Depois da chuvarada da noite anterior, amanheceu tudo lavado. Fui pra
mata (gosto de andar na mata pela manhã) e achei um ninho no chão, com dois
filhotes dentro. Estavam largados, os dois, achei que iam morrer, mas mesmo
assim juntei e trouxe.
A mãe deles não gostou muito da história, não, veio me atacando até aqui. Sequei os bichinhos, aqueci tanto eles quanto o ninho. A mãe, pousada lá na janela, me olhando – acho que entendeu que estava salvando os dois. Coloquei o ninho no beiral aqui do telhado (na parte coberta) e ele ficou bem abrigado. A mãe piava, pulava, me bicava, brigando comigo e só sossegou depois que eu saí de lá. Ela foi, olhou, olhou, voou. Depois ela voltou, trazendo comida para alimentá-los, então isso quer dizer que ela aceitou o novo lar. Eu trouxe pra cá porque eles estavam quase mortos e se eu deixasse o ninho lá, com certeza morreriam. O certo é não mexer... Se estiver tudo bem, basta recolocar o ninho na árvore outra vez. Se eles estivessem bem eu teria feito isso, mas eles não estavam. Só que, antes de pegar neles, eu esfreguei mato nas mãos (de leve, não é pra esmagar o mato, é só pra ficar o cheiro na sua mão). É porque se você pegar nos filhotes e deixar o seu cheiro neles, a mãe não aceita mais. O cheiro do mato disfarça o seu cheiro – cheiro de mata é cheiro de natureza. Não devemos por as mãos nos filhotes, que a mãe não aceita o cheiro de outro bicho e recusa o filhote – pra eles, somos bicho também.
A mãe deles não gostou muito da história, não, veio me atacando até aqui. Sequei os bichinhos, aqueci tanto eles quanto o ninho. A mãe, pousada lá na janela, me olhando – acho que entendeu que estava salvando os dois. Coloquei o ninho no beiral aqui do telhado (na parte coberta) e ele ficou bem abrigado. A mãe piava, pulava, me bicava, brigando comigo e só sossegou depois que eu saí de lá. Ela foi, olhou, olhou, voou. Depois ela voltou, trazendo comida para alimentá-los, então isso quer dizer que ela aceitou o novo lar. Eu trouxe pra cá porque eles estavam quase mortos e se eu deixasse o ninho lá, com certeza morreriam. O certo é não mexer... Se estiver tudo bem, basta recolocar o ninho na árvore outra vez. Se eles estivessem bem eu teria feito isso, mas eles não estavam. Só que, antes de pegar neles, eu esfreguei mato nas mãos (de leve, não é pra esmagar o mato, é só pra ficar o cheiro na sua mão). É porque se você pegar nos filhotes e deixar o seu cheiro neles, a mãe não aceita mais. O cheiro do mato disfarça o seu cheiro – cheiro de mata é cheiro de natureza. Não devemos por as mãos nos filhotes, que a mãe não aceita o cheiro de outro bicho e recusa o filhote – pra eles, somos bicho também.
O sol saiu fraco, morno, mas veio. Vai ficar quentinho lá no ninho
porque o sol bate no beiral do telhado e o vento também passa ao lado, então
vai ficar bem aquecido, mas não quente demais - por causa do vento, que
refresca. Acho que vão morar aqui até a hora de voar. Ela passou o dia inteiro
aí, só saiu para buscar alimentos e voltou. Aproveitei uma hora que ela saiu e
encostei um galho seco de árvore lá perto. Ela já está pousando lá no galho. O
gato ainda não tinha visto eles, foi a mãe indo buscar farelos e voando para o
ninho que chamou a atenção dele. Agora ele está ali sentado, vendo ela se catar
lá no galho, muito interessado olhando pra ela. Já conversei com ele dizendo que não é pra
mexer com os filhotinhos, mas gato de barriga cheia, satisfeito, não faz mal
pra nenhum bichinho.
Além de novos moradores o meu sótão ganhou um vaso com uma planta –
uma vinca róseo – coloquei na janela
lateral onde bate o sol da manhã. Ela gostou. Já se debruçou e está se
derramando pra baixo. Hoje fui buscar uma cantoneira e mais plantas iguais, uma
vinca róseo bem clarinha, uma branca
e uma vermelha. Plantei a branca no meio das róseas, ficou lindo. A vermelha eu
coloquei junto com outra mais rosada, na janela da frente, bem no cantinho. As
janelas abrem pra dentro e o parapeito fica livre. Prendi bem firme as
cantoneiras, ainda sobrou espaço na janela da frente pra eu me sentar, como
gosto de fazer.
A casa fica na beira do mato, na frente é um campo vago e mais lá pra
frente tem árvores. Não vem ninguém pra cá. Eles colocaram essa casa aqui, no
início da mata, por isso posso ficar tranquila. A casa lá embaixo é vazia, eu
só uso o sótão – o resto da casa dá pra morar, mas eu só preciso disso aqui
mesmo, está ótimo, fico aqui em cima sozinha.
Arrumei os livros... Já tenho uma boa quantidade de livros. Peguei um
sobre anjos e já li um pouco, enquanto estava arrumando mesmo. As pessoas
acreditam muito nos anjos, acham que eles são bons, que protegem – e vai falar
o contrário pra você ver... Ficam contra você. As pessoas precisam rever os
seus conceitos a respeito dos anjos...
Procurem ver filmes, ler livros, e vão
conhecê-los. Eu os conheço, eles existem também, como nós... Um deles quer
destruir a humanidade – a maioria – outro a defende... Procurem ler sobre isso.
Não, eu não posso falar, não posso dizer mais do que eu já disse. Não posso
falar essas coisas, assim como não posso falar dos buracos usados para encurtar
os caminhos para outros mundos... Por que?
Porque quem devia falar, não diz nada, e proíbe qualquer outro de
dizer.
Ah! Vou escutar música!
Beijos.




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