Oi,
O Naldo
acordou alta madrugada, umas 2 da manhã mais ou menos.
Eu estava lá, com o cachorrinho dormindo no meu casaco. Fazia frio. Naldo saiu do carro e
veio. Sentou do meu lado dizendo:
- Estavas
dormindo, aí eu falei com a minha mãe, parei um pouco e o cachorrinho chegou. Fiquei
aqui quieta pra ele dormir.
Naldo afastou
o meu casaco olhando o cachorrinho. Sorriu.
- Olha só a
folga. Vais ficar com ele?
- Vou. Já
tenho um gato, o Cosmos, um galo, o Canjica, 3 passarinhos, plantas.... Agora
um cachorro. Se um dia eu tiver que ir embora, você fica com eles, os meus
bichinhos?
- Porque,
está pensando em ir embora?
- Não, mas
vai que um dia, eu tenho que ir...
- Eu cuido, sim,
pode ficar sossegada.
Ele olhou pro
céu e ficou surpreso.
- Olha! O
disco voador, estou vendo!
- É, os
rapazes gostaram de você, porque és meu amigo. Guarda o segredo. És um ser humano
diferente, um cara legal. Mas não és ET, não.
Ele olhando o
disco voador.
- Quando vais
me levar lá?
Oh, eu estou
sonhando, não estou?
- Não, por
quê?
- É de
verdade?
- É, pode se
beliscar.
Rimos
- Pessoal, o
Naldo quer ir aí com vocês no disco.
O Disco focou
o raio no chão. Nós nos aproximamos. O Naldo estava nervoso, podia sentir o
nervosismo dele. Falei:
- Fica calmo,
cara.
- É a emoção.
Não avalias o que é isso para um ser humano. É algo fantástico, inacreditável.
O raio subiu, nos elevando. Entramos no disco. Agora tocamos suavemente algo de Richard Strauss.
O som suave
enchia o espaço da nave e a luz estava esmaecida. Os 3 rapazes estavam em pé,
de braços cruzados, olhando pra nós, vestidos em seus macacões metálicos. Naldo
parou olhando pra eles.- Oi,
pessoal.
- Oi, Naldo.
A música tocando e as luzes dos painéis piscando. Um deles fez um convite com a mãe, pro Naldo se aproximar do painel. Ele foi olhar de perto. O rapaz foi junto, e passou a mão sobre as telas, e o Naldo começou a ver o espaço. O outro rapaz deu um botãozinho, pra ele colocar ao lado do nariz. Ele colocou. É pra respiração. Pela janela do disco começaram a passar o céu, os planetas, as estrelas. Naldo, assustado,
A música tocando e as luzes dos painéis piscando. Um deles fez um convite com a mãe, pro Naldo se aproximar do painel. Ele foi olhar de perto. O rapaz foi junto, e passou a mão sobre as telas, e o Naldo começou a ver o espaço. O outro rapaz deu um botãozinho, pra ele colocar ao lado do nariz. Ele colocou. É pra respiração. Pela janela do disco começaram a passar o céu, os planetas, as estrelas. Naldo, assustado,
- O que é
isso?
Eu disse:
estamos viajando pelo céu.
- Jura?
- Esta sentido
alguma coisa?
- Não.
Mesmo assim o
enrolei na proteção do macacão.
Ele olhava
pelo vidro, admiradíssimo. Não acredito, cara... O céu! Meu Deus. Como isso é
lindo! Etnéia, jura que eu não estou sonhando?
- Não, meu
amigo. É real.
- Com pode,
não sinto nada. Por quê?
- O botão no
seu nariz e a roupa. Depois a nave é muito segura. Se você soubesse a
velocidade em que estamos.
- Dá a impressão
que estamos vagando suavemente.
- E estamos.
É que é a mesma aceleração do universo. Por isso tudo passa assim, lentamente, suavemente,
na sensação de flutuar.
- Meu Deus,
que coisa fantástica. Eu não acredito. E é lindo aqui dentro da nave. Isso é um
grande computador, não é?
Um dos
rapazes começou a mostrar a ele os botões lá do painel.
- Posso pegar
nessa sua roupa metálica?
- Cuidado com
a estática. Pode te dar choque, mesmo estando com a roupa. Ficamos
eletrificados. Esqueceu que eu disse que somos elétricos? Então eles estão
fornecendo energia para a nave, estão conectados. Um dos rapazes esticou a mão
pra ele, fazendo que sim com a cabeça. Naldo tocou nele e saíram pequenas
faíscas azuladas do seu dedo, ao tocá-lo de leve. Fez um barulho de alta
tensão.
Naldo puxou a
mão.
- Nossa!
Naldo, olha
na janela.
Ele olhou, se
espantou. Perguntou.
- É.
Ele se
aproximou da janela.
- Olha a
Terra, é azul mesmo. É a Terra! O meu planeta azul. Que linda! É a mais linda
do universo, a Terra! A minha Terra.
E começou a
chorar, e disse emocionado: “é a Terra, é a Terra!”
A música
suave tocando. A música parou e ele caiu, desmaiou chorando. Eu corri pra
juntá-lo.
Atagildo:
- É só
emoção, tudo bem. Vamos descê-lo e levar lá pro carro.
Descemos. O
Atanásio levou ele lá pro carro. Esperei ele acordar.
- Oi, tudo
bem?
- Está. Por
quê?
- Não lembra
de nada, não?
- Lembro, que
fomos na sua avó e ela não quis ouvir nada. Paramos pra comer, eu dormi, você
arrumou um cachorro.
Ele parou, eu
olhando.
- Só?
- Ele me
olhou: pra onde estamos indo?
- Vou levá-lo
para sua casa, estamos quase chegando.
Cadê o cachorro?
- A nave espacial
é linda!
- Ah, então você
lembra de tudo?
- Lembro, e
tenho medo. Não quero nem ouvir falar.
- Por quê ?
- Não sei. É
muito pra minha cabeça. Eu não acredito que vi a Terra lá de cima. Aquilo é
imagem de computador, não é?
- Não, é
real, por que não acredita?
- Não
sei. É irreal. Não sei o que está
acontecendo comigo. Me disseram que a adolescência era complicada, mas não que
sofríamos de alucinação.
Eu sorri.
- Não é alucinação
nenhuma, rapaz! É real. Pode festejar. Esse foi o meu presente de 15 anos.
Falta pouco pro seu aniversário, não é? Quando vai ser o baile?
- É, mas só festejamos
com baile os 15 anos das meninas. Os rapazes, não.
Deixei ele e
fui pra casa com o meu cachorro. Aquietei ele sobre um pano e ele ficou lá,
dormindo. Todos foram olhar. Cosmos e Canjica foram olhando, todos admirados.
Sentei na janela, olhando lá fora. Estava amanhecendo.
- Estou
casada, foi uma noite e tanto, vou dormir um pouco.



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