O Astor voltou. Me trouxe as frutas que eu pedi e minha mãe também me mandou molho de lentilhas para comer com pão - mandou um pote cheio. Já me deliciei com os dois e depois de me fartar fui andar pela cidade.
Nessas minhas andanças vi o garoto do acampamento que se perdeu lá no mato e foi parar na minha casa. Vi ele saindo do colégio e segui o menino até a casa dele, esperei um pouco e entrei no quarto dele. Ele estava sentado na cama, ouvindo música no fone de ouvido.
- Oi!
Ele se virou surpreso, tirou os fones de ouvido:
- ET! Como veio parara aqui? Como saibia onde eu moro? Chegou agora ou já estava aqui?
Ahhh, os humanos e suas perguntas.
- Cheguei agora.
- Você me deixou mal lá naquele dia no bosque, hein? Por que fez isso? Custava aparecer pra eles verem que eu não estava mentindo?
- Não posso aparecer. Ninguém pode me ver, saber de mim, senão vou parar em uma mesa de laboratório sendo cortada pra me estudarem. Podem até me matar.
Ele me olhando...
- Entendeu?
- Tá...
Olhei as máquinas lá na mesa dele, ligadas. Me aproximei e perguntei: "O que é isso?"
- Um computador, e ali um video game.
Ele me olhava de lá, sentado na cama, e estava confuso, tanto que me perguntou: "ET, você nao sabe o que é um computador?"
- Não. Isso são coisas humanas, nunca vi assim, de perto. É a primeira vez... Eu não saio muito, vou só comprar o meu jantar na conveniência e volto. Fui à primeira vez no shopping um dia desses aí atrás.
- Primeira vez? Nosssaaaaa!
- ET não vai a shopping. Quer dizer, semana passada eu fui, levei a minha mãe pra fazer comprar pra viajar.
- Você tem mãe?
- O que há de tão esquisito em ter mãe?
- Você não é uma ET?
- Mas ET também tem mãe!
Ele foi lá pra mesa do computador dizendo: "Ah, desculpa, vai. Viajei.Vou ligar o computador pra você ver a internet."
Eu me aproximei e ele puxou a cadeira, pedindo pra eu me sentar. Assim que me ajeitei na cadeira, ele me ensinou a ligar e a operar o computador, me mostrou sites, Facebook e toda a parafernália da internet. Me ensinou a fazer pesquisas, a bater papo com outras pessoas, a enviar Email... E eu arquivando tudo na mente. Gostei bastante. Comei a perguntar o nome dos aparelhos. Ele ia dizendo e eu ia clonando um pra mim. Montei uma mesa igual à dele, com tudo em cima. E adquiri todas a informações de como usar a tecnologia terráquea. Só não coloquei a webcam, porque não posso aparecer online. O resto todo eu assimilei.
- Gostei, vou comprar um pra mim. - Eu disse.
- Precisa da internet pra funcionar. Aqui, é via cabo. Pra ti, lá, tu tens que comprar um aparelhinho chamado internet móvel, que eu não tenho pra mostrar. Mas se compra onde vende telefone celular.
- Como é isso, pode me mostrar?
Ele mostrou a revista: "Leva lá a revista e mostra que é isso que tu queres. Lá onde vende celular no shopping, tem."
- Vou comprar.
Esse eu tinha que comprar, eu sabia, não podia clonar. Fui pro shopping e saí de lá com um celular e uma internet móvel tipo pendrive. Fui pra casa e já estava tudo lá montado, ligado, só me esperando. Coloquei a internet móvel como a moça me ensinou e entrei no ar. Entrei e logo estava conectada com o mundo - fiz pesquisas.
Falei com o garoto às dez horas da noite, mais ou menos. Ele tinha me dado o endereço eletrônico dele, entrei e conversamos. Ele escreveu: "Uau, já está no ar?" e eu respondi que não havia entrado nos sites de relacionamento, porque não posso aparecer: "Estou falando só contigo", eu disse a pra ele.
- Ah, legal!
- Cara, vou precisar da sua ajuda.
- Por que, ET?
- Quero encontrar a minha avó, mas não sei andar pela cidade.
- Tens carro?
Eu fiquei meio indecisa, depois decidi: "Tenho." Eu podia ter qualquer um mesmo...
- Tens GPS?
- Não , o que é isso?
- GPS é um navegador de bordo de carro que leva a gente pra qualquer lugar. Tens o endereço?
- Tenho, é em São Paulo.
- Tens que comprar um GPS e instalar. Aí dá um endereço e ele te leva lá.
- Rapaz... É mesmo? Quer me ajudar nisso?
- Claro!
- Te pego que horas amanhã?
- Às dez está bom?
- Tá. Avisa aí na tua casa que tu vais sair, tudo direitinho, hein. Não vai sair sem avisar.
- Eu sempre falo, fica fria, não saio sem falar com meus pais. Escuta... Não sabia mesmo o que era um computador ou estava tirando sarro de mim?
- Não, eu já tinha visto. Mas... Não funcionando, e nem tinha mexido nele.
- Mas vocês não sabem tudo?
- As nossas coisas sim, mas a tecnologia terrestre, não. Isso pra nos é primitivo, somos muito mais avançados. Vocês estão nos primeiros passos, isso pra mim é como máquina de escrever é pra ti. Você já viu, sabe que ela existe, mas nunca usou, porque não é da sua época, é passado. Eu também nunca tinha usado um computador igual ao de vocês, porque os nossos nunca foram assim. Talvez no passado tenham sido, eu nunca tive acesso a um, entendeu?
- Entendi.
- É como o avião, eu já vi, mas não andei nele e nem sei pilotar. Agora, a nave que meu pai me deu, eu sei.
- Eu sei como é... Eu já tinha visto figuras de ETs nas revistas mas nunca assim, pessoalmente. Ainda mais assim, gente igual a nós.
- Mas somos os ancestrais de vocês. Viemos pra cá juntos com outras raças e o homem é geração da mistura dessas raças. O homem nunca foi originário da Terra. Agora, de uns séculos para cá, sim, eles passaram a se reproduzir, mas antes eram híbridos e híbridos não se reproduzem. Tem que ser geneticamente manipulados e modificados.
- Nossa, que legal. E todo mundo diz que nós e os primatas temos parentesco... Agora, essa de ter sido manipulado geneticamente, construído, pega bem melhor. E porque nós não temos os mesmos poderes que dizem que os ETs têm? Por que não nos fizeram iguais a vocês? Escuta, ET, essa conversa tá muito boa! Vem pra cá, vem?! Vem conversar aqui.
E eu fui.
Beijos.


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