sábado, 12 de janeiro de 2013

Descendentes

Kung Fu Fighting by Carl Douglas on Grooveshark

 - Hoje cedo eu desci para ver os meninos praticando kung fu. Aí o Pedro me chamou para fazer par com ele.


Eles ficaram admirados comigo, nunca imaginaram que eu estava assim, tão afiada. O Naldo chegou aqui e ficou surpreso também. Suei. Depois fomos tomar um banho de rio, apostamos nado livre os seis e eu ganhei.  Na margem do rio, o Naldo torcia por mim e acabou escorregando e caindo na água, demos muitas risadas dele.
Viemos para casa, tomei um banho, me troquei. O Naldo tomou um banho também e vestiu uma roupa minha, isso era tudo o que ele queria. Fiz meu suco preferido, um mix de caju, acerola, abacaxi, manga, uva, goiaba e maracujá. Servi o meu copo e o do Naldo e mandei a jarra lá pra cima, para os rapazes tomarem também. Enquanto eu e o Naldo tomávamos, ele disse:
Constelação Ophiuchus
- Me conta como vocês vieram pra cá pra Terra?
- Os primeiros seres a virem pra cá foram os de Sirius, Orion, Plêiades, Ophiuchus, Cassiopéia, Andrômeda, Plutão. 
Os plutonianos dominaram tudo - os plutonianos são parecidos com o "Darth Vader", se vestiam sempre de preto. Eles começaram as experiências genéticas a fim de obter o homem local.  Os orianos então se uniram aos sirianos na tentativa de impedir os avanços dos plutonianos na criação da criatura. Eles foram os primeiros a tentar criar a raça humana. Eles foram os fundadores da Atlântida. Eles então entraram em conflito e as raças que estavam aqui foram destruídas por uma guerra atômica.



Tempos depois começou tudo de novo: os Anunakis vieram pra cá, quando eles chegaram aqui a Terra estava quase toda coberta de gelo ainda, eles então construíram ogivas termonucleares e colocaram de maneira que captassem o calor e desgelaram parte da área que estava encoberta de gelo. Isso antes do deslocamento do eixo da Terra.
- Nossa!
- Os Anunakis habitaram a Terra. Não deixaram ninguém vir pra cá, só eles, e criaram então o Adam Kadmon, o homem terrestre usando a engenharia genética deles, sendo Enki o responsável pelas manipulações. Anos depois, não satisfeitos com o rumo que as coisas tinham tomado, os Anunakis resolveram exterminar a humanidade. Enki, discordando da decisão tomada por eles, resolveu salvar a semente da sua criação avisando Noé (o mais puro e digno exemplar humano da época) com antecedência e instruindo-o sobre como escapar do extermínio que viria. Noé não construiu a arca como contam, ele foi com a sua família e os animais em uma nave espacial (Archan Noe) - ArchadeNoe - e veio o dilúvio e com ele o deslocamento do eixo da terra. Após o dilúvio, quando as águas baixaram havia um grande objeto piramidal apoiado no monte Sinai e não no monte Ararate como foi dito. Eles pousaram no monte Sinai assim que puderam voltar a Terra.
O monte Sinai foi a base dos Anunakis de volta à Terra, após o dilúvio, e a partir daí, da família de Noé, e da fauna e flora, preservados em laboratório, repovoaram o planeta. Essa foi a segunda vez que a humanidade foi destruída. Nova geração foi criada, e a entrada de outras civilizações foi permitida. Deram abertura para inteligências extraterrestres e exploradores galácticos virem pra cá. Nós chegamos aqui depois do dilúvio e daí dessa união com o Homem da Terra nós geramos nossa descendência de terráqueos. Dessa abertura para colonizadores surgiram as raças de hoje (O Naldo nem piscava ouvindo isso).
Eles contam que Capella só mandou os seus desertores pra cá, isso não é real, não sei por que nos tratam assim. Todos somos colonizadores do planeta, cada um contribuindo para a criação e evolução da humanidade. Dessa maneira, observando as diversas culturas das raças da Terra, podemos ver as diferenças entre elas, cada uma adquiriu um modo de seus criadores. Observando as diferenças raciais entre os povos, seus costumes de vida, sabemos que não descendem de uma mesma raiz, mas de várias.
- Isso é muito legal.

