domingo, 1 de abril de 2012

Família

Família by Titãs on Grooveshark
Hoje eu tive uma surpresa e tanto. Quando acordei, o disco voador estava me esperando. Atagildo me deu bom dia e, quando eu perguntei a ele o que estava havendo, ele simplesmente disse que era pra eu tomar o meu café. Já pensando que iriam anunciar uma nova mudança, perguntei:

- O que é? Vou viajar de novo?
- Não – ele me respondeu. – Hoje é só uma visita.
Tomei uma xícara de café e saímos. Eles me deixaram em uma clareira e o Atagildo me orientou a caminhar até uma casa que podíamos avistar logo adiante, pois havia pessoas esperando por mim. Caminhei até lá e, que surpresa! Minha mãe, o meu irmãozinho, o meu pai! Abracei os três, fiquei com meu irmãozinho no colo, o Etelzino.
- Vim trazê-los para ficarem uns tempos com você aqui – disse meu pai. – Eles estão de férias da escola. O Etelino deve estar chegando por aí, ainda não tinha voltado de excursão. Eu os trouxe logo pra ficarem com você porque eu preciso voltar.
- Não vai ficar nem um dia aqui, pai?... – Perguntei a ele.
- Só o de hoje, vou ao anoitecer. É o tempo do Etel chegar, por isso vim logo para passar o dia com você...
Ele me puxou pra claridade.
- Deixe eu te olhar, filha... Você está bonita - disse, olhando pra mim com atenção. Minha mãe completou: “Está, sim. Está bem humana... De aparência, maneiras, tudo...”.
- Ela é como você - disse meu pai para minha mãe.
- Vocês estão ótimos... – Eu disse aos três. – E esse aqui é um garotinho terráqueo. Você trouxe os seus brinquedos?
Ele fez que sim com a cabeça, e eu completei: “Nós vamos comprar mais, eu vou lhe ensinar a andar de bicicleta, jogar bola...” Apertei o botão do macacãzinho dele e o Atanásio respondeu imediatamente, lá da nave: “Pode falar...
- Quero bicicletas. Uma pra cada um, menos pro pai e pra mim. Eu já tenho a minha e o pai vai voltar...” – disse ao Atagildo pelo comunicador do Etelzino. A resposta não demorou nem dois segundos: “Positivo.” Desliguei.
Perguntei aos meus pais se eles não iriam trocar de roupas e meu pai contou que roupas adequadas estavam a caminho, sendo providenciadas pelo Astor. Eram necessárias, pois meu pai disse que queriam conhecer o shopping. Mandou trazer um carro e me perguntou se eu sabia chegar até lá. Eu disse a ele que sabia.
Meu tio, irmão do meu pai, que mora nas Plêiades (ele mora lá com um tio dele) mandou pra mim uma fruta nossa que é parecida com o melão de vocês, só que pequena. É uma delícia. Come-se tudo da fruta: casca, sementes, polpa. É muito suculenta, come-se e bebe-se ao mesmo tempo, uma refeição completa, pois contém vitaminas e minerais. Basta comer metade dela que você já está alimentado. Vocês irão conhecê-la, um de vocês irá desenvolver estudos e chegará a ela. Ele saberá onde encontrar as sementes, porque elas já estão aqui em estado selvagem e este terráqueo irá aperfeiçoá-la ao meio. Talvez essa adaptação ao meio seja necessária para que a fruta não faça nenhum mal a vocês. Em qualquer jardim pode-se cultivá-la, é um pequeno arbusto e dá frutos o ano inteiro – o pé está sempre carregado. Quando a fome apertar no mundo e a Terra produzir menos do que o necessário, essa fruta será a solução. No planalto central, onde foi construída Brasília, tinham muitos arbustos dessa fruta e ela existe em alguns outros lugares do mundo e são plantadas pelos ETs para que as naves que passam por aqui se abasteçam, quando necessário. Por isso se vê tantas naves na zona de mata. Um brasileiro irá descobrir essa planta e é por esse motivo que dizem por aí que o Brasil irá abastecer o mundo, matar a fome do planeta. Isso já está na cabeça dele e já recebeu as instruções de como adaptá-la a vocês. No momento certo ele contará a maravilha que descobriu.
