Pois é, voltei pra Califórnia. Point Reys. E vocês me
perguntam: por que a Califórnia? Na Califórnia existem muitas pessoas que já
tiveram contatos com os extraterrestres, são nossos amigos e vivem tranquilos seguindo
os ensinamentos que receberam.
Caso polêmico de contato no Haiti
Depois aqui é calmo, os vizinhos continuam lá, todos eles
acharam melhor eu ficar aqui, na minha família, o pessoal do disco. Aqui na Califórnia
acham que estou mais segura.
Aqui é uma cidade bem afastada dos grandes centros, onde é
possível vivem em refúgios, aqui ninguém incomoda os ETs. Aliás, eu não consigo
entender porque tanta resistência aos Extraterrestres.
Enoc sendo levado ao céu.
A Bíblia está cheia de histórias, relatos de Vimanas
descendo e subindo, carruagens de fogo e fazem barulho como o som dos trovões,
muitas vezes mais barulhentas que eles.
O homem da Terra
ainda rouba, sequestra, mata seu semelhante, faz guerras. Ainda são muito
primitivos. A tecnologia que aí está não combina com a cabeça deles. Não é
querendo diminuir o homem da Terra dizendo isso. Vocês usam as coisas erradas,
transformam ventos em armas mortais, tudo o que o homem inventa e descobre é
pra maldade.
Porque vocês não acreditam na vinda de naves extraterrestres
para pesquisar vocês?
Porque vocês podem ir procurar vida no espaço e os ETs não?
Vocês não fazem as explorações de vocês? Eles também fazem.
Então, porque se admiram tanto com isso, e escondem essas existências?
Eles ainda não desceram aqui porque podem esperar tudo de
vocês. Mesmo que sejam amistosos com eles.
Quando veem um disco voador, as Forças Armadas de vocês saem
atrás deles para abatê-lo, nunca para conversar, fazer contato, recebê-los.
Não. Saem é pra matar, abater, aprisionar. Se nós quiséssemos destruir vocês,
detonar a Terra, já teríamos feito isso, não é mesmo? Porque mais adiantados
nós somos. Já viemos aqui, colonizamos o planeta e vamos e voltamos quantas
vezes for preciso. Nunca pensamos que a nossa descendência fosse se corromper
tanto assim. Vocês têm uma péssima mania, tudo o que vocês veem, querem logo
matar pra pesquisar. É por isso que os visitantes não se aproximam muito de
vocês. Vocês são hostis com todo mundo, e todos no universo sabem disso. Quando
eles se aproximam aqui da Terra, recebem o alerta vermelho. Vocês são uns
irracionais. Há uma diferença muito grande do Homem extraterrestre vindo do
espaço e o homem da terra nascido aqui, o terráqueo. As raças dos homens da Terra são Inimigas
entre si, por quê? Porque muitas raças que aqui vieram deixar suas gerações,
eram inimigas entre si. Os homens da Terra vivem em guerra, e acham que eles
nem sabem mais porque brigam tanto. Não entendo também, porque os cientistas de
vocês não acreditam e consideram impossível o cruzamento entre ETs e humanos, se
vocês são o resultado desse cruzamento.
Tem muitos humanos que aceitam os ETs, mas tem outros que
além de burros, ainda não hostis. Será que em um Universo desse tamanho vocês
seriam os únicos habitantes? Por quê? Isso é puro egoísmo, não acham? E ficam
nos perseguindo. E se nos perseguem é porque existimos, então por que não
acreditam em nós?
Ora vão se catar, seus sem graça. Abram suas cabeças,
pensem. Olhem o céu. O que sentem quando olham o céu? E as estrelas? O que sentem
ao olhar as estrelas? Prestem atenção, homens da Terra. Observem, e eu tenho
certeza que muitas coisas serão respondidas, principalmente as perguntas do teu
coração. E vocês vão se sentir em casa olhando as estrelas.
Sentei pra ver TV. Avisaram que as buscas iam parar e
recomeçar só no outro dia. Na rua um repórter falou com umas pessoas, e todo
mundo tinha o que contar, tinham visto luzes, discos e até ETs e uma lá disse:
- Eu não acredito nisso, isso é bobagem de criança, eles não
viram nada. Estão imaginando.
Gostei. Depois do programa acabar, saí pra ver o João e a
Glória. Invisível, claro. Só queria saber o que eles achavam, ver o que diziam.
Cheguei lá, estavam conversando. O João disse:
- E nós nunca acreditamos no que ela dizia, hein, Glória.
- Menino, pois é. E era verdade mesmo. Eu achava que ela
estava brincando.
A mãe deles veio perguntando:
- Essa não é aquela amiga de vocês, que andou aquele tempo
por aqui?
João responde:
- É parecida mesmo, mas acho que não é ela, não.
A mãe:
- Olha que é, eu achava ela bem esquisita mesmo. Vê lá o que
vocês vão trazer pra casa agora, viu? Todo cuidado é pouco.
Saí de lá e fui na república onde morei. Os caras que
conheci e que estavam atacando o professor aquele dia, comentavam também.
- Vocês acham que devemos contar o que aconteceu lá no
estacionamento?
- Não, cara, ninguém vai acreditar.
- É, já faz tempo isso. Porque não contamos logo o que
aconteceu? Vão querer saber. E o que vamos responder?
- É, contar agora não dar... Se bem que podíamos dizer que
ficamos com medo. E ficamos mesmo, não vamos mentir.
- Vão querer saber por quê ela fez isso conosco. Vocês vão
contar que estávamos batendo no professor e ela veio defendê-lo?
- É... Não, é melhor não contar. Vamos nos enrolar com isso.
E todos concordaram.
- Mas eu estou torcendo pra pegarem ela e matarem aquela
maluca.
Senti o ódio dele. Não sei por que... Não fiz nada com ele,
só defendi o professor. Era uma covardia aquilo, quatro contra um. Não sei por que
o ser humano é assim.
Os caras do disco me conectaram. Eu disse:
- Oi, fala.
- Viu como estão as coisas?
Que tal dar um tempo longe? Vamos deixar eles encontrarem o que o garoto
disse: a sua casa. Vamos clonar outra, eles invadem, derrubam, veem que não tem
nada e sossegam.
- Tá, eu vou, mas antes quero ver outra coisa.
Fui lá no professor. Ele andava de um lado pro outro na sala
dele, torcendo as mãos. Pensava: “Eles
não podem encontra-la, pegá-la. Vão matá-la e ela é boa, me salvou aquele dia.
Não podem fazer isso.”
Fiquei satisfeita de saber que ele era meu amigo e torcia
por mim. Voltei ao hospital com a minha avó, ela estava dormindo. Ao lado dela,
o filho e a esposa dele conversavam. A
esposa:
- Que história louca essa, Elias. Tu acreditas nisso?
- Não sei, estou confuso. A história de como a Enéia sumiu e
não tivemos mais notícias dela. Ela sumiu da face da Terra. Devíamos ter ouvido
a moça. Nós erramos ao não fazer isso.
