Cheguei na
casa dele e encontrei sua mãe, que estava na porta. Ela olhou quando eu parei.
Desci e me aproximei.
- Bom
dia.... - Falei.
- Bom dia.
- O Naldo
está?
Ela, olhando
pra mim, estava me medindo toda, me estudando. Desconfiada, respondeu:
- Está sim.
Por que?
Nesse
instante ele saiu, sorridente.
- Hei!
Pontual, hein... Britânica!
Ele olhou
pra mãe dele e me apresentou a ela: "Mãe,
essa é a Eti, minha amiga com quem eu vou sair."
Ainda me
olhando esquisito, com cara de quem estava me achando muito velha pra ser amiga
do filho dela. Ele olhou a Mercedes e perguntou se era minha. Respondi que sim.
- Nossa!
Tinha que ser um carrão desse mesmo... Mas onde você guarda isso? Eu não vi por
lá...
- Tenho uma
garagem alugada – respondi.
- Ah, bem!
- Vamos? -
Perguntei.
Naldo se
despediu da mãe e ela respondeu com um antipático "Não demora".
- Vou
demorar, sim. Eu falei pra você, lembra?
E saímos
assim que ele disse isso. Ela nos acompanhou com o olhar até virarmos a
esquina. Eu vi, pelo retrovisor, ela ainda reparando no carro. Já sozinhos, a
caminho, Naldo continuava espantado com o carro.
- Caramba!
Você é rica... Só tem um desses quem tem muita grana... Isso é carro de
barão... É a máquina!
- Como é que
vc me chamou lá pra sua mãe?
- Eti... Por
quê?
- Por que
Eti?
- Queria que
eu falasse Etinéia?
- Esse é o
meu nome, esqueceu?
- Tudo bem,
é apelido.
- Apelido?
- É, eu sou
Reginaldo, mas me chamam de Naldo. Você é Etnéia... Eti.
- Pode ir
pra São Paulo comigo?
- Posso...
- E a sua
mãe?
- Eu ligo
pra ela...
Interrompi: “Não... Não diz que vai comigo... Diz que vai
acampar...”
Ele me olhou
e disse, estranhando: "Mas isso é
mentira..."
- É que ela
não gostou de mim - respondi - Me achou muito velha pra ser sua amiga.
- Ah, que
nada... Vamos agora pra São Paulo?
- Não...
Vamos ver o navegador e vamos amanhã.
- Ah, então
deixa que eu falo com ela...
Compramos o
GPS, atualizamos os dados na loja mesmo e o instalamos logo em seguida.
Almoçamos no shopping e fui levá-lo em casa, à tarde. Saí dali e sumi logo
adiante. Fiquei invisível e voltei pra casa dele. Eu queria ouvir a conversa do
Naldo com sua mãe. O pai dele já estava em casa e, pra ser bem sincera, não foi
surpresa nenhuma pra mim a conversa que eu presenciei.
- Mãe,
amanhã eu vou pra São Paulo com a Eti...
- Aliás -
respondeu a mãe - eu queria mesmo lhe perguntar onde você conheceu essa velha e
como você se tornou amigo dela.
- Velha? A
Eti, velha? Ela tem 21 anos, mãe. Ou 22, por aí...
- E você tem
14. É uma criança ainda.
- Deixa o
menino - disse o pai - pretendendo participar da conversa.
- Essa deve
ser daquelas velhas que se aproveitam dos garotinhos,
- Bem que
ela disse que você não gostou dela. Ela percebeu. Ela é muito legal, se você
quer saber, viu?
- Ô Teresa -
disse o pai - Melhor ser uma mulher mais velha do que essa menininhas
malucas... Ou um cara...
- Mas o que
é isso?! Vocês estão pensando que eu namoro com ela, é? Ôoo, nós só vamos
procurar a avó dela... Somos amigos, só isso...
- Não! Você
não vai, não. - disse a mãe dele.
- Eu vou
sim! E da próxima vez, eu vou mentir. É isso que vocês querem que eu faça, não
é? Não posso dizer a verdade, então eu vou mentir.
O pai dele
encerrou a discussão:
- Eu não,
não quero que você minta. Por mim, está liberado, pode ir viajar com sua amiga
e até ser namorado dela... Quem tem que ter juízo nesse caso é ela...
- Da outra
vez, eu vou sair escondido! - disse ele desafiando a mãe, que estava quieta.
Ele subiu zangado.
Fui pra casa
e no outro dia passei lá pra pegá-lo. Ele veio todo alegre, entrou no carro e
saímos. Desta vez a mãe dele não apareceu nem para dar tchau.
- Sabe que o
meu pai me deu R$ 500,00? Ele não me dá nem 100 reais, mas desta vez me deu
tudo isso dizendo: "Divirta-se".
- Por isso
essa sua cara de felicidade, é? E a sua mãe?
