Da minha
janela observava uma tempestade de raios que encheu a clara tarde de verão. De
repente o céu se transformou e mais trovões e relâmpagos começaram a cair sobre
a Terra.
Quando acontecem
essas tempestades de raio secas, tem sempre uma nave por perto. E não são das
nossas, são dos inimigos de vocês. Nós somos da paz, estamos aqui para ajuda-los.
Os rapazes do disco voador disseram que estes outros de quem estou
falando têm vindo bastante por aqui, provocar catástrofes. Eles querem destruir
a humanidade para se apoderar do planeta. A galáxia está em guerra e eles
precisam de um novo mundo para viver. Exterminando vocês, eles virão ocupar a
Terra. Inclusive, eles também nos procuram, pois sabem que queremos ajudar os
terráqueos, então nos caçam. Vivemos entre vocês e vocês nem sabem... Bom, eles sabem. Como somos parecidos
com vocês e passamos despercebidos, fica difícil eles saberem quem é quem. É
por isso que não podemos nos mostrar, não devemos nos expor. Temos poderes,
somos rápidos e fortes, por isso eles nos temem e querem acabar conosco, nos
pegar de surpresa. Querem nos eliminar, pois assim será mais fácil se apossar
de tudo aqui. Só que eles não sabem que já somos muitos aqui na Terra - eles
acham que são só alguns que vieram preparar tudo aqui para a vinda dos outros e
evitar a chegada deles.
Lá no espaço,
longe dos olhos de vocês, está pegando fogo! Outras civilizações existem –
acreditem nisso – e algumas delas querem destruir a Terra. Eu gosto muito de
conversar com os rapazes porque fico sabendo das coisas que acontecem lá por
cima. Eles me informam de tudo.
Mas é claro que tem muita gente
que também já sabe de tudo isso que está acontecendo no universo. Gente daqui
(terráqueos) e gente de fora, sejam invasores ou aliados. Há inúmeras maneiras
de saber e de perceber (sentir) a verdade sobre as origens de tudo. Este
próprio tempo é um tempo de abertura, inclusive. Antes, era muito mais difícil
saber das coisas. Mesmo assim a maioria das pessoas ainda não sabe de coisa
nenhuma – deve ser porque não querem saber, não se interessam. Tanto é que
aqueles que sabem de tudo nem fazem mais questão de esconder... Filmes, livros
e músicas trazem muitas informações sérias e verdadeiras, com a etiqueta de
ficção ou fantasia. Tem muita pista boa e dica quente dando sopa por aí.
Tem muitas outras naves menores
nossas por aí, sobrevoando tudo, colhendo informações e acontecimentos no mundo
todo, e enviando para as naves como a que está estacionada sobre a minha casa.
Só que esta nave é minha, presente do meu pai e, como está estacionada, montaram
um laboratório de pesquisas e uma central de informações. Agora eu já sei que
este é o meu veículo e que os rapazes são a minha equipe. Eles me observam e
estudam, através de mim, a vida na Terra, o ambiente e as pessoas. Desde
criança sou monitorada, eram aquelas pessoas que eu via no pé da minha cama e
tinha medo porque não sabia quem eram e nem o que era aquilo que eu via. Só aos
14 anos me contaram tudo o que já contei pra vocês e depois, já quase agora, eu
soube do resto e dos detalhes.
Quando eu comecei a receber
ordens de vir pra cá, ir pra lá - e eu ia - eu nunca via ninguém, só ouvia uma
voz. Depois daquela confusão lá do meu professor, quando eu me mandei daquele
lugar e fui parar novamente na estrada deserta, é que a nave veio me pegar.
Confesso que fiquei assustada, emocionada, nervosa e morrendo de medo quando vi
aquele “discão” voador sobre a minha cabeça, me seguindo, e recebi ordens de
parar e subir. Eu nunca tinha visto um disco voador pessoalmente, só em fotos
de revista – péssimas fotos, nada a ver. As naves são lindas! Lá dentro, me
senti em casa.
Voltando à tarde em que observei
a tempestade da minha janela... Meu pessoal, dentro do disco, se afastou. Foram lá na tempestade ver o que estava
acontecendo e aproveitar para carregar a nave com a energia eletrificada dos
raios e catar os coriscos que caíam sobre a terra - uma espécie de esporte
nosso. Lá onde caía a tempestade de raios, escureceu. O vento soprava forte e
as nuvens cumulus ninbus rolavam
rápido pelo céu. Gosto de ver essas tempestades passarem... Troveja, faíscas
cortam o céu riscando caminhos sinuosos como teias de aranha e somem. Não
choveu. Era uma tempestade seca e não derramou uma gota d´água.
O disco voador voltou trazendo
uma novidade pra mim: um galo todo branco. Aliás, frangote ainda. “É o Canjica”, eles disseram. Eles ganharam
o galo em um jogo de cartas, no bar. Foram jantar, convidaram eles para um
carteado, eles aceitaram - e ganharam, lógico. O prêmio era o Canjica e trouxeram
ele pra mim. Ele cantou todo atrapalhado, desafinado, porque ele é novo no
canto ainda. Está nos primeiros ensaios de cantar como galo.
Só me faltava essa, um galo na minha
vida. Pra onde eu vou, ele vai atrás de mim. E agora eu tenho um colega de
janela.
Beijos


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