E a mulher dele fazendo cara de nojo, disse:
- Mas uma ET? Você queria ter escutado uma ET?
- E se ela realmente for minha sobrinha? Filha da Enéia com
um ET? Não é essa a história? Que foram os ETs que a levaram?
- Isso é um terror, Elias. Não fala uma coisa dessas.
Outras pessoas chegaram. Elias se levantou dizendo:
- Oh, minha irmã, ainda bem que você veio.
- O que aconteceu com a mamãe?
- Ihhhh, é uma história que você não vai acreditar.
Eu pensei comigo: “ah,
não vai mesmo.”
Saí dali e fui pra casa. O disco voador fez contato.
- Oi, fala!
- A sua mãe quer falar com você.
- De novo? Ah, estou cansada. Não quero ouvir mais nada
hoje. Diz que não me encontrou. Não sabe onde eu estou. A culpa é deles que me
mandaram pra cá.
- Tudo bem, mas olha, não esquenta, estamos dando suporte.
- Ok, obrigado.
Sentei lá na janela, olhando a escuridão lá fora e dentro de
casa, pensando: “Será que vou ter que
deixar a Terra? Como as coisas se espalharam de repente. Parece um rastro de
pólvora. Num instante, virou um alvoroço medonho.”
Levantei, entrei e fui pra internet. Todo mundo estava
comentando, fazendo graça, piadas, desenhos. Desliguei dizendo:
- Ah, vão se catar! Vou dormir que é melhor. O helicópteros continuam lá fora, agora com
os holofotes acesos, varrendo tudo.
Ia me deitar, quando alguma coisa deu de encontro com a
minha casa, e ela começou a cair. Transferi tudo dali imediatamente para Point
Reys, e fiquei olhando pra ver o que era. Focos de luz se acenderam de todos os
lados. Um trator desses monstruosos, próprios pra demolição, bateu em mim de
novo e a casa caiu como papel. Focos de luz foram acesos e os soldados armados
começaram a procurar alguma coisa pelo escombros. Passaram o resto da madrugada
toda nisso. Viraram e reviraram os entulhos. Uma pá mecânica veio para retirar
os entulhos. E pela manhã explodiu a notícia. Tinha sido encontrada a casa que
os meninos disseram que tinha no mato e que era a casa da ET.
Tinham derrubado tudo e estavam fazendo buscas no local, mas
até agora nada tinha sido encontrado, além da casa. Talvez ela estivesse morta
entre os entulhos e era isso o qeu estavam procurando.
Fui lá na casa do Naldo, El estava estático diante da T.V.
olhando. Ele sabia que aquela era a minha casa. Ele estivera lá e diante da
confirmação caiu em prantos, dizendo:
- Acharam! Acharam ela, Meu Deus! Será que mataram ela e
deram sumiço? Levaram? Eles costumam fazer isso. Não capturam ETs vivos. Eles matam
logo! E os bichinhos dela? Meu Deus, protege eles. Protege a Etnéia. Parece até
que ela estava adivinhando quando me pediu pra tomar conta dos bichinhos dela.
Ela já sabia! Ela já sabia que isso ia acontecer.
A mãe dele veio falando algo com ele, e ele desligou a
Televisão e correu pro banheiro. A mãe não podia vê-lo chorando, senão...
- Estás tomando banho, Naldo?
- Estou.
- Não estás vendo a TV?
- Não, porque?
- Acharam a casa do mato que o Pil disse que você falou.
- Mãe, eu já falei que foi brincadeira isso.
- Acharam a casa na mata e derrubaram. Mas não acharam sua
amiga.
- Oh, mãe, para com isso... Eu já te falei que ela está
viajando, e ela não é uma E.T.
Saí de lá. Quero ver quando vão parar com essa besteira
toda. Não vão me achar mesmo.
Quando eu voltei continuei o tratamento no menino. E dois
meses depois ele ficou em pé. Se segurava em mim, no Naldo e andávamos com ele.
Ele nos passos de robô ainda. Com mais 15 dias, já se levantava sozinho, mas só
andava se segurando nas coisas. Mais um mês, andou sozinho, pouco cambaleando,
mas andou. Todo dia de manhã ele treinava um pouco, ia empurrando a cadeira de
rodas, se segurando nela.
Ninguém sabia de nada. Nem o pai, nem a mãe, professores,
colegas, ninguém. Só eu e o Naldo sabíamos do tratamento que estávamos fazendo.
Hoje fiquei sabendo que o médico ficou muito admirado com o
Rômulo. Examinou ele todo e disse que ela não está mais como estava antes. É
como se nunca tivesse tido nada. Fez todos os exames, bateu chapas, pediu novos
exames de laboratório e como eu sabia que ia acontecer, quer me conhecer.
O Naldo me ligou e contou as coisas, então eu falei pra ele
que vou ter que ir até o meu mundo, que assim ele não fica me ligando, nem
tentando me localizar pelo computador.
A mãe dele mandou me convidar pra jantar, mandei lhe
agradecer e dizer que não posso, porque já o compromisso da viagem. Fica para
outra vez. Prometi que quando for pra Capella, aviso ele. Resolvi explicar a
ele porque, o Naldo ficou chateado e eu também estou. Gosto muito dos dois
garotos e expliquei direitinho a situação. Acho que ele entendeu o quanto é
perigoso eu ficar por aqui agora.
Não posso ficar fazendo coisas assim como essa, que fiz com
o Rômulo. Isso é muito perigoso e chama muito a atenção.
Fiquei sabendo que um dos colegas de acampamento do Naldo
foi jantar lá na casa dele, e contou a história lá que o Naldo tinha visto uma
E.T. Encontraram ela no mato. Isso na noite que o Doutor foi jantar lá. Viu, se
eu tivesse ido? Naldo negou tudo, mas o garoto disse que a turma sabia dessa
história. Era só perguntar pra todos pra confirmar, e eles perguntaram.
Confirmação geral. Quiseram saber onde tinha sido o acampamento, e advinha,
vieram bater aqui no mato. O pessoal está me procurando. Revirando tudo por aqui.
Já fiquei invisível, lógico. O Naldo está lá no quarto dele, chorando, rezando,
e posso vê-lo dizendo:
- Meu Deus, não deixe acharem ela, por favor.
Estou aqui só apreciando a confusão deles, os carros policiais estão parados lá na frente da mata e eles estão batendo o mato todo atrás de mim,
em uma operação de guerra.
A mãe dos meninos surtou quando soube que eu sou uma
ET. Ela disse:
- Por isso que eu não gostava dela, eu sabia que ela era uma
coisa perigosa. Coração de mãe não se engana. Sente os filhos em perigo.
E o Naldo, negando:
- Mãe, foi uma brincadeira que eu fiz com eles lá no mato,
não tem ET nenhuma. Quando, já, vou ter amiga E.T.? A Eti não é uma E.T. Eu
inventei isso, ela é só uma amiga.
- E onde você conheceu aquela coisa?
- Mãe, que é isso? Ela é uma pessoa. Por que você não gosta
dela?
