Eu não acredito em bruxas, mas
que elas existem, existem.
Você com certeza já ouviu falar
isso, não? E acredita nelas? Não? Pois olha só essa história, uma história
real.
Elas nasceram longe uma da outra,
em famílias e lugares diferentes, uma no norte, outra no sudeste, mas alguma
coisa muito antiga as unia, um laço de alma, duas faces de uma mesma energia.
Luz e sombra, bruxas, é o que eram. A do norte tinha um sonho que se repetia e isso
a preocupava. Não conseguia chegar a nenhuma conclusão a respeito desse sonho
repetido. Procurou por todos os meios desvendar o sonho, mas alguma coisa
impedia isso. O que? Procura daqui, procura dali, e seus meios de informação –
tarô, astrologia, runas, cartas ciganas – lhe apontavam o sudeste como o lugar
onde estavam suas respostas para desvendar o sonho. Sudeste? Mas o que eu tenho a ver com o sudeste? Nunca fui pará lá, não
conheço ninguém lá. O que pode haver comigo no sudeste? Sei lá...
Novamente usou dos seus
artifícios (e ela é boa nisso) pra saber o que era isso de sudeste. Nada. Ficou
com a pulga atrás da orelha, acionou todos os seus sirimbabos, que são como
tulpas, usados para cumprir ordens, só que não são criados, são agregados. Já
as tulpas são criadas pela bruxa, são uma espécie de ajudante de ordem, mandou
ele faz, pediu ele executa. O sirimbabo é uma pessoa, é um tipo de admirador da
bruxa, e se une a ela para ajuda-la e eles podem ser também elemental, exu,
criaturas mágicas, enfim... Já as tulpas são entidades criadas pela bruxa, uma
forma-pensamento. Então, nem as tulpas, nem os
sirimbabos, lhe trouxeram resposta que ela aceitasse. Com seus botões, ou
melhor, com seus chapéus – bruxa não tem botão na roupa – ela pensou: “Vou lá! Vou lá no sudeste ver o que é isso.”
E foi pro sudeste, rumo a São
Paulo, onde tinha parentes recém chegados. Sim, agora estava lá, mas e aí? Pela
janela do apartamento, observava os arredores, aeroporto, praças, prédios,
gente pra cá, gente pra lá, nada estranho, tudo normal, nenhum sinal. Pegou
novamente seus oráculos adivinhatórios, botou tudo no chão, que a mesa era
pequena pra tudo isso. Olha aqui, olha ali, nada! “Ô, diacho! O que é isso, já, rapaz! Não era aqui no sudeste, a
história? Então, estou aqui. Cadê?” Levantou, andou pra cá, andou pra lá,
olhou de novo... Nada. Recolheu tudo e pegou o jornal – era domingo. Uma
notícia sobre uma viagem esotérica lhe chamou a atenção. Ligou, pegou
informação e ficou sabendo que a viagem seria guiada por um bruxo, famoso por
aquelas bandas. Se inscreveu e foi viajar.
Nada. Não encontrou uma pistazinha
sequer do sonho. Voltou chateada e pensou: “quer
saber, vou voltar pro norte.” O telefone tocou. Convite para uma palestra
lá no espaço do pessoal da viagem. Ela pensou, “é, não custa nada ir, pelo menos não fico aqui tão só, trancada o dia
inteiro nesse apartamento.” Foi, chegou atrasada, e olha que bruxa é
pontual, mas quando se depende de carona dos outros... Fazer o que? Ela entrou,
devagar, pra não atrapalhar a palestra, que já tinha começado. Sentou. A
palestrante parou de falar e disse, de costas para os assistentes (estava
escrevendo na lousa): “Vocês não imaginam
o que acabou de entrar aqui! Ela tem uma aura lilás, linda.” E veio até mim.
Pensei, “eu, lilás? Achei que fosse
preta.”
Ela parou diante de mim e me
contou a minha vida toda, como se eu não soubesse de nada. Fiquei admirada com
aquilo, surpresa. Foi de repente, e ela voltou lá pra frente, e continuou a
palestra, como se não tivesse acontecido nada. Naquela hora, o sonho voltou à
minha cabeça, o sonho era assim:
Eu estava em casa, a minha casa
ficava em um buraco, e pra chegar nela, descia por uma escada de madeira bem
rude, feita de toras de madeira. Uma jovem vestida em uma túnica cinza chegava
e me chamava: "Vamos, vamos, estão te esperando, te apressa! Está tudo se
acabando..." Subi a escada e fui com ela, eu estava vestida em uma túnica negra
de capuz. Chovia muito, e a água escorria pelo caminho encharcando tudo. Os
raios cortavam o céu. As ameaçadoras nuvens negras, que avançavam rolando pelo céu
junto com os trovões, estremeciam tudo. Cada raio espocava em um barulho
metálico de coisa se partindo. Via as colunas do templo, rachadas, algumas
caídas, mas ainda dava para ver que ali era um templo, pelas partes que ainda
estavam de pé. As pessoas corriam, gritavam, tentavam se segurar umas nas
outras e em qualquer coisa, mas eram arrastadas pelas águas, não se sabia mais
o que era mar e o que era chão. A terra tinha sumido. E as águas revoltas,
furiosas, e com uma força medonha, invadiam tudo. Corri com a menina pra onde
estava um grupo de pessoas segurando umas nas outras, em uma calçada que ainda
resistia àquela fúria. Chegando lá, uma pessoa de túnica branca com capuz me
estendia mão e me puxava pra cima da calçada, junto com ela. Eu nunca via o
rosto dessa pessoa, e esse sonho se repetiu muitas vezes, e nesse dia, ali
naquela sala de palestra, eu vi seu rosto... Era o rosto da palestrante.
Após a palestra, ela ficou
rodeada com todos querendo falar com ela, era a celebridade do lugar, não dava
pra se aproximar, porque chegava um, chegava outro, era abraço, cumprimento...
E ela no meio da roda, sorrindo, falando. Depois de algum tempo, ela veio até
onde eu estava e simplesmente me disse: “Sim,
sou eu.”
“E o que foi aquilo? Atlântida?”, perguntei.
“Não, Lemúria. Somos irmãs.” E me abraçou.
Lemúria, continente perdido do Pacífico,
ali na costa pacífica dos EUA. Onde fica hoje a península da Califórnia, o pedacinho
que sobrou do continente da Lemúria. Você acredita em sonhos? Eles são reais,
mensagens, com revelações, as quais devemos dar crédito e prestar atenção. Foi
por um sonho repetitivo que eu conheci a minha irmã distante e a reencontrei
nessa vida, agora, depois de milênios. Acredite nos sonhos premonitórios, e na
reencarnação, pois eles existem, e são reais.



Nenhum comentário:
Postar um comentário
Por favor, comente!