domingo, 29 de janeiro de 2012

Uma nova etapa, com novos amigos


Oi,
Meus 15 anos se transformaram em 21 – idade terrena. Agora era outra caminhada, outra vida. Recebi ordens para seguir em frente. Saí na madrugada, a caminho de novas experiências. Dei sumiço na maleta, levei só a bolsa. No meu iPod tocava isto:
Gimme Little Sign by Brenton Wood on Grooveshark

Como sempre, eu ia sem saber para onde. Andava ao léu, ouvindo a música, cantando junto. Afinal, esse é meu destino aqui na Terra, ir para onde mandam. Não tenho lugar fixo, sou andarilha. A madrugada estava fria e eu usava um casaco com capuz e mantinha as mãos nos bolsos. Sozinha pela rua praticamente deserta, eu seguia caminhando e aguardando alguma ordem ou sinal de que eu deveria parar.
Eu nunca sabia o destino, mas acertava direitinho o caminho, mesmo sem saber. Fui instruída a ir para o metrô e lá conheci uma turma. Eram animados, conversadores.
O metrô ainda estava fechado, pois eram aproximadamente quatro horas da manhã quando cheguei. Eu os vi caminhando para algum lugar, carregando seus skates. Era véspera da Natal, ou melhor, já era dia 25 de Dezembro.
Eles me viram ali, observando-os e um deles perguntou se eu estava indo para algum lugar ou se tinha algo pra fazer. Respondi que não ia fazer nada e então eles me chamaram para juntar-me a eles.
Mais tarde, tomando um refrigerante e conversando melhor, descobri que moravam em uma república mista de estudantes. Providenciei nova maleta vazia – busquei dizendo que estava “logo ali adiante” e fui junto com eles. Arrumaram uma vaga para mim na república e eu estava novamente estabelecida. Foi com esta turma que eu ganhei o apelido de “Etnóia, a Noiada”...
Obviamente também não acreditaram que eu sou uma ET - como é difícil ser uma ET aqui na Terra. Não sei por qual razão eles querem tanto que eu diga a verdade... Já está claro que ninguém vai acreditar nisto. Acho que é para verem as reações das pessoas. O meu pessoal vai estabelecer contato e estão estudando e catalogando reações.
Esse pessoal da Terra não acredita em nada.
Eu estou bem longe da casa do João e da Glória, mas quando quero vê-los olho na palma da minha mãe esquerda e os vejo. Antes de ir embora eu clonei um iPod pra mim e deixei o deles lá. Claro que clonei as músicas também.
O pessoal da Terra não acredita em mim porque não mostro a eles nada dessas coisas que eu posso fazer. Então, sem revelar as minhas capacidades, eu pareço uma pessoa comum, normal. Ora, como vão acreditar que sou uma ET? Não dá mesmo.
O Etnóia pegou... Tiraram muito sarro de mim. Sabe como é universitário, ainda mais morador de república. Ah!!! Eles riam das minhas histórias e diziam: “Você é muito doida!
Gostavam das histórias, mas não acreditavam em nada. Não sei por que o ser humano é assim. Os humanos veem discos voadores (é assim que vocês chamam as vimanas), são abduzidos e.... Mesmo assim, ninguém acredita.
Um deles disse o seguinte pra mim, certa vez:
Ah! Esse negócio de disco voador, de ET, é papo furado.... Se vocês são tão inteligentes, adiantados, poderosos, capazes de vir aqui... Por que não se mostram logo? Por que não descem a nave espacial na frente de todo mundo, dizem o que querem e pronto? Mas não... Ficam aí ensebando... Por que? Porque é mentira, isso não existe. Você até que tem cara de ET, nome de ET... Nunca vi ninguém chamado assim, mas quem prova que você é uma ET mesmo? Nem você prova! Ah, me poupa!
A risada foi geral.
Com meus novos amigos, enquanto morei na república, aprendi a andar de skate, de bicicleta, de patins. Gostei muito. Fiquei fã de sanduíches, de tanto comer com eles em lanchonetes, padarias, carrinhos, vans... Enfim, onde havia alguém vendendo sanduíches e batatas, lá estávamos.
A vida na Terra, depois do orfanato, ficou bem melhor. A vida de criança não foi boa pra mim, não. Não foi legal. Ninguém me adotou, iam lá ao orfanato, olhavam pra mim e me achavam feia, esquisita, uma criança... Sei lá, estanha. Então fiquei por lá até a hora de ir embora. Não se adota muito por aqui pela Terra, não. Apenas uma criança ou outra que tem a sorte de ser adotada. Eu não tive essa sorte. A maioria das crianças dos orfanatos cresce sofrendo e acaba na rua.
A minha vida com o João e a Glória foi uma boa mostra de como ser jovem: cinema, pipoca, sair com os amigos ouvir música... Eu gostei daquele tempo e realmente tenho aprendido um bocado nestes lugares por onde passo. Morar em uma casa de terráqueos, vivenciar a rotina da família, seus hábitos, suas comidas. Foi um aprendizado, apesar do pouco tempo. Eu sinto falta deles e fico imaginando como se sentiram quando encontraram a carta de despedida que deixei pra eles.
Não posso mais voltar lá... Não somos sentimentais, porém acho que com todo esse tempo vivendo neste planeta acabei desenvolvendo esses sentimentos... Ando bem humana, já.
Beijos.

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