão que estamos vagando suavemente.
- E estamos. É que é a mesma aceleração do universo. Por isso tudo passa assim, lentamente, suavemente, na sensação de flutuar.
- Meu Deus, que coisa fantástica. Eu não acredito. E é lindo aqui dentro da nave. Isso é um grande computador, não é?
Um dos rapazes começou a mostrar a ele os botões lá do painel.
- Posso pegar nessa sua roupa metálica?
- Cuidado com a estática. Pode te dar choque, mesmo estando com a roupa. Ficamos eletrificados. Esqueceu que eu disse que somos elétricos? Então eles estão fornecendo energia para a nave, estão conectados. Um dos rapazes esticou a mão pra ele, fazendo que sim com a cabeça. Naldo tocou nele e saíram pequenas faíscas azuladas do seu dedo, ao tocá-lo de leve. Fez um barulho de alta tensão.
Naldo puxou a mão.
- Nossa!
 Naldo, olha na janela.
Ele olhou, se espantou. Perguntou.
- É a Terra?



- É.
Ele se aproximou da janela.
- Olha a Terra, é azul mesmo. É a Terra! O meu planeta azul. Que linda! É a mais linda do universo, a Terra! A minha Terra.
E começou a chorar, e disse emocionado: “é a Terra, é a Terra!”
A música suave tocando. A música parou e ele caiu, desmaiou chorando. Eu corri pra juntá-lo.
Atagildo:
- É só emoção, tudo bem. Vamos descê-lo e levar lá pro carro.
Descemos. O Atanásio levou ele lá pro carro. Esperei ele acordar.
- Oi, tudo bem?
- Está. Por quê?
- Não lembra de nada, não?
- Lembro, que fomos na sua avó e ela não quis ouvir nada. Paramos pra comer, eu dormi, você arrumou um cachorro.
Ele parou, eu olhando.
- Só?
- Ele me olhou: pra onde estamos indo?
- Vou levá-lo para sua casa, estamos quase chegando.
Cadê o cachorro?
- Dormindo no banco de trás.
- A nave espacial é linda!
- Ah, então você lembra de tudo?
- Lembro, e tenho medo. Não quero nem ouvir falar.
- Por quê ?
- Não sei. É muito pra minha cabeça. Eu não acredito que vi a Terra lá de cima. Aquilo é imagem de computador, não é?
- Não, é real, por que não acredita?
- Não sei.  É irreal. Não sei o que está acontecendo comigo. Me disseram que a adolescência era complicada, mas não que sofríamos de alucinação.
Eu sorri.
- Não é alucinação nenhuma, rapaz! É real. Pode festejar. Esse foi o meu presente de 15 anos. Falta pouco pro seu aniversário, não é? Quando vai ser o baile?
- É, mas só festejamos com baile os 15 anos das meninas. Os rapazes, não.
Deixei ele e fui pra casa com o meu cachorro. Aquietei ele sobre um pano e ele ficou lá, dormindo. Todos foram olhar. Cosmos e Canjica foram olhando, todos admirados. Sentei na janela, olhando lá fora. Estava amanhecendo.
- Estou casada, foi uma noite e tanto, vou dormir um pouco.

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