- E por que ela não aparece agora para desmentir tudo isso?
- Ela viajou.
- Viajou! Viajou!... Ela está é se escondendo!
- Mãe, o que eu disse quando você convidou ela pro jantar?
Eu não disse que ela ia viajar? Não foi isso? Então, ela está viajando.
- E a casa da avó dela, onde você foi, onde fica?
- Ah, não sei... Ela que sabe.
- Não é em São Paulo? Você foi com ela, como não sabe?
- Ah, mãe! Para com isso, que coisa. Oh, pai, olha a mãe
aqui!
O pai:
- Sua mãe tem razão, está tudo muito esquisito, sem
explicação. Essa cura do Rômulo, não é uma cura normal.
O Naldo disse:
- Ah! Você também vai acreditar nisso, é? Já disse que foi
brincadeira. Puxa vida! Que saco!
Naldo subiu pro quarto dele, nervoso. E eu que estava
assistindo tudo, vim embora. Começou a dar no noticiário da TV a caçada.
Pensei: “Se a minha avó estiver vendo
isso, ela vai morrer de susto, porque a moça contou que um disco voador levou a
minha mãe, agora sai a notícia na TV com a minha cara. Um retrato falado que a
mãe do Naldo fez. Minha avó viu a foto que deixei cair no chão, me viu, vai
pirar.”
Fui até a casa dela
olhar o que estava acontecendo por lá. E o pessoal continuou lá batendo a mata
toda atrás de mim.
Os outros garotos todos vieram também, pra mostrar o local
do acampamento. O Naldo, não, ele está lá no quarto dele chorando, rezando e
pedindo para não me pegarem. Não posso nem ir lá com ele. O Rômulo também está
triste, vou esperar passar isso e vou lá com os dois.
Na casa da minha avó, vi a empregada comentando com a outra,
lá na cozinha.
- Eu vi, fui eu que abri a porta pra ela. Ela era esquisita
assim mesmo como mostra na TV. A D. Elisa ficou tão nervosa com ela, fritou
mandando ela embora, não sei porque. Acho que sentiu que ela não era gente,
sabe?
- Será que ela é ET mesmo?
- Não sei, mas estão dizendo.
Minha avó estava em choque, lá na sala desmaiada. A
ambulância veio e levaram ela.
Saí dali pensando: “Ainda vai dar muita confusão. Não posso
ir com essa cara em lugar nenhum agora. Nem ir comprar meu jantar. Vou ter que
pedir pros Rapazes do disco. O que será que eles estão fazendo, que ainda não
falaram comigo a respeito disso?”
Olhei na palma da mão esquerda, e eles estavam vendo o noticiário da TV, acompanhando tudo com atenção.
Fui lá no hospital, com a minha avó. Me aproximei da cama e
fiquei lá olhando pra ela. Invisível, claro, porque o filho Elias, a esposa e
mais uns outros que eu não conhecia, estavam lá, então eu não podia aparecer,
lógico. Olhei pra minha avó e falei em pensamento: “Vó, não sei porque a
senhora não quis saber de mim. Sei que não me conhece mas eu sempre amei você
sem conhecê-la. Queria tanto uma avó, você é tão bonita.”
Minha avó abriu os olhos dizendo:
- Ela está aqui, ela está aqui!
Chamaram os médicos, porque ela queria sair da cama e estava
todo ligada, lá.
O médico veio, aplicou um calmante e ela ainda disse algumas
vezes que eu estava lá, e resolvi sair pra ela poder sossegar. Ela estava muito
agitada. Dormiu.
Eu estava muito triste, bem chateada com tudo aquilo, na
certeza que nunca iria ter uma avó. Ela não me queria mesmo.
Mas cheguei em casa, os rapazes do disco vieram falar
comigo.
- Viu só a confusão? Até a sua mãe já está sabendo lá em
Capella. Ela vê TV aqui da Terra.
- Falem pra ela não se preocupar, que eu estou bem e sem
pistas.
- Já falamos com o seu pai e dissemos a ela que estamos com
você, lhe protegendo. Agora é esperar passar, porque vai ter muita gente no
país todo e no mundo sabendo a cara que você tem. Você já está na internet.
- Se for preciso eu mudo de cara, mas gosto dessa.
- Essa cara é boa, e agora famosa. O Mundo vai ficar pequeno
pra você.
- Queria pedir pra comprarem meu jantar. Vocês sabem o que
eu gosto, não sabem?
- Sabemos, comemos isso também, e o seu já está lá no forno.
Melhor não sair enquanto houver todo esse movimento aí fora. A tarde está muito agitada. Compramos logo mais cedo e já está guardado pra mais tarde.
- Obrigado.
- De nada. Bom apetite.
Eles subiram pra nave e começou a tocar uma música que eles
gravaram pra ouvir.
Os caras do disco são legais, não me deixam só um instante,
estão sempre aí em cima me observando, pesquisando, estudando, me dando apoio.
Agora até música eles estão gravando para me alegrar. Já aprenderam meu gosto
musical direitinho.
Lá fora o pessoal continua me procurando. Os helicópteros
passam aqui por cima, observando e procurando algum sinal de confirmação da história.
E eu aqui invisível
jantando calmamente e curtindo o som do disco voador. Os rapazes são animados.
Uma hora dessas eles devem estar dançando lá. Eles se divertem. Ou então estão jogando
xadrez. Resolvi comer logo meu jantar, pois essa confusão toda me deu fome. Acabei o jantar e subi lá no disco. Eles jogavam
xadrez mesmo. As pedras, de cristal, se mexem sozinhas através da nossa energia mental, não colocamos as mãos nelas.
Disse que queria falar com eles lá em casa. Um dos rapazes
que não estava jogando veio fazer a conexão pra mim.
- Mãe! Tudo bem aí?
- Estamos preocupados com você. Onde você está?
- Aqui na nave.
- Vocês não saíram daí?
- Estamos invisíveis.
- Etnéia, deixa de ser teimosa. Saia daí. Vou chamar o seu
pai pra falar com você. Ele está querendo ir buscá-la pra cá.
- Calma, mãe, eu não vou sair daqui.
- Que música é essa?
- Estamos ouvindo.
- Com toda essa confusão, estão ouvindo música, Etnéia?
- Está tudo bem...
- Parem de tocar! Isso não é hora de curtir som, Etnéia.
Francamente.
- A culpada dessa confusão é você, se tivesse me mandado pra
casa da minha avó quando eu nasci, hoje eu seria uma terráquea normal. Mas me
mandou pra um orfanato.
- Não fui eu, foi seu pai. Ele achou que lá no meio das
outras crianças você estava mais segura. Se lembre que você é diferente, não
podia chamar a atenção, e lá na casa da sua avó, chamaria. Tinha que se criar como se criou, e
viver assim, só. Não tinha nada que se meter com os terráqueos. Eles são
traiçoeiros, inimigos, e se lhe pegarem você sabe o que vai acontecer.
Fui na casa do Naldo, cuidar do irmão dele, eles estavam
comendo laranjas.