- Se olhares o mapa do céu, então tu vais ver que é um caminho. Capella, Plêiades, Orion, Sirius, Cassiopéia, Andrômeda e Ophiuchus, são todas constelações próximas umas das outras e algumas até com estrelas compartilhadas. Esse é o caminho que eu conheço. Fui pegar o mapa do céu e mostrei para ele, dizendo:
- Da mistura de todo esse pessoal que veio pra cá surgiu a humanidade. Nós tentamos ensinar a vocês desenvolverem os seus potenciais, mas vocês preferiram trocar vidas humanas por tecnologia e fazer máquinas para substituir seus potenciais (é isso que eles fazem, constroem máquinas para fazer para eles o que eles não podem, por não terem poderes mentais, eles tem armas, tecnologia e nada de poderes naturais). Tudo deles é artificial, é manipulação do meio, como fazem os humanos.
- Mas tecnologia é progresso.
- Realmente, é muito mais fácil a máquina fazer tudo por você, mas lembre-se a máquina falha nós não. E agora, mais uma vez, a humanidade não correspondeu ao seu criador. Perdeu-se no caminho e outra vez se aproxima uma catástrofe natural, um desastre ecológico provocado pelo homem. Se a Terra estivesse bem cuidada e sadia, haveria uma maneira de interferir nos acontecimentos atuais, mas o homem está matando a Terra, ela está agonizando e quem criou a humanidade está decepcionado outra vez. Ainda não convocou ninguém para guiar os passos dela e conduzi-la nos dias que virão. Quem sabe o que vai ocorrer já está se precavendo e se organizando para sobreviver.
- E o que fazer?
- Até agora nada foi decidido. Nós vamos sair daqui e ficar em observação em uma distância segura em nossas naves, e no momento certo agiremos, porque algumas pessoas merecem ser salvas, outras tem que ser exterminadas mesmo.
Fomos almoçar. Eu não costumo almoçar, mas como o Naldo estava comigo, coloquei uns nuggets no forninho e lavei umas folhas de salada, cortei tomates, cebolas e ralei cenouras e beterrabas. Forrei o chão coloquei as travessas em cima. Naldo pegou os pratos, talheres, copos, água e sentamos. Chamei os rapazes pra comer, eles desceram e sentaram,
- Tu falastes que vocês não comem carne e fez nuguets.
- Isso é feito de milho, prova! (ele pegou um, mordeu, levantou a sobrancelha).
- Hummm, delícia! (os rapazes riram). Cada um se serviu com seu prato na mão, segurando com uma e comendo com a outra. Naldo largou o garfo e fez igual a nós, comeu com a mão.
- Vocês deram origem a que raça aqui na Terra?
- Aos faraós e logicamente aos atuais egípcios.
- O que aconteceu aos faraós?
- Foram expulsos da Terra, assim como os Maias e largaram suas cidades e voltaram para casa.
- Quem expulsou eles?
- O governo da época – respondeu Andrew.
- Por que? – quis saber Naldo?
- Desobediência. Começaram a não obedecer mais. Criaram um Deus único e eles queriam que rendêssemos homenagem a eles, os criadores, e tivemos que sair fora.
Atanásio acrescentou:
- É, mas voltamos escondidos e nos infiltramos de novo no meio do povo.
- Tu és americana, Etnéia?
- Não, eu sou Capelliana, me criei aqui na Terra.
- Nós somos capelianos. – Disse o Astor.
E o Pedro: - Eu sou pleiadiano criado em Capella.
- Estas vendo a importância da nossa reunião aqui, Naldo?  - Perguntei a ele. - Mundos diferentes reunidos. Por que com os homens não podem ser assim? Por que os terráqueos tem que nos atacar quando veem nossas naves?
- Porque são burros. Vocês são muito legais. Eu espero não estar sonhando isso.
- Não, é real. – Eu respondi ao Naldo. - Meu sonho era poder realizar uma reunião universal assim como essa aqui, agora.
- Conta mais! Os marcianos existem?
- Sim, e há muitos deles aqui na Terra misturados a vocês.
- Há mistura de todos. – Completou Atagildo. - Aqui, a Etnéia é misturada, é uma híbridra terrestre com capelliano, eu sou puro capelliano, o Astor é híbrido terráqueo com marciano e se criou em Capella, o Andrew é Oraniano híbrido de Capella, o Pedro é Pleiadiano puro criado em Capella e o Atanásio também é híbrido Capelliano com Siriano.
- Nossa! E são todos amigos.
- Sim... Só o homem da Terra não aceita os estelares. – Eu disse. - No entanto ele também é um híbrido, é filho das estrelas, das diversas raças planetárias.
Acabando o almoço fui pegar frutas na geladeira, coloquei em uma cesta e levei para nossa mesa.
O Astor comentou:
- Os marcianos falam espanhol e deram origem a maioria das raças latino americanas.
- É, os pleiadianos ficaram ali pela Suíça, Suécia, Finlândia. São os brancos, altos, louros. Os “bonitões” – disse Atagildo.  
 - Os africanos são de Órion. Os Dogons, são sirianos.  – completou Andrew.
Naldo pegou uma das nossas frutas, perguntou:
- O que é isso? Nunca vi isso.
- Come. – eu disse a ele.
Ele mordeu.
- Hummm, macio, docinho. Delícia! O que é?
Foi o Pedro quem explicou:
- Trata-se de Peco. É de lá das Plêiades. O tio da Etnéia manda sempre pra ela.
- Nossa, que delícia. Não vou morrer, não, comendo isso aqui, não é?
Rimos.
Eu brinquei:
- Depois que ele come é que vai perguntar! Típico comportamento terráqueo. Primeiro eles fazem, depois procuram saber o que foi...
Naldo concluiu:
- Nossa, um dia com vocês são dez anos de vida. Quanta experiência eu estou tendo.
- És o primeiro terráqueo do grupo. – Eu disse.
Atagildo tirou um botão do macacão dele e colocou na camisa do Naldo, que já estava enxuta. Disse:
- Isso aqui é pra se comunicar conosco, sempre que precisar. É só apertar e falar. Bem vindo ao grupo, terráqueo.
Batemos palmas.
Eu disse:
- Que honra, hein? O Atagildo é o chefe da nossa expedição aqui na Terra, e receber alguma coisa assim dele é um acontecimento importantíssimo. A Galáxia toda vai ficar sabendo.
Naldo olhou o botão, todo orgulhoso.
- Testa pra ver. – sugeriu Andrew.
Naldo apertou, falou, e a voz dele saiu em todos os nossos botões.
- Nossa, que maneiro! – disse, animado.
Rimos.
Naldo declarou-se dizendo:
- Vocês são um acontecimento pra mim que nunca pensei passar na minha vida.
- E vocês também, são um aprendizado pra nós. – o Atagildo falou.
- Podem me estudar à vontade e perguntar o que quiserem. Se eu souber, respondo. Se eu não souber, vou procurar descobrir e digo.
- O mesmo dizemos nós. – disse Atagildo.
- Tu achas mesmo que vai acabar o mundo, Etnéia? – O Naldo perguntou.
- Enquanto a humanidade não se libertar, evoluir, e se tornar esclarecida, eles vão exterminar e começar tudo de novo quantas vezes for preciso.  – Respondi.
O almoço acabou. Os rapazes subiram.
O Naldo disse que iria pra casa também. Na saída, ele viu o florete no canto, pendurado e perguntou:
- O que é isso?
- Um florete.
- Eu sei que é um florete. É teu?
- É. Eu luto esgrima, também sou espadachim, samurai, pratico várias artes.
- É melhor eu ir embora daqui antes que a guerreira ninja apareça!
Naldo foi pra casa dele e assim acabou o nosso dia. Eram quatro horas da tarde já. Eu estava cansada e fui dormir.

