sábado, 14 de janeiro de 2012

Como cheguei aqui?...

Cheguei aqui em um dos nossos veículos – uma vimana - aos dez meses de idade (idade da Terra). Já vim bem entendida de lá, adaptada e preparada para a atmosfera terrestre, que é bem parecida com a nossa. Em outras palavras, eu vim pronta pra me virar aqui na Terra. Sou de Capella, a sexta estrela mais brilhante do céu. Fica na Constelação de Auriga. Habitamos um planeta que orbita em torno de Capella.

Fui deixada na rua. Mais uma criança abandonada, o que não é novidade aqui na Terra, pois todo dia aparecem aos montes por aí. Aqui na Terra muitas mães jogam as crianças fora... Sabia?
Outras crianças iguais a mim foram deixadas em lugares diferentes (“etezinhos”). Levaram-me para um orfanato, lugar onde ficam as crianças que não têm pais, neste planeta. Cresci no orfanato e nos primeiros anos eu não falava nada das línguas da Terra, por isso permanecia calada quase o tempo todo. Eu era até apelidada e chamada de muda. Entretanto, eu não falava porque não sabia e fui aprendendo com as outras crianças, aos poucos, as palavras. Então eu cresci assim, observando para aprender, acostumando-me com os sons... Além disso, eu vim, de fato, para observar, aprender, entender e tentar ser uma terráquea. Então... Não precisava falar nada e realmente eu cresci calada.
Tudo o que me davam para comer era novidade para mim. Descobri o pão e acho que é o melhor alimento do mundo. Eu ADORO pão. De onde eu vim, as pessoas se alimentam de energia. Alguns de vocês aqui na Terra sabem fazer isso também, aprenderam. Para nós, é o normal.
Eu provei algumas comidas da Terra lá no orfanato – que é um lugar para cuidar de crianças abandonadas mas, na verdade, muitas dessas instituições não cuidam de coisa nenhuma – pelo menos no que eu fiquei, não cuidavam. Era tudo uma meleca. Eu passava o dia observando as crianças e, depois, meu povo me explicou que fui colocada ali pra saber por que, quando as crianças crescem, tudo muda, elas se transformam em outra pessoa.
As comidas do orfanato eram muito ruins. As “tias” da cozinha faziam uma “gororoba” para nós e, para elas, preparavam umas coisas que comiam com gosto... Eram comidas bem diferentes das nossas. Para elas havia umas coisas vermelhas, brancas, verdes, que elas chamavam de salada. Eu achava tão bonito aquilo... Tinha vontade de comer mas, para nós não vinha salada nenhuma.
Agora... Quando havia visita de gente importante no orfanato, aí comíamos macarrão, frango, batatas... Era um luxo! Quando não recebíamos visita era só feijão duro, arroz papa e um pedaço de linguiça (e olhe lá, só para os premiados a linguiça aparecia).  Criança de orfanato sofre, viu... Só é legal quando tem visitas, portanto alguém devia visitar os orfanatos todo dia porque assim as crianças comeriam melhor.
O dinheiro é pouco para comprar as coisas e quase nunca chega. As doações são divididas entre as pessoas que cuidam da cozinha. Biscoitos, bolachas, chocolates, nada disso vinha pra nós... Ia pra casa delas, pra nós mal vinha o leite que, além de ralo, era só um pouquinho nas canequinhas – isso para poderem levar pra casa delas também – e aguavam o máximo o nosso leite, para durar.
No dia da chegada dos donativos que as pessoas mandavam era como o dia do supermercado delas, os parentes chegavam cedo para levar...
Há pessoas boas, mas há outras que vou te contar... E eu quero dizer pra vocês... Passem um dia no orfanato com as crianças, fiquem para almoçar,  que neste dia as crianças vão comer direitinho. Façam isso e as crianças agradecem...
Não são todos assim, claro, mas aquele em que fui criada era (hoje este orfanato não existe mais). Tem gente ruim demais.. Gente má... fazer isso com criança, ainda mais abandonada. Ah, tem dó!



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Eu fiquei no orfanato até os 14 anos, cresci lá sendo maltratada e só fiquei todo esse tempo porque as crianças maiores faziam todo o serviço. Varríamos, lavávamos, limpávamos os banheiros... O serviço que devia ser feito pelas funcionárias pagas pelo governo, era feito por nós. Claro, nos dias de visita era todo mundo de banho tomado, roupa limpa, cantando... E as funcionárias com vassouras, baldes, limpando pra lá, limpando pra cá. Era um lugar feliz, arrumado, limpo, uma maravilha – o lugar ideal! As crianças bem tratadas, felizes... Que falsidade. Mas quem ia desconfiar?
Como os humanos são mascarados.... Estas máscaras precisam ser derrubadas, precisam cair... Tudo fingimento, tudo mentira...
Lá no orfanato eu só aprendi uma coisa boa: aprendi a gostar de música, ouvindo o radinho de pilha do vigia, à noite. Era tão bom...Mas o meu primeiro contato com a música mesmo foi quando eu saí de lá. Uma das minhas preferidas é esta aqui, escuta só.
Judy In Disguise by John Fred on Grooveshark
Eu a ouvi na casa dos meus amigos jovens... Não parece coisa de disco voador? Aliás, eu mandei esta música pra o meu pessoal, na nave espacial e eles gostaram. Estão aí pelo espaço, curtindo. A música é bem animada... Não parece um contato imediato através do som? Essas paradinhas da música me chamaram muito a atenção. Sou sensível ao som, principalmente à esses “pa-ram pam”e esta música é cheia de pausas assim. Foi isso que me conquistou. Quando eu a ouvi, lá na casa do meus amigos, eu fui pra perto das caixas acústicas para ouvir melhor e o som me agradou muito.
Bem, como eu dizia, não são todos os orfanatos que são legais, não. Orfanatos, aliás, nunca foram locais ideias para as crianças, claro. O lugar perfeito pra uma criança é junto á sua família... Se você não quer ter filhos, não os tenha. Ter filhos para jogá-los fora depois, abandoná-los... Ah! Dá licença! Tem que ser preso quem faz uma coisa assim.
As pessoas nos enganam com suas aparências dóceis e suas gentilezas... A maioria dos orfanatos estão cheios dessas pessoas.
Beijos.
P.S.: Os ETs não são assim falsos, não.

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