domingo, 11 de março de 2012

De Volta ao Brasil

Oi! Agora moro no terceiro andar de um chalé também. Nesse, eles colocaram um campanário de dois andares. Em um está o telescópio - lá encima - e no outro, embaixo, a minha biblioteca, toda de vidro nas janelas. Os dois campanários se comunicam com o meu sótão por uma escada em caracol. Subo para a biblioteca e depois para o campanário do telescópio.
Continuo ocupando um cômodo só na casa, o de frente para a mata. Agora tem mata na frente e atrás - mata atlântica. Daqui posso ver as quaresmeiras, ipês, manacás. Próximo da casa tem dois flamboyants, jardim, pomar, um riacho, roda d´água e um lago. Um luxo. A casa lá embaixo está boa, mas fiquei no terceiro andar - gosto de morar no alto. Os rapazes mudaram o meu sótão com tudo - mudou só o local, o resto está igual.
Gimme Shelter by Cal Tjader on Grooveshark
Eles me trouxeram uma coruja machucada - mas já medicada, com a asa enfaixada – e um carcará que foi baleado, operado e está em recuperação também. O tiro pegou de raspão em uma das coxas dele e dilacerou. Coloquei um galho para o gavião e um pedaço de tronco de árvore oco para a coruja. Estão lá pousados. Pela manhã levo os dois para pegar um sol na janela – o pouco sol que tem feito por aqui, anda chovendo muito ainda.
Hoje fiz uma coisa inédita para mim: fui ao shopping na cidade de São Paulo. É longe, bem longe daqui, porque estou no interior do interior do interior de São Paulo. Eu nunca tinha ido a um shopping, sabia? Tinha medo de alguém cismar comigo. Convites do João e da Glória nunca faltaram, assim como do pessoal da república, e eu sempre dava uma desculpa, dava um jeito de não ir.
Queria levar o meu irmãozinho pra ver isso. Minha mãe e meu pai conhecem shopping, mas o Etelzin, não. Ele está tão bonitinho... Eu o vi no dia em que falei com eles. Ele adorou os brinquedos do Lego – aliás, esses são os brinquedos mais inteligentes do mundo, estou montando uma cidade com eles.
Então, voltando ao shopping. Hoje foi só um breve passeio. Tomei um café na livraria, uma água, olhei as lojas, comprei CDs e DVDs - porque agora estou toda equipada com a tecnologia humana, então preciso me abastecer com títulos. Comprei o meu jantar (o cheese, batatas fritas, saladas, uma maçã, o cheese da madrugada) e voltei. Cheguei às 18 horas, anoitecia, dei uma corrida porque começou a chover, é hora de verão. Corri também por cauda de assistir a Hellen Degeneres (porque sete horas de verão já são oito), mas cheguei a tempo.
Aqui na entrada de casa, lá embaixo, achei um gatinho novinho, malhado, miando, morto de fome. Trouxe ele aqui para cima, dei leite a ele, e agora o folgado está ali dormindo. Eu já tenho um galo branco (o Canjica), um carcará, uma coruja e, agora, um gato. Vou chamá-lo de Cosmos. Ainda estou esperando para que o nome da coruja e do gavião apareçam na minha cabeça – como é o certo, na minha opinião. Às vezes demora um pouquinho, mas já, já, esses nomes chegam.
A chuva está fortíssima lá fora, é uma cortina, do céu ao chão. Vejo pela luz da lanterna que eu foco lá fora... Lindo!... Aqui é um breu lá fora, negro como o carvão. Nas noites de céu limpo, as estrelas brilham forte e, pra quem conhece o céu como eu, é fácil localizar as constelações com a minha visão de raios “X”.
Nas noites de luar, a Lua é imensa e fica tão claro por aqui que faz sombra no chão. E por falar em sombra... Os ETs não têm sombra, sabia?.. Só que pra vir pra cá, ficar no meio de vocês e não assustar ninguém, foi preciso colocar sombra em nós.
Voltando ao assunto do gato. Pra ele ter espaço, eu tirei a porta de entrada que dava para o vão da escada, fechei o vão – ganhei mais um terraço coberto - e deixei um pedaço ao ar livre. Nessa parte ao ar livre ele pode sair e andar no telhado – dá bem no telhado – e dá pra pegar o sol da manhã na parte descoberta. O vento entra direto e o frio também entrará, quando esfriar, mas temperatura não faz efeito em mim. Eu até me protejo, porque o corpo se adaptou ao planeta e posso adoecer, só que não sofro com frio, é só pra prevenir. Não sofro também nenhum dano me teleportando para onde quero, a velocidades altíssimas. Faço viagens de um lugar para outro num estalar de dedos. Posso também fazer viagens interplanetárias, interestelares, intergalácticas, sem nenhum problema no disco voador. É como andar de metrô, de trem-bala ou de avião aqui na Terra.
A chuva continua lá fora, muita chuva. O gato, o Cosmos, virou uma rosca lá no chão, de tão enrolado.  
Estou lendo 10 livros de uma vez, cinco folhas de cada um por dia. Posso ler mentalmente sem abri-los mas, para passar o meu tempo, estou lendo como uma pessoa comum: página por página, virando a folha. Tenho que aprender a viver normalmente aqui na Terra, como uma terráquea, mesmo não sendo uma.
Os rapazes do disco voador não estão aí, foram fazer um debrifim – é um interrogatório a que se submetem os pilotos e tripulantes, a fim de obter informações sobre os inimigos.
Beijos!

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