Beijos.

Potenciais Humanos


Hoje eu quase me traí lá na casa do Naldo, enquanto eu cuidava do irmãozinho dele, que vive numa cadeira de rodas.
O garotinho lá não sabe quem sou. E precisei usar luz para refazer a eletricidade do corpo dele e doei da minha. Coloquei a mão direita na frente dele e acendi a luz na sua direção. 
  

Ele ficou muito admirado com aquilo e só aí eu fui perceber o que eu estava fazendo. Sou desligada mesmo, esqueço que eles não podem fazer essas coisas. Aí fiz o garoto dormir e fiz a transfusão de luz para ele. O Naldo também não sabe disso. Na palma das minhas mãos direita e esquerda, tem um foco de luz que pode acender para atacar as pessoas, paralisá-las, curá-las ou matá-las. É a minha arma de defesa, e nunca uso para matar. Com a mão direita, posso também suspender as pessoas no ar e mantê-las suspensas, como fiz com os caras lá na garagem aquela dia ao levantá-los, defendendo o professor. Não costumo machucar as pessoas, só coloca-las fora de ação. Com a mão direita posso também materializar coisas. Congelar o tempo e as pessoas, orbitar, abrir e fechar portas. Com a esquerda, abro e fecho dimensões, acendo e apago luz, nada de anormal, coisas possíveis a qualquer ser humano que saiba usar e conheça os seus potenciais.
Vocês infelizmente não desenvolveram essa parte de vocês, nem o sexto sentido de vocês é desenvolvido, como por exemplo, com a nossa visão de raio-X se pode ler livros sem abri-los. Os cinco sentidos que vocês têm, usam muito mal e são muito limitados. Visão, vocês só têm a comum, e a visão de raio-X é a extensão desta visão comum. Mas vocês precisam de aparelhos de Raios X para substituir a visão de raio-x de vocês, que não desenvolveram. Com o olfato de vocês, vocês só sentem os cheiros e o fedor de coisas materiais, mas há entre vocês quem sinta o cheiro de venenos, cheiro do vento, da chuva, e podem prever as mudanças de tempo, só pelo olfato. A audição de vocês é prejudicada pelos barulhos dos mundos de vocês, e só ouve quem tem os ouvidos além do material, e apurados podem ouvir o som do universo, das estrelas, do pensamento dos outros, e conversas à longa distancia, e falar mentalmente. O paladar, então, nem se fala, vive entupido do gosto da química dos alimentos de vocês, que não serve pra mais nada. O tato, além do que vocês chamam de normal, que é pegar e sentir as coisas, pode ser usado sem que se ponha as mãos em nada. Podemos trazer, usar e manipular qualquer objeto sem colocar as mãos nele. Tudo isso comandado pelo nosso cérebro, o coração da máquina.  O coração é apenas uma máquina de bombear o sangue. Todo o comando está no cérebro. Com ele você pode fazer qualquer coisa, material ou não.
Para uma mente bem treinada, não há obstáculos, por isso precisamos ser conscientes para não fazer asneiras. Se quem criou vocês tivesse lhes dado tudo isso, vocês não seriam escravos, então, embotar a mente de vocês foi a solução. Limitaram vocês, lhes tirando tudo o que tem direito, ou seja, o comando consciente da máquina, o conhecimento de tudo. Vocês não têm consciência e nem conhecimento de nada, vocês têm todos os sentidos, voltados unicamente para a ilusão, vocês não conhecem a realidade. Existem humanos iguais a nós entre vocês, em quem vocês ou não acreditam ou viram fanáticos por causa deles, ou os taxam de loucos. Mas há seres humanos com os potenciais em funcionamento, que vivem escondidos no meio de vocês e essas pessoas podem curar, prever o futuro, e fazer coisas que vocês nem imaginam. Querem exemplos?  Magos. Nem sempre o que eles fazem é ilusão de ótica, eles fazem magia mesmo, e todo mundo se deslumbra com os chamados truques ilusórios. Os adestradores de cães, que usam a mente para se comunicar com os cachorros, e entendem tudo, basta você saber falar com eles no mental. E essas pessoas são capazes de mudar o comportamento do cão, tornando-o dócil. Médicos, que realmente salvam a vida das pessoas, porque conhecem além da matéria física e têm sucesso nos seus tratamentos.  Espíritas, que sabem e conhecem a alma, o espírito, essa parte nossa que a maioria não conhece e não acredita existir. Terapeutas energéticos, que são os eletricistas invisíveis, que consertam seus curtos-circuitos, que são as quedas de energia que originam as doenças. Essas pessoas sabem colocar o seu sistema de energia normal de novo. Enfim, são poucos humanos assim, mas eles existem. Estão sempre alertas e formam a equipe de defesa e conservação da humanidade, e vocês nem sabem da existência deles. Essas pessoas todas trabalham com a energia. Tudo é energia, o Universo é um mar gerador de energia transformadora. E essas pessoas são os técnicos que sabem usar essa energia. Existem muitos outros não citei todos, só alguns. Essas pessoas ajudam a todos, recuperando dos defeitos técnicos, só que são poucos e as pessoas são muitas, o que torna o trabalho monstruoso, mas eles estão ali o tempo todo, em alerta, trabalhando por vocês. Mandam energia para quem está fraco e doente, mandam luz para quem precisa de esclarecimento e consciência, e forças para quem está caindo.

Beijos.

