sábado, 28 de janeiro de 2012

Um ano bom, junto a novos amigos: um quarto, uma família e a escola

Oi! 
Então, na casa dos meus jovens amigos – um casal – eu conheci a música que já mostrei para vocês. Eu os conheci numa noite em que andava à toa pela rua, sem saber para onde ir. Eu estava com 15 anos (da Terra).  Encontrei com eles e foi aquela simpatia, sabe? Eles estavam comendo pipoca e me ofereceram. Eu estava no ponto do ônibus, fazendo não sei o que, pois na verdade eu não sabia para que lado ir. Como os meus informantes, de quem recebo ordens do que fazer, me mandaram ficar naquele local, eu fiquei...
Então os dois chegaram falando, rindo, comendo pipoca e ouvindo música. O fone de ouvido estava no ombro e eles ouviam o seguinte:

Young Hearts Run Free by Candi Staton on Grooveshark

Parece que tudo ficou mais bonito ao som daquela música. Eu olhando pra eles, eles olhando pra mim, eu sorri e eles corresponderam com sorrisos também.
Quer?”, eles perguntaram, mostrando o saco de pipoca. Eu peguei um pouco e experimentei ( nunca havia comido aquilo) e gostei.
Eu estava vestida como eles: jeans azul, tênis, camiseta e jaqueta jeans sem mangas, azul também e, no ombro, uma sacola.
Vai pra onde?”, ela me perguntou.
Não tenho pra onde ir. Cheguei hoje na cidade, não conheço nada por aqui”, eu disse... (Foi só isso que me mandaram dizer).
Ela olhou para o irmão, questionando com o olhar se ele concordava com o que ela falou naquele instante: “Vamos lá pra casa.
Ele respondeu: “É, acho que o pai e a mãe não vão se incomodar...” e ela completou: “Chegamos do interior, lá da casa da vovó, estávamos de férias...
Em resposta, eu disse que também era do interior e que tinha cindo à cidade para morar e estudar.
Ah, legal... Vamos sim lá pra casa, depois podemos te ajudar a arrumar um lugar pra ficar. Não tens mala?”, perguntaram.
Pensei rápido, pega se surpresa “Hi! A Mala!” e providenciei uma: “Está aqui atrás da lixeira...”, eu disse, indo até lá. Os dois me acompanharam e um deles falou: “Nossa, eu nem tinha visto...
Lógico que não viu. Num instante eu fiz surgir uma mala... Eu não sabia para onde estava indo nem como aquela história iria terminar, mas eles eram bonitos, gentis, a música estava alegre, linda. A noite estava se iniciando morna, misteriosa. O mundo todo cantava ao meu redor.
O ônibus veio, peguei a mala – vazia, só mesmo de figuração – subimos e nos sentamos lá atrás, no fundão, os três juntos, curtindo a música. A cidade, linda, passando pela janela do ônibus. Eu curti aquela vista da janela, olhando São Paulo com atenção. Enquanto observava a cidade e escutava a música, senti uma coisa boa acontecendo dentro de mim, no meu coração provocado pelo ritmo – a música mexe muito comigo, eu sou extremamente sonora.
Quando acabou a música ficamos conversando sobre “balada”, eles me perguntando se eu gostava... Anteriormente Instruída para contatos assim, eu me saí bem.
Chegamos na casa deles e conheci os seus pais. Os dois eram tão legais quanto os filhos. Bem, os filhos são reflexos dos pais... Já ouviu dizer isso? Ou “tal pai, tal filho” ou “filho de peixe, peixinho é”. Essas coisas da Terra, esses ditados que vocês conhecem.
Enfim, os pais deles eram maravilhosos e agiram como se já me conhecessem há muito tempo. Jantamos uma comida muito boa feita pela mãe deles.
Vivi experiência de ser criança terráquea e agora iria viver a adolescência. Era hora de ser jovem terráquea e isso era outra aventura, traria novos conhecimentos. Seria bom estar em os meus novos amigos, pois eles tinham praticamente a minha idade: ele tinha 14 anos e ela 16. Eu estava com 15 anos.
Os pais disseram eu podia ficar lá e assim que começou o ano letivo fui estudar na mesma escola em que eles já estavam matriculados. Os documentos necessários apareceram, transferência em tudo. Apresentaram-me como prima e arrumei vaga. Ficamos na mesma classe, no período noturno.
Sentávamos perto uns dos outros, eu no meio dos dois.  
No primeiro dia que a professora chamou “Etnéia”, foi risada geral na classe e alguém disse: “Parece uma ET mesmo!” Algum engraçadinho. Os dois irmãos me olharam, como se estivessem pedindo desculpas por aquilo. Eu sorri e vi que ambos ficaram aliviados, suspiraram e, no final, ficou tudo bem.
Naquela mesma primeira semana, na hora da saída da escola, um carinha lá me perguntou “Como é em Marte?
Olhei pra ele e respondi, calmamente: “Não sou de Marte, sou de Capella, próximo às Plêiades.”
Ele ficou sem graça, me olhando. Eu sorri e fui embora, ele ficou parado olhando pra mim.
Depois desse dia ele não incomodou mais, mas porque não voltou mais pra aula... Ele entendeu que era verdade o que eu dizia. E os outros que gostavam de fazer graça com meu nome e com meu jeito acabaram virando nossos amigos mas não acreditavam em nada do que eu dizia, levavam na brincadeira, riam.
Quando estávamos em casa, costumávamos ouvir música e foi na casa deles que eu ouvi “Judy in disguise”, a música que já postei aqui, lembram?
Eles me deram um IPod com as músicas que ouvíamos, para que eu ouvisse no quarto, na hora de dormir. O quarto era bem pequeno porque não era exatamente um quarto... Arrumaram lá pra mim com uma espécie de cômodo, com uma cama dobrável (cama de campanha), um abajur de pé e a minha maleta (vazia) lá no canto. A minha sacola tiracolo eu pendurava atrás da porta – essa tinha coisas dentro: documentos, certidão... Tudo falso.
De lá do meu quartinho eu podia olhar o céu à noite pela janela e ver as estrelas, sentindo falta da minha casa... Uma coisa que eu nem conhecia. Mas sinto falta, sabiam? Estou longe há muito tempo, bem longe... Anos-luz. Eu vim muito nova para este planeta, na idade da Terra, porém já bastante acostumada com as coisas de lá. Eu senti e sinto, é natural que sinta falta de lá. Você não sentiria? Imagine-se em um planeta estranho, onde você não conhece ninguém, longe dos seus familiares e amigos. Sentiu? É barra...
Fora as crianças lá do orfanato, eu conheci esses dois jovens irmãos que nunca acreditaram em nada do que eu contei a eles. Nem ao outros alunos da escola acreditaram que eu sou uma ET. Fiz alguns truques na escola, entretanto nunca convenci ninguém de nada. Tempo perdido.
Eu fiquei um ano com esta família. No final do ano, no Natal (dia 24), tive que ir embora e, como sempre, sem saber pra onde. Eles mandam, eu vou.
As crianças do orfanato aceitavam normalmente tudo o que eu dizia. Criança acredita em tudo...
Beijos 

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