Desci da nave em qualquer lugar.
Fiquei no meio da rua, não tinha pra onde ir, mas não podia ir com eles. Tinha
que esperara-los voltar da missão a que estavam sendo solicitados sobre o mar.
Era noite e fiquei olhando as
mulheres que vivem na noite. O mundo da noite na Terra é movimentado e
estranho. Eu não tinha destino certo agora, então resolvi matar meu tempo por
ali, observando-as.
Tem um tipo de mulher que eu
ainda não conhecia, que são homens no corpo e mulheres na alma. Mas não quero
falar nesse assunto, tenho medo de falar errado e me comprometer. Não estou
esclarecida o suficiente pra falar sobre isso. Mencionei por causa do que vi à
noite.
Eu não sabia o que o pessoal do
disco voador tinha ido fazer, só sabia que era no mar e imaginei que estavam
atendendo ao chamado de alguma base subaquática. Temos bases submersas nos oceanos
e outras subterrâneas nas montanhas, assim como bases de interação nas matas.
Eu sou um ponto de interação pra eles.
Somos pessoas das quais ninguém
desconfia, porque vivemos isoladas só indo para o mundo quando há alguma
pesquisa para ser feita. Ninguém sabe onde estamos, mas muitos sabem da nossa
existência aqui e acreditam nisso – poucos. Já outros, não acreditam – a maioria.
Isso não faz diferença pra nós, vamos sempre a lugares diferentes e sumimos dos
lugares onde ficamos em evidência, como essa vez que aconteceu comigo lá na faculdade.
Não poderia mais voltar lá. Eu tinha que arrumar outro lugar pra ficar. Cometi
uma falta grave, devia ter feito todos adormecerem e não lembrarem de nada ao
acordar, mas eles me viram chegando e o tempo era urgente, não havia mais
espaço para nada, só para ação.
Deixei a noite e fui me sentar,
no porto, olhando o mar. Sentia necessidade de organizar meus pensamentos e
decidir o que fazer da vida enquanto esperava o disco voador, que estava sobre
o mar, voltar. Eles mergulharam.
Beijos.



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