Greys


Hoje eu estava chegando da casa do Naldo e encontrei os rapazes saindo, os quatro.  Atagildo, Atanázio, Ástor e Andrew.
- Oi, vão passear?
- Vamos, não quer ir?
- Não, estou chegando. E o Pedro, não vai?
- Não, ele esta fazendo o relatório dele, vamos jantar fora hoje em um restaurante vegetariano. Não quer ir mesmo?
- Não, obrigado. Divirtam-se. Tchau
Foram. Eu subi pra casa. Tomei um banho, me troquei e fui lá na nave levando os sacos com o jantar. Meus dois jantares. Pedro estava debruçado nos livros.
- Oi, não quis sair com os meninos?
- Não, eles vão namorar depois do jantar e eu não tenho namorada, então aproveitei para adiantar o serviço.
- É, só que agora vamos jantar. Já jantastes?
- Não. Depois eu ia comer qualquer coisa.
- Tem jantar pra dois aqui.
Ele sorriu e levantou.
- Tá, vamos comer, então.
Sentamos então pra jantar.
 - E o carinha lá?
- Eu estive com ele agora, lá na casa dele.
- Não é perigoso, não?
- Não, ele é um garoto legal.
Pedro tirou o cheese de soja, as batatas e a tortinha do pacote -hoje era de banana -  a maçã fruta, o suco de uva de caixinha e a salada do pacote dele.
- É um jantar mesmo!
- Tirei o meu jantar do pacote e começamos a comer, conversado.
- Estou preocupada, eles foram namorar e isso é perigoso.
- Ahhh... Não é nada sério, estão "ficando" como dizem os terráqueos. É coisa daquela hora e pronto.
- Eles sabem que não podem fazer isso, não podem se expor.
- Eu falei, mas... Hummmmmmmmm, isso aqui está muito bom!
- É bom mesmo, não é? Eu só como isso no jantar e não enjoo.
- Eu ainda não tinha comido assim com tudo isso. O que eles compram aqui é só um sanduiche dos grandes, daquele de três andares. Sabe o duplo?
- Assim é melhor, mais saudável, agora só vou comer assim, que é um jantar completo.
Ele comeu uma batatinha e me disse:
- Tu sabias que hoje encontramos um grey por aqui?


- Foi? Que horas?
- De manhã
- Foi mesmo? Não sabia não. Passei o dia fora e estou voltando agora! Mas me conta!
- Então, ele estava ferido. Disse que fugia de um grupo que estava caçando ele. Ele recolhia material em uma estrada perto daqui e o viram. O Atagildo foi leva-lo lá na nave dele. Estão baseados aqui próximo.
- Precisamos ter cuidado, esses caras são dedo duro, eles têm acordo com os "homens", podem aprontar pra nós.
- O Atagildo desativou ele, só lá perto, já, trouxe ele de volta e soltou ele na mata da estrada. Ele correu pra nave. Não é muito longe daqui não, mas nós estamos fora do raio da visão deles. Depois o Atagildo bloqueou tudo pra cá.
- É, ele sabe como eles são, não tem sentimento nenhum. E essa de estar fugindo não colou. Ele pode orbitar, porque não fez?
- Pois é! Eles são os responsáveis pelas abduções, vai ver estava tentando levar alguém e foi surpreendido pelo grupo que resolveu caçá-lo, isso se o que ele disse foi verdade mesmo.
- É, pode ter sido mesmo, eles só atacam pessoas solitárias. Pode ver que a vítima está sempre sozinha. Muita gente junto, eles não atacam.
- É, mas o ser humano se expõe muito também. Costumam andar sozinhos.
- Eu acredito que ele estivesse mesmo tentando abduzir alguém, e foi surpreendido.
- Com certeza.
- Ahhhhhhh , sua mãe ligou parece preocupada com você. Aconteceu alguma coisa?
- Não. Só o fiasco com a minha avó, que a preocupou.
- A sua mãe que deveria ter ido lá, e ela iria te aceitar normalmente.
- É. Mas ela ficou bem pensativa, viu? Muito abalada. Eu não esperava essa reação dela.
- Foi chato mesmo. O Etelzinho também falou, ele quer mais brinquedos terrestres legais.
Sorri.
- Já mandei de tudo pra ele.
Pedro sorriu dizendo:
- As crianças lá da escola dele estão adorando os brinquedos, ele levou tudo prá lá para as outras crianças conhecerem e brincarem também. Agora a bola ele não larga viu Etnéia! É com ela embaixo do braço o tempo todo.


Eu fui lá na escola antes de vir pra cá, porque não se fala em outra coisa lá em Capella a não ser nos brinquedos da Terra que chegaram lá. As crianças de outras escolas estão indo lá na escola dele pra conhecer os brinquedos também. Eu adorei, já comprei um Batman e um Capitão América pra mim iguais aos dele, estão bem ali na minha estante de livros, enfeitando.



Sorri.
- E tu, estas fazendo que estudo hoje?
- Ah, eu queria até falar contigo sobre isso.
- Vamos acabar de jantar com calma e depois falamos.
Jantamos e depois falamos sobre o assunto. Ele está pesquisando a queda de uma nave em 1905 na Rússia, quando um avião militar atacou a nave e também foi atacado e caíram os dois, mas isso é uma coisa muito secreta não se tem informações corretas a respeito. E não foi nada nosso. Eu não sei nada sobre isso.

Vou dormir.

Beijos

Um pouco da minha casa

Às quatro horas da tarde entrei na internet, o Naldo estava lá. Não demorou muito ele estava conectado comigo.
Escreveu.
- E aí ET como você está?
- Bem, já passou.
- Dormiu?
- Dormi, acordei agora. Estava cansada.
- E o cachorro?
- Já está enturmado.
- Liga a webcam e o microfone
- Pra quê?
- Quero ver a tua casa e conversar.
Liguei, e dei uma geral com a câmera pela casa. Ele falou:


- Por que tu não tens móveis? É tudo pelo chão?
- Pelo chão, não. É tudo encostado na parede. Um "bota coisas" em cima e uma mesa de computador no cantinho.
- "Rack" de computador. Só os dois? Não tem móvel nenhum...
- Isso é tudo que preciso, e não é só isso. Tem a estante de livros, a mesa de estudos e as prateleiras que eu fiz.