O Naldo foi logo falando:
- Ei! Pontual! Pega a laranja, aí!!
Peguei, dizendo:
- Mas só vou comer depois que fizer o tratamento dele.
Quando acabei, lavei as mãos e sentamos eu e o Naldo conversando e eu comecei a
comer minha laranja. O Romulo ficou pegando sol .
- Por que você mora aqui, nessa cidade do interior de São Paulo?
- Isso aqui é endereço provisório, eu moro na Califórnia, um
tempo no deserto de Mojave, as vezes em comunidades de extraterrestres em São Francisco
(Califórnia). Aqui no interior de São Paulo são vários endereços. Agora, a
minha casa mesmo é em Point Reyes, litoral de são Francisco, perto do National
Seashore.
Lá é a minha casa onde fico bastante tempo, um ano ou dois e
depois saio pelo mundo de novo. Eu fui morar prá lá pela primeira vez depois do
que fiz com os caras para salvar o professor, já te contei, lembras?
Olhamos para o irmão dele e ele dormia lá no sol, ele não
sabe que sou uma ET.
- Então, morei dois anos lá, depois fui estudar nos Estados
Unidos em Nova York.
- E no deserto? Onde se mora no deserto? Eu não imagino...
-Eu morava lá perto da base onde desciam os ônibus
espaciais, no leito seco do Rozers Dry Lake, ou lá próximo da base onde são
feitos os testes com bombas na região nordeste do deserto.
- Pra que, Etnéia, morar onde explodem bombas?
- Eles também faziam experiências com artilharia pesada. Eu
fazia isso pra conhecer as armas da Terra, ver os brinquedinhos funcionando.
- Brinquedinhos?
- Pra nós é, se eu mandar um raio da minha mão em cima,
destruo tudo e sem ferir ninguém. Só elimino e nem sujo o chão, desintegro.
O Naldo me olhando, disse:
- Raio da palma da tua mão?
- É, tem uma luz na palma da minha mão, que quando preciso,
uso, e conforme a intensidade que eu dou a ele, posso fazer diversas coisas.
- Como assim?
- Mais forte, mais fraco, em foco fixo, luz pulsante, névoa,
bola de fogo, faíscas, em ondas espaçadas, em fio constante, ascendendo e
apagando como uma lanterna para me comunicar, ver o que está acontecendo. São
várias maneiras de usar.
- Nossa! Qual é a mão?
- Nas duas
- E tu usas?
- Uso
- Mostra aí?
- Não. Isso não é brincadeira. Posso curar e até matar com
ela, mas só uso para boas coisas, nunca usei para destruir nada nem ninguém,
não ataco meus irmãos terrestres.
- Nem eles te atacando?
- Não, saio fora.
- E se eles te pegarem? Te matarem?
- Troco de clone, mas é difícil o pessoal da Terra me matar,
podem até me atingir e me prejudicar e estragar o meu corpo, mas a mim, não.
- Não entendi.
- Não é para entender mesmo.
- Se te matarem, tu não morres? Explica isso.
-Nenhum de nós morre, abandonamos o corpo.
- Quem dera eu pudesse fazer isso...
- E faz... Quando morre, desencarna e reencarna.
- Como assim?
- Inconscientemente, é que vocês não tem consciência disso,
não sabem dessas coisas... O bebê no útero sabe de tudo, mas quando entra em
contato com a atmosfera do planeta começa a esquecer das coisas e ele vai crescendo
e adormecendo a sua consciência, que nasce desperta. Como não tem estímulos
para mantê-la viva, isso fica acumulado no subconsciente. É aí que ficam todas as informações
arquivadas e é preciso aprender a acessá-las. Quem faz isso pode fazer qualquer
coisa. Essa é a parte oculta de todo o ser humano, e se você consegue se
concentrar e acionar o que quer fazer, isso acontece mesmo sem você ver como.
Naldo me pediu:
- Me dá outra fruta daquelas que eu comi na tua casa? Como é
o nome?
- Peco.
- Aquilo é parecido com uma toronja, com um jeito de maracujá
e um gosto que eu nunca senti... Macio, doce, cheio de suco. Uma delícia! Dá em
árvore? Trepadeira? Como é?
- Arbusto.
- É muito bom! Por que não tem aqui na terra?
- Foi extinto por causa da poluição e desmatamento. Antes
tinha em todo jardim e quintal medieval. Ainda tem uns pés por aí, pela mata
densa que o pessoal planta para se abastecer, basta comer meio por dia que é
uma refeição completa. Você come e bebe ao mesmo tempo. É o nosso alimento nas
longas viagens de exploração pelo Universo.
- Engraçado o nome!
- É, eles chamam "pico" também, eu gosto muito, e
gosto do caqui também, por achar os dois bem parecidos.
- É mesmo! Acho que esse é o caqui das estrelas, só muda a
cor. O caqui é vermelho, meio alaranjado e esse de vocês é amarelo por fora e
alaranjado por dentro. E nós temos caqui amarelo também, é o caqui chocolate.
- Conheço e gosto também, mas prefiro o vermelho que é molinho
pois o amarelo é muito duro.
Fui pra casa pegar as frutas e voltei. Sentamos, comendo. O
Rômulo já estava acordado, provou e aprovou também:
- Hummmmmmm, o que é isso? Bom!
- O Naldo disse:
- Caqui das estrelas.
Rimos. Pensei: esses dois meninos são ótimos, mas a mãe...
Credo! Uma chata de galocha. O Rômulo quis entrar pra dormir. Naldo foi agasalhar
ele, e depois voltou.
- Ele anda dormindo muito viu, Etnéia.
-Isso é bom, em repouso o corpo dele se recupera, os ossos
se ajeitam e ele ganha forças. Não precisa se preocupar.
- Eu queria te mostrar um desenho que eu fiz de uma nave
espacial. A nave que vou construir.
Olhei e disse:
- Tu tens que aprender a montar um computador primeiro com
algumas alterações, pois é o computador o cérebro da máquina. Depois, tu tens
que aprender a manipular o computador por controle mental. Aí, então sim,
montar a máquina, fazer a estrutura, acoplar um ao outro e então finalizar. Não
te esquece que tu vais te tornar parte da máquina. Vais interagir com ela, te
tornando fonte geradora de energia. Lembras disso? Tu vais ser ligado à
máquina, então te tornas parte dela: computador,
máquina, estrutura, acoplamento deles e, por último, tu no controle de tudo -
corpo e mente, te e a máquina serão um só.
- Fantástico e difícil, lógico.
- É só seguir as instruções de como construir. Não é
difícil, não. É complexo e muito fácil. Não é um bicho de sete cabeças.
- E se eu falhar?
- Se tu falhares, a máquina entra no sistema automático,
corrigindo o teu erro. Mas isso é quase impossível de acontecer, porque tu vais
ser treinado e enquanto não estiveres em condições, não assumes o comando.
- E os discos voadores que já caíram aqui na Terra? O que foi
que aconteceu com eles?
