sábado, 26 de dezembro de 2015

Duas Faces

Eu não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem.

Você com certeza já ouviu falar isso, não? E acredita nelas? Não? Pois olha só essa história, uma história real.

Elas nasceram longe uma da outra, em famílias e lugares diferentes, uma no norte, outra no sudeste, mas alguma coisa muito antiga as unia, um laço de alma, duas faces de uma mesma energia. Luz e sombra, bruxas, é o que eram. A do norte tinha um sonho que se repetia e isso a preocupava. Não conseguia chegar a nenhuma conclusão a respeito desse sonho repetido. Procurou por todos os meios desvendar o sonho, mas alguma coisa impedia isso. O que? Procura daqui, procura dali, e seus meios de informação – tarô, astrologia, runas, cartas ciganas – lhe apontavam o sudeste como o lugar onde estavam suas respostas para desvendar o sonho. Sudeste? Mas o que eu tenho a ver com o sudeste? Nunca fui pará lá, não conheço ninguém lá. O que pode haver comigo no sudeste? Sei lá...


Novamente usou dos seus artifícios (e ela é boa nisso) pra saber o que era isso de sudeste. Nada. Ficou com a pulga atrás da orelha, acionou todos os seus sirimbabos, que são como tulpas, usados para cumprir ordens, só que não são criados, são agregados. Já as tulpas são criadas pela bruxa, são uma espécie de ajudante de ordem, mandou ele faz, pediu ele executa. O sirimbabo é uma pessoa, é um tipo de admirador da bruxa, e se une a ela para ajuda-la e eles podem ser também elemental, exu, criaturas mágicas, enfim... Já as tulpas são entidades criadas pela bruxa, uma forma-pensamento. Então, nem as tulpas, nem os sirimbabos, lhe trouxeram resposta que ela aceitasse. Com seus botões, ou melhor, com seus chapéus – bruxa não tem botão na roupa – ela pensou: “Vou lá! Vou lá no sudeste ver o que é isso.”

E foi pro sudeste, rumo a São Paulo, onde tinha parentes recém chegados. Sim, agora estava lá, mas e aí? Pela janela do apartamento, observava os arredores, aeroporto, praças, prédios, gente pra cá, gente pra lá, nada estranho, tudo normal, nenhum sinal. Pegou novamente seus oráculos adivinhatórios, botou tudo no chão, que a mesa era pequena pra tudo isso. Olha aqui, olha ali, nada! “Ô, diacho! O que é isso, já, rapaz! Não era aqui no sudeste, a história? Então, estou aqui. Cadê?” Levantou, andou pra cá, andou pra lá, olhou de novo... Nada. Recolheu tudo e pegou o jornal – era domingo. Uma notícia sobre uma viagem esotérica lhe chamou a atenção. Ligou, pegou informação e ficou sabendo que a viagem seria guiada por um bruxo, famoso por aquelas bandas. Se inscreveu e foi viajar.

Nada. Não encontrou uma pistazinha sequer do sonho. Voltou chateada e pensou: “quer saber, vou voltar pro norte.” O telefone tocou. Convite para uma palestra lá no espaço do pessoal da viagem. Ela pensou, “é, não custa nada ir, pelo menos não fico aqui tão só, trancada o dia inteiro nesse apartamento.” Foi, chegou atrasada, e olha que bruxa é pontual, mas quando se depende de carona dos outros... Fazer o que? Ela entrou, devagar, pra não atrapalhar a palestra, que já tinha começado. Sentou. A palestrante parou de falar e disse, de costas para os assistentes (estava escrevendo na lousa): “Vocês não imaginam o que acabou de entrar aqui! Ela tem uma aura lilás, linda.” E veio até mim. Pensei, “eu, lilás? Achei que fosse preta.”

Ela parou diante de mim e me contou a minha vida toda, como se eu não soubesse de nada. Fiquei admirada com aquilo, surpresa. Foi de repente, e ela voltou lá pra frente, e continuou a palestra, como se não tivesse acontecido nada. Naquela hora, o sonho voltou à minha cabeça, o sonho era assim:

Eu estava em casa, a minha casa ficava em um buraco, e pra chegar nela, descia por uma escada de madeira bem rude, feita de toras de madeira. Uma jovem vestida em uma túnica cinza chegava e me chamava: "Vamos, vamos, estão te esperando, te apressa! Está tudo se acabando..." Subi a escada e fui com ela, eu estava vestida em uma túnica negra de capuz. Chovia muito, e a água escorria pelo caminho encharcando tudo. Os raios cortavam o céu. As ameaçadoras nuvens negras, que avançavam rolando pelo céu junto com os trovões, estremeciam tudo. Cada raio espocava em um barulho metálico de coisa se partindo. Via as colunas do templo, rachadas, algumas caídas, mas ainda dava para ver que ali era um templo, pelas partes que ainda estavam de pé. As pessoas corriam, gritavam, tentavam se segurar umas nas outras e em qualquer coisa, mas eram arrastadas pelas águas, não se sabia mais o que era mar e o que era chão. A terra tinha sumido. E as águas revoltas, furiosas, e com uma força medonha, invadiam tudo. Corri com a menina pra onde estava um grupo de pessoas segurando umas nas outras, em uma calçada que ainda resistia àquela fúria. Chegando lá, uma pessoa de túnica branca com capuz me estendia mão e me puxava pra cima da calçada, junto com ela. Eu nunca via o rosto dessa pessoa, e esse sonho se repetiu muitas vezes, e nesse dia, ali naquela sala de palestra, eu vi seu rosto... Era o rosto da palestrante.

Após a palestra, ela ficou rodeada com todos querendo falar com ela, era a celebridade do lugar, não dava pra se aproximar, porque chegava um, chegava outro, era abraço, cumprimento... E ela no meio da roda, sorrindo, falando. Depois de algum tempo, ela veio até onde eu estava e simplesmente me disse: “Sim, sou eu.”

“E o que foi aquilo? Atlântida?”, perguntei.  

“Não, Lemúria. Somos irmãs.” E me abraçou.


Lemúria, continente perdido do Pacífico, ali na costa pacífica dos EUA. Onde fica hoje a península da Califórnia, o pedacinho que sobrou do continente da Lemúria. Você acredita em sonhos? Eles são reais, mensagens, com revelações, as quais devemos dar crédito e prestar atenção. Foi por um sonho repetitivo que eu conheci a minha irmã distante e a reencontrei nessa vida, agora, depois de milênios. Acredite nos sonhos premonitórios, e na reencarnação, pois eles existem, e são reais. 


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