- Uma casa normal tem sofá, poltrona, cadeiras, mesas. É isso que estou falando.
- Não preciso de nada disso. Gosto de espaço pra me mexer. E os dois aí são suficientes para o que eu preciso. Um com TV, Som e DVD, e o outro com a minha central de computação. Ah! Comprei uma mesinha daquelas de notebook. Olha aí. – Foquei pra ele ver.
- Mostra aí, mostra aí. Não vi direito. Nossa!!!! Show!!! Equipadássa, tem até maçã.


- Não é maçã, é um mouse. Estás com fome?
- E o que é aquilo lá atrás? Uma rede?
- É... É uma rede que eu uso pra me embalar. Ela agora está recolhida. Depois eu armo pra me embalar. Uma coisa legal... Gostei muito da rede, posso me embalar, me sinto solta no espaço. Durmo ali na minha cama e me embalo na rede.


- Cama... Que cama? É o chão forrado. E a rede fica em cima do que tu chamas de cama?
Sorri e aí foquei pra ele ver.
- É uma delícia dormir aí.
- Tudo vazio... Isso não é uma casa. É um lugar vazio com algumas coisas dentro.
Sorri e disse:
- Dá licença de eu ter a minha casa do jeito que eu gosto! Ora!
Ele deu risada.
- Estou brincando... Acho muito legal aí, diferente... Nada na sala, só um abajur de pé. Sentas no chão pra ler?
- Agora tem mais uma coisa na sala! A mesinha do notebook que eu já te mostrei. 
Olha lá.
- É!!! A sala tá cheia, agora.
- Está mesmo! Olha essa outra mesinha que eu fiz. Mostrei o engradado de madeira das caixas de maçã.

- Passei uma cera, coloquei um vidro em cima, e agora posso até escrever nela se quiser. Ficou ótima! E na parte de baixo, coloco o meu cesto de revista.
Ele sorriu.
- É... Ficou legal... Ideias. E tu és cheia delas.
- Gostou, não é?
- Gostei mesmo, mas acho que tu devias comprar uma mesa com cadeiras pra comer em cima.
- Minha mesa é no chão. Forro com uma toalha e a mesa está posta.
- Tu és muito desligada... E a tua roupa? Onde guardas?
Foquei a câmera no canto.
- Ali, sabes o que é isso?

- Sei, é uma arara daquelas de expor roupas nas lojas. É! Legal! Não estou dizendo? Ideias, ninguém tem um guarda-roupa assim.
Sorri.
- A conversa está boa, mas eu quero te perguntar uma coisa sobre os reptilianos. Podes responder? 
Puxei a cadeira e sentei.
- O que foi isso? Tu sentastes, foi?
- Foi. O meu "rack" tem uma cadeira de rodinhas como a tua. A tua é azul e a minha é vermelha.
- Legal! Finalmente uma cadeira.
- O que tu queres saber mesmo dos reptilianos? A internet está cheia de coisas falando sobre eles.
- Eu sei, mas queria saber se é verdade isso.
- É, eles foram os primeiros a chegar aqui, por isso se acham os donos do planeta.


- E vocês?
- Nós somos vocês.
- Eu sei, quero saber se são amigos deles?
- Não, eles expulsaram quase todos nós Daqui. E os que ficaram, vivem escondidos assim como outras raças. Eles querem manter todos escravos, obedecendo a eles, e como nós dividimos com oS homens da terra a nossa sabedoria oculta, os nossos conhecimentos, eles nos combatem. Porque o homem consciente, que sabe das coisas, não se escraviza. Nossa é a ciência do antigo Egito.

 A descendência dos faraós sumiu da Terra por causa disso.


Tivemos que ir embora, e não só nós, outros povos abandonaram suas cidades inteiras e sumiram. Voltaram para o seu lugar de origem.    


- Nossa! É por isso que vives escondida?
- É, me escondo de vocês e deles.
- Deve ser o "Ó" isso.
- Entendeu agora porque eu não posso aparecer? Usar webcam, fotos e outros?.. Por causa disso.
- Deve ser horrível viver assim, hein?
- Já acostumei, nem dói.
- E eles podem se transformar em gente?
- Não. Eles usam o disfarce de gente, não podem se misturar com vocês. São uns dissimulados. E os livros que te dei? Gostou? Tenho outros bons aqui. O pessoal da Terra está escrevendo bem, abrindo o campo. E eu fico preocupada de darem sumiço neles.
- Vocês morrem?
- Não. Somos clones, fazemos transmigração.
- O que é isso?
- A transferência da consciência para outro corpo. Se você tem o seu corpo destruído, passa pra outro.
- Como assim?
- O seu clone já está lá pronto, só esperando ser usado.
- Aí você nasce e cresce de novo, igual?
- Não. O corpo tem a mesma idade do que você deixou, é só ajustar. Simples como vestir uma roupa.
- Vocês não usam a palavra morte?
- Não. Somos imortais.
- E porque nós não somos? Não fomos criados por vocês?
- Não. Nós demos descendência da nossa raça a vocês, que já existiam quando aqui chegamos. Agora não sei por que, vocês são mortais. Um defeito, talvez, coisas do planeta, interferências ou alguma coisa assim.
- Tu não sabes tudo?
- Não fomos nós que criamos vocês, nós nos misturamos, geramos nova raça. Vocês já estavam aqui quando nós chegamos. Agora, o fato de serem descartáveis e terem que ser jogados fora, isso é lá com quem criou vocês. Usam vocês o tempo que precisam e depois descartam. Vocês são escravos deles até hoje. Olha a vida de vocês como é. Pode até nem parecer, mas vocês vivem sob jugo. É um jogo. E o cheque mate um dia chega pra todos vocês em forma de morte.
- Tu não morres?
- Não, e tu já me perguntastes isso.
- Caramba, que conversas doidas essas tuas.
- Eu só respondo o que perguntam, explico o que querem saber.
To vendo, e explicas direitinho.
- Vou desligar a câmera.
- Não, espera aí... Mostra a tua parede ali...
- Qual?
- A de máscaras.
- Ah, tu já vistes isso... Não posso ficar mostrando a minha casa.
- Não, não vi não. Naquele dia estava muito nervoso, com medo, não vi nada, não olhei nada. Depois que passou, eu até dormi de tão cansado. Mostra a parede, vai.
Mostrei a parede.