- É mentira. Eles atiram pedaços de material para entreter
os perseguidores. As nossas naves nunca caíram aqui. Já despistamos caças nos perseguindo,
mísseis e outros. São artifícios que usamos para escapar.
- É uma coisa sem compreensão essas aparições de discos,
contatos, abduções, não se tem certeza de nada. Porque isso é tão complexo?
- Pra vocês, para nós é muito claro. Nós estamos aqui, então
não sei porque vocês ficam nos procurando no céu. Já ouviu falar do “Elo Perdido”,
que vocês tanto procuram? O elo perdido somos nós e estamos bem aqui.
- É difícil entender essas coisas.
- Voltando à máquina: tens que saber como abastecê-la, com o
que abastecê-la e desconsiderar essas teorias terrestres e leis das físicas de
vocês. Vais aprender o certo, o real das coisas. Nós não usamos suposições.
- Será que eu dou conta?
- Começa logo a treinar o teu cérebro, antes de qualquer
coisa tens que aprender a dominá-lo, conduzi-lo, dar ordens a ele, acordar os
teus sentidos, colocar a máquina do teu corpo em funcionamento total e consciente.
E enquanto treinas isso, vais estudando, nos intervalos, o manual de voo e só
depois vais aprender a construir a máquina. Se não fores construir a de máquina, então sim, vais aprender a
pilotar. Mas precisa saber o passo-a-passo de como é a máquina para conhecê-la
e se inteirar com ela. Essa é a parte mais importante, a interação. Um faz
parte do outro e se transformam em um só.
- Muita responsabilidade.
- Mas perfeitamente possível.
- Pra ti tudo é fácil Etnéia, mas eu quase fiquei maluco
olhando aquele painel da nave de vocês.
Sorri.
- Aprendendo, acaba o mistério.
- Tu fostes bem treinada pra tudo.
- Fui, porém só depois que os rapazes chegaram aqui, aprendi
tudo com eles, inclusive essas lutas marciais. É só se dedicar. É questão de concentração,
disciplina e adquirir agilidade. Essa é a preparação física e mental. Acho que
já tem um ano quer treino com eles. O Astor é o melhor espadachim Marciano aqui
na Terra. O Andrew é exímio esgrimista Oraniano. O Atagildo é samurai capelliano.
O Atanázio, que é meu professor de artes marciais, é um ninja.
E o Pedro pratica kung fu.
- Só fera! (sorri)
- Bem, já vou.
- Não, não vai ainda! Conversa mais!
- Seu pais estão para chegar. Não quero rolo comigo. Depois
ainda vou tomar banho, ir comprar o meu jantar, e dar uma volta por aí.
- Ahhh! Que inveja. Quem dera eu fosse livre assim.
Sorri.
-Sua vez vai chegar. Agora, pra isso precisa morar sozinho,
se sustentar, ter a sua casa, seu trabalho. Só assim somos livres, donos da
nossa vida. Antes eu até queria voltar pra casa, quis morar em Capella com meus
pais. Agora não quero mais não, nada como ter a nossa casa e ser dono do nosso
nariz. Então estuda, trabalha e faz a tua vida. Te digo isso por experiência própria,
viu?
- É, tu tens uma vida ótima.
-Fiz por onde, mas penei, viu? Os rapazes que me deram esse
emprego com eles. Pelo meu pai, eu não faria nada na vida, só seria objeto de
estudos.
- É, "patricinha". Tem nave espacial, presente do
papai, um carrão que é uma máquina, uma casa maneira. Estás com tudo.
Rimos os dois.
- Tchau. Amanhã, quinta-feira, cedo, vou pra minha cass em
Point Reys, mas volto pra terminar o tratamento do Rômulo. Até a volta.
- Tchau Etnéia. Boa viagem.
Saí bem cedo, fui levando meu note book e lá abri a casa,
saí na minha bicicleta pra comprar jornal, cumprimentei os vizinhos e fiz compras
de supermercado. Na volta, já em casa, aparei a grama, podei os arbustos,
adubei os canteiros e as árvores frutíferas. Ao anoitecer molhei todas as
plantas, tomei banho e fui comprar meu jantar lá na conveniência. O pessoal que
me conhece me cumprimentou alegre.
- Oi Etnéia, voltou?
- Ainda não, só vim dar uma olhada na casa e ajeitar algumas
coisas por aqui. Trouxe jantar, comi e depois fui olhar a noite. No outro dia
pintei a casa, troquei as telas das janelas colocando novas. Quando vier pra cá
vou fazer igual como é o meu sótão lá no interior de São Paulo, colocar as mesmas
coisas que tenho lá, aqui. Porque quando fui daqui, levei tudo pra lá e aqui
ficou vazio. Então vou montar outra casa igual aqui pra não ter que ficar
levando e trazendo as coisas.
O domingo foi ótimo, passei numa rede embaixo das árvores. É
verão aqui agora e foi muito bom. Um dia de preguiça, bem coisa de terráqueos.
Peguei as manias de vocês.
- Hoje cedo eu desci para ver os meninos
praticando kung fu. Aí o Pedro me chamou para fazer par com ele.
Eles ficaram admirados comigo, nunca
imaginaram que eu estava assim, tão afiada. O Naldo chegou aqui e ficou
surpreso também. Suei. Depois fomos tomar um banho de rio, apostamos nado livre
os seis e eu ganhei. Na margem do rio, o
Naldo torcia por mim e acabou escorregando e caindo na água, demos muitas
risadas dele.
Viemos para casa, tomei um banho, me
troquei. O Naldo tomou um banho também e vestiu uma roupa minha, isso era tudo
o que ele queria. Fiz meu suco preferido, um mix de caju, acerola, abacaxi,
manga, uva, goiaba e maracujá. Servi o meu copo e o do Naldo e mandei a jarra lá
pra cima, para os rapazes tomarem também. Enquanto eu e o Naldo tomávamos, ele
disse:
Constelação Ophiuchus
- Me conta como vocês vieram pra cá
pra Terra?
- Os primeiros seres a virem pra cá
foram os de Sirius, Orion, Plêiades, Ophiuchus, Cassiopéia, Andrômeda, Plutão. Os plutonianos dominaram tudo - os plutonianos são parecidos com o "Darth Vader", se vestiam sempre de
preto. Eles começaram as experiências genéticas a fim de obter o homem
local. Os orianos então se uniram aos
sirianos na tentativa de impedir os avanços dos plutonianos na criação da
criatura. Eles foram os primeiros a tentar criar a raça humana. Eles foram os
fundadores da Atlântida. Eles então entraram em conflito e as raças que estavam
aqui foram destruídas por uma guerra atômica.
Tempos depois começou tudo de novo:
os Anunakis vieram pra cá, quando eles chegaram aqui a Terra estava quase toda
coberta de gelo ainda, eles então construíram ogivas termonucleares e colocaram
de maneira que captassem o calor e desgelaram parte da área que estava
encoberta de gelo. Isso antes do deslocamento do eixo da Terra.
- Nossa!