- Ah! Mãe é
assim mesmo, sabe? Com os meus amigos ela não se importa, mas as meninas ela
trata mal, viu...
- Quantos
anos você tem?
- Tenho
15... Quer dizer, vou fazer no mês que vem, tenho 14 agora. Vou começar a jogar
vôlei e a fazer natação, pra crescer mais. Sou baixinho...
- Que nada,
está boa a sua altura, pra sua idade.
- Quer dizer
que ET tem mãe, avó...?
- Pai,
irmãos... Tudo igual. Por quê? Não pode?
- É que eu
não sabia... Achei que ET era ET e pronto.
- Um
alienado?
- É...
- Então
vamos aprender as coisas direitinho. ET e Alien não são a mesma coisa, certo?
- Não? Não é
tudo igual?
- Não...
Alien é robô. Eu sou gente.
- Quem são
os verdes?
- Isso é cor
de roupa. Tecido protetor... Não tem verde nem cinza nem nada, tudo é humano de
aparência diferente da de vocês, mas é gente... O astronauta é daquele jeito?
Não... Aquilo é uma roupa espacial que ele usa. O cara está lá dentro, não é?
Ele não é assim... Então são roupas ou robôs.
- É... Mas
você é uma ET?
- Sou... E
eu não sou assim como esses ETs dos filmes. Sou gente normal, como você...
- E todos
são assim como você?
- Não. Eu
sou um cruzamento, por isso tenho essa aparência, mas quando eu era pequenina
eu assustava as pessoas, era esquisita, feia, muda.
Ele ficou me
olhando, acho que tentando imaginar.
- E a sua
avó é de lá também?
- Não, ela é
daqui da Terra.
- O que lá
não é igual à Terra? O que é diferente? Deve ser diferente, não é possível... É
outro planeta!
- Pouca
coisa, eu acho. Nasci lá, mas vim bebê pra cá e fui criada aqui, em um
orfanato, pra pegar o jeito da Terra. Já te contei isso... Então, não sei muito
de lá, não. Só sei o que eles, os rapazes da nave, me contam.
- Sei. É que
eu pensava que você tinha vindo de lá agora, logo que te conheci.
- Não, eu me
criei aqui... Vocês aqui da Terra são nossos descendentes e de outros que aqui
vieram, já te falei isso também. Vocês não têm conhecimento dessas coisas
porque perderam tudo o que aqui foi deixado sobre a história da Criação... Adão
recebeu um livro de conhecimentos, que estavam armazenados em uma pedra de
zafira. Um tipo de cristal... Era um computador, na verdade. Adão conversava
com ele, ficava sabendo das coisas. Ninguém nunca acreditou nisso... Hoje em
dia os humanos já armazenam dados informativos em cristais, e conversam com os
seus computadores... Não é a mesma coisa? Então não sei por que ainda não
acreditam nessa história, não entendo qual a diferença. Esse livro no cristal
que Adão tinha falava de rotas astronômicas, de ciências, dos céus...
- Tem mais
de um céu?
- Tem...
Cada sistema planetário tem o seu sol e o seu céu.
Naldo estava
muito admirado.
-Posso falar
disso com o meu pai?
- Não, senão
ele vai querer saber quem lhe disse isso, e não podem saber de mim... Você não
pode falar pra ninguém que eu sou uma ET. Eles me matam... Não vê o que está
acontecendo com o Nº 4 lá do livro? Pode acontecer o mesmo comigo. Vou comprar
dois livros pra mandar pro seu pai, livros que falam disso. Você pode dizer pra
ele que comprou. Tenho um sobre UFOS pra você e pode levar os outros dois pra
ele.
- Ah, eu
quero ler também.
- Então eu
dou pra você, e você empresta pra ele.
- O meu pai
adora essas coisas. Ele e eu.
- Vocês deviam
ter um telescópio. Por que não compram um? Eu tenho um...
- Eu não vi
quando estive lá contigo...
- Bom, você
estava vesgo de fome. Não viu muita coisa.
Ele sorriu.
- Eu estava
mesmo... Mas olha, aquele dia eu estava com medo de você. Hoje não, não tenho
medo nenhum.
- Mas não precisa
mesmo ter medo de mim. Fui criada aqui, sou amiga. Que tal darmos uma parada
pra almoçar agora?
- Olha,
aquele cheeseburger lá daquele dia na sua casa, foi o melhor sanduíche que eu
comi na minha vida. O de ontem não foi igual.
- Sorri pra
ele.
- Então
vamos comer um daqueles?
- Ô, se
vamos!
Entrei no acostamento,
estacionei e entramos na lanchonete do posto, que estava cheio. Não estávamos
ainda nem na metade do caminho. Do meu jeito já estaríamos lá há um tempão.





O cheesburguer que vcs comeram foi de carne?como se vc nos critica por comer carne?bjos lindeza.gostei do seu blogg
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