- Nossa, que legal. É, tens muita coisa mesmo. Tudo encostado nas paredes e, no meio, espaço vazio. É muito legal a tua casa. Tudo é bonito, simples e diferente.
- É, eu não compro nada. Vou garimpando as coisas. As paredes tem de tudo pendurado. Vou encostando tudo. Agora o meio da casa é livre pra andar. Só os cantos são cheios, o miolo, não.
- Muito legal. Tu podias colocar na internet para todo mundo ver como tu moras legal. E és uma pessoa comum igual a qualquer terráqueo.
- Não, podem me pegar.
- Que nada, ninguém vai saber onde é, o teu endereço não existe, fica na mata. Quem vai achar isso, lá?
- É, vou mandar. E agora tchau.
- Ei, espera aí. E os reptilianos?
- Vai na internet que tá cheio lá.
- O que é isso? Estás pronta, é? Vai sair?
- Vou.
- Pra onde, já?
- Dar uma volta por aí, e depois ir comprar o meu jantar, faço isso todo dia.
- E precisa toda essa elegância?
- Deixa de ser chato.
Ele riu.
- Mostra ali antes de desligar, aquilo é uma cesta de frutas, é?


- É, agora tchau.
- Espera aí, espera aí! É um cavaleiro medieval, alí?
- É, e um templário, tchau.


Desliguei, fui andar um pouco. Comprar revistas e jornais lá na conveniência do posto de gasolina.
Depois na lanchonete comprar o meu jantar. Hamburger de soja com salada, batatas, suco e maçã à parte.


Gosto de bater papo por lá. Já tenho até conhecidos no local. Hoje fui só. O Canjica ficou catando o cachorro. Ele largou o gato e agora está pra cima e pra baixo com o cachorro.


   
 Beijos.

Nós e Vocês


Oi, 
O Naldo acordou alta madrugada, umas 2 da manhã mais ou menos.
Eu estava lá, com o cachorrinho dormindo no meu casaco. Fazia frio. Naldo saiu do carro e veio. Sentou do meu lado dizendo:
- Eras, eu dormi! O que você está fazendo aqui no tempo? Está frio... Porque parou?
- Estavas dormindo, aí eu falei com a minha mãe, parei um pouco e o cachorrinho chegou. Fiquei aqui quieta pra ele dormir.
Naldo afastou o meu casaco olhando o cachorrinho. Sorriu.
- Olha só a folga. Vais ficar com ele?
- Vou. Já tenho um gato, o Cosmos, um galo, o Canjica, 3 passarinhos, plantas.... Agora um cachorro. Se um dia eu tiver que ir embora, você fica com eles, os meus bichinhos?
- Porque, está pensando em ir embora?
- Não, mas vai que um dia, eu tenho que ir...
- Eu cuido, sim, pode ficar sossegada.
Ele olhou pro céu e ficou surpreso.
- Olha! O disco voador, estou vendo!
- É, os rapazes gostaram de você, porque és meu amigo. Guarda o segredo. És um ser humano diferente, um cara legal. Mas não és ET, não.
Ele olhando o disco voador.
- Quando vais me levar lá?
- Queres ir agora?



Oh, eu estou sonhando, não estou?
- Não, por quê?
- É de verdade?
- É, pode se beliscar.
Rimos
- Pessoal, o Naldo quer ir aí com vocês no disco.
O Disco focou o raio no chão. Nós nos aproximamos. O Naldo estava nervoso, podia sentir o nervosismo dele. Falei:
- Fica calmo, cara.
- É a emoção. Não avalias o que é isso para um ser humano. É algo fantástico, inacreditável.
O raio subiu, nos elevando. Entramos no disco. Agora tocamos suavemente algo de Richard Strauss. 
O som suave enchia o espaço da nave e a luz estava esmaecida. Os 3 rapazes estavam em pé, de braços cruzados, olhando pra nós, vestidos em seus macacões metálicos. Naldo parou olhando pra eles.- Oi, pessoal.
- Oi, Naldo.
A música tocando e as luzes dos painéis piscando. Um deles fez um convite com a mãe, pro Naldo se aproximar do painel. Ele foi olhar de perto. O rapaz foi junto, e passou a mão sobre as telas, e o Naldo começou a ver o espaço. O outro rapaz deu um botãozinho, pra ele colocar ao lado do nariz. Ele colocou. É pra respiração. Pela janela do disco começaram a passar o céu, os planetas, as estrelas. Naldo, assustado,
- O que é isso?