- Os Anunakis habitaram a Terra. Não
deixaram ninguém vir pra cá, só eles, e criaram então o Adam Kadmon, o homem
terrestre usando a engenharia genética deles, sendo Enki o responsável pelas
manipulações. Anos depois, não satisfeitos com o rumo que as coisas tinham
tomado, os Anunakis resolveram exterminar a humanidade. Enki, discordando da
decisão tomada por eles, resolveu salvar a semente da sua criação avisando Noé
(o mais puro e digno exemplar humano da época) com antecedência e instruindo-o
sobre como escapar do extermínio que viria. Noé não construiu a arca como
contam, ele foi com a sua família e os animais em uma nave espacial (Archan
Noe) - ArchadeNoe - e veio o dilúvio e com ele o deslocamento do eixo da terra.
Após o dilúvio, quando as águas baixaram havia um grande objeto piramidal
apoiado no monte Sinai e não no monte Ararate como foi dito. Eles pousaram no
monte Sinai assim que puderam voltar a Terra.
O monte Sinai foi a base dos Anunakis
de volta à Terra, após o dilúvio, e a partir daí, da família de Noé, e da fauna
e flora, preservados em laboratório, repovoaram o planeta. Essa foi a segunda
vez que a humanidade foi destruída. Nova geração foi criada, e a entrada de
outras civilizações foi permitida. Deram abertura para inteligências
extraterrestres e exploradores galácticos virem pra cá. Nós chegamos aqui
depois do dilúvio e daí dessa união com o Homem da Terra nós geramos nossa descendência
de terráqueos. Dessa abertura para colonizadores surgiram as raças de hoje (O
Naldo nem piscava ouvindo isso).
Eles contam que Capella só mandou os
seus desertores pra cá, isso não é real, não sei por que nos tratam assim.
Todos somos colonizadores do planeta, cada um contribuindo para a criação e evolução
da humanidade. Dessa maneira, observando as diversas culturas das raças da
Terra, podemos ver as diferenças entre elas, cada uma adquiriu um modo de seus
criadores. Observando as diferenças raciais entre os povos, seus costumes de
vida, sabemos que não descendem de uma mesma raiz, mas de várias.
- Isso é muito legal.
- Se olhares o mapa do céu, então tu
vais ver que é um caminho. Capella, Plêiades, Orion, Sirius, Cassiopéia, Andrômeda e Ophiuchus, são todas constelações próximas umas das outras e
algumas até com estrelas compartilhadas. Esse é o caminho que eu conheço. Fui
pegar o mapa do céu e mostrei para ele, dizendo:
- Da mistura de todo esse pessoal que
veio pra cá surgiu a humanidade. Nós tentamos ensinar a vocês desenvolverem os
seus potenciais, mas vocês preferiram trocar vidas humanas por tecnologia e
fazer máquinas para substituir seus potenciais (é isso que eles fazem,
constroem máquinas para fazer para eles o que eles não podem, por não terem
poderes mentais, eles tem armas, tecnologia e nada de poderes naturais). Tudo
deles é artificial, é manipulação do meio, como fazem os humanos.
- Mas tecnologia é progresso.
- Realmente, é muito mais fácil a
máquina fazer tudo por você, mas lembre-se a máquina falha nós não. E agora,
mais uma vez, a humanidade não correspondeu ao seu criador. Perdeu-se no
caminho e outra vez se aproxima uma catástrofe natural, um desastre ecológico
provocado pelo homem. Se a Terra estivesse bem cuidada e sadia, haveria uma maneira
de interferir nos acontecimentos atuais, mas o homem está matando a Terra, ela
está agonizando e quem criou a humanidade está decepcionado outra vez. Ainda
não convocou ninguém para guiar os passos dela e conduzi-la nos dias que virão.
Quem sabe o que vai ocorrer já está se precavendo e se organizando para
sobreviver.
- E o que fazer?
- Até agora nada foi decidido. Nós
vamos sair daqui e ficar em observação em uma distância segura em nossas naves,
e no momento certo agiremos, porque algumas pessoas merecem ser salvas, outras
tem que ser exterminadas mesmo.
Fomos almoçar. Eu não costumo
almoçar, mas como o Naldo estava comigo, coloquei uns nuggets no forninho e
lavei umas folhas de salada, cortei tomates, cebolas e ralei cenouras e beterrabas.
Forrei o chão coloquei as travessas em cima. Naldo pegou os pratos, talheres,
copos, água e sentamos. Chamei os rapazes pra comer, eles desceram e sentaram,
- Tu falastes que vocês não comem
carne e fez nuguets.
- Isso é feito de milho, prova! (ele
pegou um, mordeu, levantou a sobrancelha).
- Hummm, delícia! (os rapazes riram).
Cada um se serviu com seu prato na mão, segurando com uma e comendo com a
outra. Naldo largou o garfo e fez igual a nós, comeu com a mão.
- Vocês deram origem a que raça aqui
na Terra?
- Aos faraós e logicamente aos atuais
egípcios.
- O que aconteceu aos faraós?
- Foram expulsos da Terra, assim como
os Maias e largaram suas cidades e voltaram para casa.
- Quem expulsou eles?
- O governo da época – respondeu Andrew.
- Por que? – quis saber Naldo?
- Desobediência. Começaram a não
obedecer mais. Criaram um Deus único e eles queriam que rendêssemos homenagem a
eles, os criadores, e tivemos que sair fora.
Atanásio acrescentou:
- É, mas voltamos escondidos e nos
infiltramos de novo no meio do povo.
- Tu és americana, Etnéia?
- Não, eu sou Capelliana, me criei
aqui na Terra.
- Nós somos capelianos. – Disse o
Astor.
E o Pedro: - Eu sou pleiadiano criado
em Capella.
- Estas vendo a importância da nossa
reunião aqui, Naldo? - Perguntei a ele.
- Mundos diferentes reunidos. Por que com os homens não podem ser assim? Por
que os terráqueos tem que nos atacar quando veem nossas naves?
- Porque são burros. Vocês são muito
legais. Eu espero não estar sonhando isso.
- Não, é real. – Eu respondi ao
Naldo. - Meu sonho era poder realizar uma reunião universal assim como essa
aqui, agora.
- Conta mais! Os marcianos existem?
- Sim, e há muitos deles aqui na
Terra misturados a vocês.
- Há mistura de todos. – Completou Atagildo.
- Aqui, a Etnéia é misturada, é uma híbridra terrestre com capelliano, eu sou
puro capelliano, o Astor é híbrido terráqueo com marciano e se criou em Capella,
o Andrew é Oraniano híbrido de Capella, o Pedro é Pleiadiano puro criado em
Capella e o Atanásio também é híbrido Capelliano com Siriano.
- Nossa! E são todos amigos.
- Sim... Só o homem da Terra não
aceita os estelares. – Eu disse. - No entanto ele também é um híbrido, é filho
das estrelas, das diversas raças planetárias.
Acabando o almoço fui pegar frutas na
geladeira, coloquei em uma cesta e levei para nossa mesa.