Eu disse: estamos viajando pelo céu.
- Jura?
- Esta sentido alguma coisa?
- Não.
Mesmo assim o enrolei na proteção do macacão.
Ele olhava pelo vidro, admiradíssimo. Não acredito, cara... O céu! Meu Deus. Como isso é lindo! Etnéia, jura que eu não estou sonhando?
- Não, meu amigo. É real.
- Com pode, não sinto nada. Por quê?
- O botão no seu nariz e a roupa. Depois a nave é muito segura. Se você soubesse a velocidade em que estamos.
- Dá a impressão que estamos vagando suavemente.
- E estamos. É que é a mesma aceleração do universo. Por isso tudo passa assim, lentamente, suavemente, na sensação de flutuar.
- Meu Deus, que coisa fantástica. Eu não acredito. E é lindo aqui dentro da nave. Isso é um grande computador, não é?
Um dos rapazes começou a mostrar a ele os botões lá do painel.
- Posso pegar nessa sua roupa metálica?
- Cuidado com a estática. Pode te dar choque, mesmo estando com a roupa. Ficamos eletrificados. Esqueceu que eu disse que somos elétricos? Então eles estão fornecendo energia para a nave, estão conectados. Um dos rapazes esticou a mão pra ele, fazendo que sim com a cabeça. Naldo tocou nele e saíram pequenas faíscas azuladas do seu dedo, ao tocá-lo de leve. Fez um barulho de alta tensão.
Naldo puxou a mão.
- Nossa!
 Naldo, olha na janela.
Ele olhou, se espantou. Perguntou.
- É a Terra?



- É.
Ele se aproximou da janela.
- Olha a Terra, é azul mesmo. É a Terra! O meu planeta azul. Que linda! É a mais linda do universo, a Terra! A minha Terra.
E começou a chorar, e disse emocionado: “é a Terra, é a Terra!”
A música suave tocando. A música parou e ele caiu, desmaiou chorando. Eu corri pra juntá-lo.
Atagildo:
- É só emoção, tudo bem. Vamos descê-lo e levar lá pro carro.
Descemos. O Atanásio levou ele lá pro carro. Esperei ele acordar.
- Oi, tudo bem?
- Está. Por quê?
- Não lembra de nada, não?
- Lembro, que fomos na sua avó e ela não quis ouvir nada. Paramos pra comer, eu dormi, você arrumou um cachorro.
Ele parou, eu olhando.
- Só?
- Ele me olhou: pra onde estamos indo?
- Vou levá-lo para sua casa, estamos quase chegando.
Cadê o cachorro?
- Dormindo no banco de trás.
- A nave espacial é linda!
- Ah, então você lembra de tudo?
- Lembro, e tenho medo. Não quero nem ouvir falar.
- Por quê ?
- Não sei. É muito pra minha cabeça. Eu não acredito que vi a Terra lá de cima. Aquilo é imagem de computador, não é?
- Não, é real, por que não acredita?
- Não sei.  É irreal. Não sei o que está acontecendo comigo. Me disseram que a adolescência era complicada, mas não que sofríamos de alucinação.
Eu sorri.
- Não é alucinação nenhuma, rapaz! É real. Pode festejar. Esse foi o meu presente de 15 anos. Falta pouco pro seu aniversário, não é? Quando vai ser o baile?
- É, mas só festejamos com baile os 15 anos das meninas. Os rapazes, não.
Deixei ele e fui pra casa com o meu cachorro. Aquietei ele sobre um pano e ele ficou lá, dormindo. Todos foram olhar. Cosmos e Canjica foram olhando, todos admirados. Sentei na janela, olhando lá fora. Estava amanhecendo.
- Estou casada, foi uma noite e tanto, vou dormir um pouco.

Minha Avó

Oi, Toquei a campainha da casa, uma senhora veio abrir, a empregada.
- Boa noite. A D. Elisa, por favor?
Ela se virou pra dentro, dizendo:
- D. Elisa, tem uma moça te procurando aqui.
 E lá de dentro:
- Mande entrar.
 Ela se virou pra nós:
- Entrem.
Entramos. Eu estava nervosa, meu coração batia doido no peito. Ela estava sentada em uma cadeira de balanço.
- Pois não?
Quando ela me olhou, senti o impacto. Ela disfarçou, mas senti que tremia.
- Sou filha da Enéia, sua filha. - Falei
Ia mostrar a foto pra ela, mas a reação dela me fez recuar.
- O que?! A minha filha morreu a mais de vinte anos, e não tinha filha nenhuma. Era solteira e morava aqui comigo.
Ela falava alto e aumentou mais ainda a voz.
- O que você quer? Dinheiro, só porque se parece com ela?
Uma senhora veio lá de dentro...
- O que foi, D. Elisa? - Pergunta também.
- Essa moça chega aqui dizendo que é filha da Enéia que já morreu há... - Começou a chorar, completando - ...tempos.
A senhora me olhou. Ela gritou:
- Ponha ela pra fora daqui!
- Senhora, desculpa, mas estou falando a verdade. Eu...  - Ela gritou, me interrompendo:
- Cale a boca!
O Naldo já estava nervoso ao meu lado, segurou o meu braço da foto na mão e baixou. Ela fritou:
- Saia! Saia daqui, vá embora. Chamem o Elias! Elias, Elias. Meu filho venha aqui!
Um senhor chega rápido, agoniado.
- O que foi, mamãe?
- Ponha eles pra fora daqui!
Ele me olhou e ficou surpreso. E ela, ante a indecisão dele, gritou de novo.
- Anda, ponha ela pra fora daqui! Naldo fez sinal pra ele, pra esperar.
- Senhor, escute. Escute o que ela tem a dizer.
E ele:
- Não estamos interessados no que ela tem a dizer. Olhem o estado da minha mãe. Saiam ou chamo a polícia!
Ele nos pegou pelo braço, eu e o Naldo, e nos empurrou para a porta. Eu...
- Deixe eu lhe mostrar a foto.
- Não quero ver nada, saia! Ele abriu a porta e apontou, dizendo:
- Pra fora, os dois!

  She is Out of My Life by Pablo Cabrera on Grooveshark

Naldo: 
- Senhor, por favor, escute o que ela tem a dizer, é importante. Ele:
- É dinheiro que vocês querem? Vão embora, ou eu chamo a polícia - ameaçou de novo.
Eu:
- Vamos, Naldo. Saímos. Entramos no carro, liguei e saí. Ele lá da porta, olhando eu sair na Mercedes. Parei lá adiante. Naldo perguntou:
- O que foi?
- Vou voltar lá.
 - Pra que? O cara vai mandar te prender.
- Não, vou voltar invisível pra ouvir a conversa deles.
 - Ah, então eu também quero ir.
Num instante estávamos lá na sala de novo. Ele dizia:
- Mas era parecida mesmo, tomei um susto quando a vi.
A senhora:
- E eu!?
Minha avó:
- Queria dinheiro só porque se parece com ela, a minha filha. E chorou.
Ele:
- O que ela disse, afinal?
Minha avó:
- Que era filha da Enéia.
Ele, admirado:
- Filha?
Minha avó:
- Minha filha morreu solteira. Ela queria dinheiro, com certeza.
- Não, acho que não. Ela estava em uma Mercedes modelo clássico, não precisa de dinheiro, não.
Minha avó parou de chorar e olhando pra ele, disse:
- Não vá me dizer que está acreditando na história dela. Ele:
- Mamãe, você sabe que a Enéia não morreu. Ela desapareceu. O corpo não foi encontrado, portanto, ela pode estar viva, casou e a moça pode ser filha dela mesmo. É muito parecida. Minha avó olhando pra ele, ouvindo o que ele dizia.
- A senhora sabe como se deu a coisa, e nós escondemos tudo a seu pedido. Fizemos um enterro simbólico. Quem garante que ela não está viva?
Minha avó:
- Então, você acredita naquela história que um disco voador levou ela? A Aurora estava bêbada. - Eu não estou dizendo que acredito nisso, ela pode ter inventado essa história pra justificar o desaparecimento da Enéia. Mas essa é a única história que temos.
A senhora:
- É. Ela ficou mal. Lembra, D. Elisa? Acabou morrendo. Minha avó começou a chorar.
Ele:
- Querida, vá providenciar um chá pra mamãe, vá.
E, se virando pra minha avó, disse:
- Mamãe, não chore mais, se acalme, já passou;
 Minha avó:
- Lembrei de tudo outra vez. Ele:
- Calma, calma! Minha avó:
- O que é aquilo ali no chão? Ele foi lá, pegou.
- Uma foto da Enéia com a moça que veio aqui. Ela deve ter deixado cair. Naldo me olhou. Eu disse: "foi de propósito. Eu joguei no chão". Minha avó pegou a foto, olhou, olhou, dizendo:
- Será que isso é verdade, Elias?
- Pode ser, viu, mamãe. Devíamos ter ouvido a moça. Agora com todas as ameaças que fizemos, ela não volta mais aqui e não vamos poder saber a verdade. Perdemos a chance de saber o que aconteceu com a Enéia.
A senhora, esposa dele, chegou com o chá. Ele mostrou a foto pra ela, das duas juntas. Ela pegou a foto na mãe e ficou olhando. Falou:
- São demais parecidas. Puxei o Naldo, e estávamos no carro, sentado. Liguei, e saí. Naldo:
- Vai voltar lá agora? - Nunca mais. Os caras do disco voador me seguiam em cima, acompanhando o carro. Quando alguma coisa me deixa assim, como estou, eles sentem, e vêm logo atrás. Colocaram pra tocar:

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Esses caras do disco voador são muito doidos. Que nem vocês.
- É, eles querem me alegrar. Sabem que eu estou triste. Legal.
Convidei: "Vamos comer um daqueles? Estou com fome." Ele tipou na hora: "Eu também, vamos!"

- Te segura. - Eu falei pra ele. Acelerei. O carro disparado embaixo, e o disco voador disparado em cima. Naldo sorriu.
- Uau, é racha, é?



Freei e o disco passou, mudei o caminho. Eles frearam o disco e voltaram pra cima de mim, de novo. Sorri, dizendo. - São uns chicletes, não consigo desgrudá-los do meu pé. Rimos. Eu não ia esquentar com o que tinha acontecido. Naldo:
- Eu queria muito entrar em um disco voador.
- É mesmo?
- Queria ver como é. Me leva lá?
- Levo sim, mas agora vamos comer ali.
Paramos em uma lanchonete, entramos, pedi cinco cheesburger. O Naldo me olhou.
- Nossa, tudo isso é fome?
- Não, é pros rapazes do disco também, eles gostam.
- Como vai entregar isso pra eles?
- Vamos levar para p carro, e eu faço subir, e nós comemos o nosso no carro. Tudo bem?
- Ah, sim, mas onde ficou o disco, que eu não vejo?
- Ele é invisível aos olhos humanos. às vezes eles esquecem de acessar a invisibilidade, e as pessoas veem as naves. O Naldo:
- Ah, então é por isso que somem, sem ninguém saber como?
Fomos para o carro. Comecei a dançar a música de tocava e ele começou a dançar também. As pessoas passavam e olhavam. O rapaz trouxe os lanches, dei os dos rapazes, entramos no carro e comemos o nosso, parados lá no posto. Depois voltamos pra estrada, eu embaixo e o disco encima. Logo estava dormindo. Chamei:
- Hei, pessoal, quero falar com minha mãe. Esperei fazer a conexão e falei:
- Mãe, deu tudo errado.
 Ela
- Eu sei, por isso falei pra você não ir. Mas és teimosa....
- Tá, tchau, era só isso. Obrigado, pessoal.
Eles desligaram. Parei o carro lá na estrada, e enquanto o Naldo dormia, peguei a minha harmônica para tocar, sentei no chão. O disco voador parado mais lá adiante. Um cachorrinho abandonado veio pra junto de mim e parou, me olhando.


 Estava se tremendo todo. Peguei ele e agasalhei no meu casaco, providenciei ração, água, ele comeu e bebeu. Depois se deitou em cima das minhas pernas. Continuei tocando a minha harmônica. Agora, eu estava muito chateada com o que acontecera com o meu encontro com a minha avó. 
Mas isso passa, pensei, 

Beijos.