O Astor comentou:
- Os marcianos falam espanhol e deram
origem a maioria das raças latino americanas.
- É, os pleiadianos ficaram ali pela
Suíça, Suécia, Finlândia. São os brancos, altos, louros. Os “bonitões” – disse Atagildo.
- Os africanos são de Órion. Os Dogons, são sirianos.
– completou Andrew.
Naldo pegou uma das nossas frutas,
perguntou:
- O que é isso? Nunca vi isso.
- Come. – eu disse a ele.
Ele mordeu.
- Hummm, macio, docinho. Delícia! O
que é?
Foi o Pedro quem explicou:
- Trata-se de Peco. É de lá das
Plêiades. O tio da Etnéia manda sempre pra ela.
- Nossa, que delícia. Não vou morrer,
não, comendo isso aqui, não é?
Rimos.
Eu brinquei:
- Depois que ele come é que vai
perguntar! Típico comportamento terráqueo. Primeiro eles fazem, depois procuram
saber o que foi...
Naldo concluiu:
- Nossa, um dia com vocês são dez
anos de vida. Quanta experiência eu estou tendo.
- És o primeiro terráqueo do grupo. –
Eu disse.
Atagildo tirou um botão do macacão
dele e colocou na camisa do Naldo, que já estava enxuta. Disse:
- Isso aqui é pra se comunicar
conosco, sempre que precisar. É só apertar e falar. Bem vindo ao grupo,
terráqueo.
Batemos palmas.
Eu disse:
- Que honra, hein? O Atagildo é o chefe
da nossa expedição aqui na Terra, e receber alguma coisa assim dele é um acontecimento
importantíssimo. A Galáxia toda vai ficar sabendo.
Naldo olhou o botão, todo orgulhoso.
- Testa pra ver. – sugeriu Andrew.
Naldo apertou, falou, e a voz dele saiu
em todos os nossos botões.
- Nossa, que maneiro! – disse,
animado.
Rimos.
Naldo declarou-se dizendo:
- Vocês são um acontecimento pra mim
que nunca pensei passar na minha vida.
- E vocês também, são um aprendizado
pra nós. – o Atagildo falou.
- Podem me estudar à vontade e
perguntar o que quiserem. Se eu souber, respondo. Se eu não souber, vou procurar
descobrir e digo.
- O mesmo dizemos nós. – disse Atagildo.
- Tu achas mesmo que vai acabar o
mundo, Etnéia? – O Naldo perguntou.
- Enquanto a humanidade não se libertar,
evoluir, e se tornar esclarecida, eles vão exterminar e começar tudo de novo
quantas vezes for preciso. – Respondi.
O almoço acabou. Os rapazes subiram.
O Naldo disse que iria pra casa também.
Na saída, ele viu o florete no canto, pendurado e perguntou:
- O que é isso?
- Um florete.
- Eu sei que é um florete. É teu?
- É. Eu luto esgrima, também sou
espadachim, samurai, pratico várias artes.
- É melhor eu ir embora daqui antes
que a guerreira ninja apareça!
Naldo foi pra casa dele e assim
acabou o nosso dia. Eram quatro horas da tarde já. Eu estava cansada e fui dormir.
Hoje eu quase me traí lá na casa
do Naldo, enquanto eu cuidava do irmãozinho dele, que vive numa cadeira de
rodas.
O garotinho lá não sabe quem sou.
E precisei usar luz para refazer a eletricidade do corpo dele e doei da minha.
Coloquei a mão direita na frente dele e acendi a luz na sua direção.
Ele ficou muito admirado com
aquilo e só aí eu fui perceber o que eu estava fazendo. Sou desligada mesmo,
esqueço que eles não podem fazer essas coisas. Aí fiz o garoto dormir e fiz a
transfusão de luz para ele. O Naldo também não sabe disso. Na palma das minhas
mãos direita e esquerda, tem um foco de luz que pode acender para atacar as
pessoas, paralisá-las, curá-las ou matá-las. É a minha arma de defesa, e nunca
uso para matar. Com a mão direita, posso também suspender as pessoas no ar e
mantê-las suspensas, como fiz com os caras lá na garagem aquela dia ao
levantá-los, defendendo o professor. Não costumo machucar as pessoas, só
coloca-las fora de ação. Com a mão direita posso também materializar coisas.
Congelar o tempo e as pessoas, orbitar, abrir e fechar portas. Com a esquerda,
abro e fecho dimensões, acendo e apago luz, nada de anormal, coisas possíveis a
qualquer ser humano que saiba usar e conheça os seus potenciais.
Vocês infelizmente não
desenvolveram essa parte de vocês, nem o sexto sentido de vocês é desenvolvido,
como por exemplo, com a nossa visão de raio-X se pode ler livros sem abri-los.
Os cinco sentidos que vocês têm, usam muito mal e são muito limitados. Visão,
vocês só têm a comum, e a visão de raio-X é a extensão desta visão comum. Mas
vocês precisam de aparelhos de Raios X para substituir a visão de raio-x de
vocês, que não desenvolveram. Com o olfato de vocês, vocês só sentem os cheiros
e o fedor de coisas materiais, mas há entre vocês quem sinta o cheiro de
venenos, cheiro do vento, da chuva, e podem prever as mudanças de tempo, só
pelo olfato. A audição de vocês é prejudicada pelos barulhos dos mundos de
vocês, e só ouve quem tem os ouvidos além do material, e apurados podem ouvir o
som do universo, das estrelas, do pensamento dos outros, e conversas à longa
distancia, e falar mentalmente. O paladar, então, nem se fala, vive entupido do
gosto da química dos alimentos de vocês, que não serve pra mais nada. O tato,
além do que vocês chamam de normal, que é pegar e sentir as coisas, pode ser
usado sem que se ponha as mãos em nada. Podemos trazer, usar e manipular qualquer
objeto sem colocar as mãos nele. Tudo isso comandado pelo nosso cérebro, o
coração da máquina. O coração é apenas
uma máquina de bombear o sangue. Todo o comando está no cérebro. Com ele você
pode fazer qualquer coisa, material ou não.
Para uma mente bem treinada, não
há obstáculos, por isso precisamos ser conscientes para não fazer asneiras. Se
quem criou vocês tivesse lhes dado tudo isso, vocês não seriam escravos, então,
embotar a mente de vocês foi a solução. Limitaram vocês, lhes tirando tudo o
que tem direito, ou seja, o comando consciente da máquina, o conhecimento de
tudo. Vocês não têm consciência e nem conhecimento de nada, vocês têm todos os
sentidos, voltados unicamente para a ilusão, vocês não conhecem a realidade. Existem
humanos iguais a nós entre vocês, em quem vocês ou não acreditam ou viram
fanáticos por causa deles, ou os taxam de loucos. Mas há seres humanos com os
potenciais em funcionamento, que vivem escondidos no meio de vocês e essas
pessoas podem curar, prever o futuro, e fazer coisas que vocês nem imaginam.
Querem exemplos? Magos. Nem sempre o que
eles fazem é ilusão de ótica, eles fazem magia mesmo, e todo mundo se deslumbra
com os chamados truques ilusórios. Os adestradores de cães, que usam a mente
para se comunicar com os cachorros, e entendem tudo, basta você saber falar com
eles no mental. E essas pessoas são capazes de mudar o comportamento do cão,
tornando-o dócil. Médicos, que realmente salvam a vida das pessoas, porque
conhecem além da matéria física e têm sucesso nos seus tratamentos. Espíritas, que sabem e conhecem a alma, o
espírito, essa parte nossa que a maioria não conhece e não acredita existir.
Terapeutas energéticos, que são os eletricistas invisíveis, que consertam seus curtos-circuitos,
que são as quedas de energia que originam as doenças. Essas pessoas sabem
colocar o seu sistema de energia normal de novo. Enfim, são poucos humanos
assim, mas eles existem. Estão sempre alertas e formam a equipe de defesa e
conservação da humanidade, e vocês nem sabem da existência deles. Essas pessoas
todas trabalham com a energia. Tudo é energia, o Universo é um mar gerador de
energia transformadora. E essas pessoas são os técnicos que sabem usar essa
energia. Existem muitos outros não citei todos, só alguns. Essas pessoas ajudam
a todos, recuperando dos defeitos técnicos, só que são poucos e as pessoas são
muitas, o que torna o trabalho monstruoso, mas eles estão ali o tempo todo, em
alerta, trabalhando por vocês. Mandam energia para quem está fraco e doente,
mandam luz para quem precisa de esclarecimento e consciência, e forças para
quem está caindo.
Hoje eu estava chegando da casa do Naldo e encontrei os
rapazes saindo, os quatro. Atagildo,
Atanázio, Ástor e Andrew.
- Oi, vão passear?
- Vamos, não quer ir?
- Não, estou chegando. E o Pedro, não vai?
- Não, ele esta fazendo o relatório dele, vamos jantar fora
hoje em um restaurante vegetariano. Não quer ir mesmo?
- Não, obrigado. Divirtam-se. Tchau
Foram. Eu subi pra casa. Tomei um banho, me troquei e fui lá
na nave levando os sacos com o jantar. Meus dois jantares. Pedro estava
debruçado nos livros.
- Oi, não quis sair com os meninos?
- Não, eles vão namorar depois do jantar e eu não tenho
namorada, então aproveitei para adiantar o serviço.
- É, só que agora vamos jantar. Já jantastes?
- Não. Depois eu ia comer qualquer coisa.
- Tem jantar pra dois aqui.
Ele sorriu e levantou.
- Tá, vamos comer, então.
Sentamos então pra jantar.
- E o carinha lá?
- Eu estive com ele agora, lá na casa dele.
- Não é perigoso, não?
- Não, ele é um garoto legal.
Pedro tirou o cheese de soja, as batatas e a tortinha do
pacote -hoje era de banana - a maçã fruta,
o suco de uva de caixinha e a salada do pacote dele.
- É um jantar mesmo!
- Tirei o meu jantar do pacote e começamos a comer,
conversado.
- Estou preocupada, eles foram namorar e isso é perigoso.
- Ahhh... Não é nada sério, estão "ficando" como
dizem os terráqueos. É coisa daquela hora e pronto.
- Eles sabem que não podem fazer isso, não podem se expor.
- Eu falei, mas... Hummmmmmmmm, isso aqui está muito bom!
- É bom mesmo, não é? Eu só como isso no jantar e não enjoo.
- Eu ainda não tinha comido assim com tudo isso. O que eles
compram aqui é só um sanduiche dos grandes, daquele de três andares. Sabe o
duplo?
- Assim é melhor, mais saudável, agora só vou comer assim,
que é um jantar completo.
Ele comeu uma batatinha e me disse:
- Tu sabias que hoje encontramos um grey por aqui?
- Foi? Que horas?
- De manhã
- Foi mesmo? Não sabia não. Passei o dia fora e estou
voltando agora! Mas me conta!
- Então, ele estava ferido. Disse que fugia de um grupo que
estava caçando ele. Ele recolhia material em uma estrada perto daqui e o viram.
O Atagildo foi leva-lo lá na nave dele. Estão baseados aqui próximo.
- Precisamos ter cuidado, esses caras são dedo duro, eles têm
acordo com os "homens", podem aprontar pra nós.
- O Atagildo desativou ele, só lá perto, já, trouxe ele de
volta e soltou ele na mata da estrada. Ele correu pra nave. Não é muito longe
daqui não, mas nós estamos fora do raio da visão deles. Depois o Atagildo
bloqueou tudo pra cá.
- É, ele sabe como eles são, não tem sentimento nenhum. E essa
de estar fugindo não colou. Ele pode orbitar, porque não fez?
- Pois é! Eles são os responsáveis pelas abduções, vai ver
estava tentando levar alguém e foi surpreendido pelo grupo que resolveu
caçá-lo, isso se o que ele disse foi verdade mesmo.
- É, pode ter sido mesmo, eles só atacam pessoas solitárias.
Pode ver que a vítima está sempre sozinha. Muita gente junto, eles não atacam.
- É, mas o ser humano se expõe muito também. Costumam andar
sozinhos.
- Eu acredito que ele estivesse mesmo tentando abduzir alguém,
e foi surpreendido.
- Com certeza.
- Ahhhhhhh , sua mãe ligou parece preocupada com você.
Aconteceu alguma coisa?
- Não. Só o fiasco com a minha avó, que a preocupou.
- A sua mãe que deveria ter ido lá, e ela iria te aceitar
normalmente.
- É. Mas ela ficou bem pensativa, viu? Muito abalada. Eu não
esperava essa reação dela.
- Foi chato mesmo. O Etelzinho também falou, ele quer mais
brinquedos terrestres legais.
Sorri.
- Já mandei de tudo pra ele.
Pedro sorriu dizendo:
- As crianças lá da escola dele estão adorando os brinquedos,
ele levou tudo prá lá para as outras crianças conhecerem e brincarem também.
Agora a bola ele não larga viu Etnéia! É com ela embaixo do braço o tempo todo.
Eu fui lá na escola antes de vir pra cá, porque não se fala
em outra coisa lá em Capella a não ser nos brinquedos da Terra que chegaram lá.
As crianças de outras escolas estão indo lá na escola dele pra conhecer os
brinquedos também. Eu adorei, já comprei um Batman e um Capitão América pra mim
iguais aos dele, estão bem ali na minha estante de livros, enfeitando.
Sorri.
- E tu, estas fazendo que estudo hoje?
- Ah, eu queria até falar contigo sobre isso.
- Vamos acabar de jantar com calma e depois falamos.
Jantamos e depois falamos sobre o assunto. Ele está
pesquisando a queda de uma nave em 1905 na Rússia, quando um avião militar
atacou a nave e também foi atacado e caíram os dois, mas isso é uma coisa muito
secreta não se tem informações corretas a respeito. E não foi nada nosso. Eu
não sei nada sobre isso.