Enquanto esperava o Etelino (meu irmão de 14 anos) chegar, meu pai foi lá na nave com os rapazes. Meu irmão chegou meia hora depois, quase junto com o carro e com as roupas. Saímos todos assim que eles ficaram prontos e passeamos pelo shopping o resto da manhã. Na hora do almoço eu comprei um cheese com batatas, salada e maçã para cada um e comemos lá mesmo. Depois demos mais umas voltas e meu pai comprou umas redes pra levar (redes de dormir), além de outras coisas. Eu gostei da ideia da rede e comprei uma pra mim também, lá pro meu sótão. Mais tarde tomamos uma rodada de café com tortinhas (eles adoraram) e viemos pra casa, eu trazendo os sanduíches para o jantar e minhas tortas. 
Chegamos cedo, guardei tudo na geladeira e eles foram dormir, pois estavam cansados. Aproveitei o descanso deles pra dar uma olhada no meu sótão. Passei a tarde lá, molhei as plantas da janela, coloquei comida pro gato, sementes para os passarinhos.  Coloquei uma porta no lugar da que eu tinha tirado, pra proteger mais do frio, e fiz uma abertura embaixo pro gato entrar e sair. Montei a rede e fiquei um pouco me embalando. Tomei um suco, peguei também algumas roupas e voltei levando o livro que o garoto me deu e eu já estava lendo. Ainda estavam dormindo quando cheguei e aproveitei para ler um pouco. Minha mãe foi a primeira a acordar e veio sentar perto de mim. Eu fechei o livro. Eram sete horas, no horário de verão.
- O pai não podia ficar nem uma semana? – perguntei.
- Uma semana nós é que vamos ficar...
- Só uma semana? Por que?
- Os meninos não estão preparados para a atmosfera daqui, são muito novos ainda...
- Ah, sei.
- E você, minha filha? Como está?
- Bem... Eu estou muito só...
- Arrume amigos.
- Não dá certo, mãe. Os terráqueos são muito complicados.
Meu pai veio lá da nave: “Bem, já vou indo”, disse. Eu perguntei a ele se não ficaria para o jantar e ele respondeu que não dava tempo.
- Então leve, pai. Trouxe jantar e tortinhas para todos, cada um tem o seu pacote no frigobar. É pegar e comer...
- Eu quero... Mas o que eu queria mesmo era outro café daqueles que tomamos no shopping.
Vou providenciar”, eu disse. E providenciei mesmo. Fui, voltei com o café e trouxe um sanduíche quentinho pra ele levar, com um copão de café pra ele e para os outros. Ele foi todo sorridente. Dei a ele também uma máquina de café expresso e uns potes de café. Depois ensinei a ele como usar a máquina. Além disso, ele levou uma caixa com 24 litros de leite longa vida, 12 potes de café expresso (sabores variados), duas canecas de vidro para tomar café e 5 pacotes de açúcar mascavo de 1 quilo. Ele ficou muito feliz com os presentes... Prometi mandar outro tanto igual quando minha mãe fosse embora e disse a ele que quando ele precisasse de mais alguma coisa, bastava pedir. Ele foi carregado de coisas.
No jantar, cada um pegou seu pacote e aqueceu. Comemos juntos, conversando e depois fomos assistir televisão. Um pouco mais tarde os meninos dormiram e eu e minha mãe fomos conversar no terraço. Ela me trouxe um quadro, pintado por ela, que eu guardei para levar lá pro meu sótão.
- Mãe... Por que vocês não vêm morar pra cá?
- Não dá...
- Os meninos cresceriam aqui, ainda dá tempo de eles se acostumarem... São tão humanos...
- Sei pai não quer. Lá, ele é o responsável pelas rotas e vive muito envolvido com isso. Foi difícil convencê-lo a vir nos deixar aqui. Ele queria nos mandar pra cá, não queria vir, só veio porque o Etel tinha que resolver umas coisas na escola e só podia vir depois.
- É uma pena...
- E a sua casa? Quem ficou lá?...
- Ninguém, mas está tudo bem lá...
- É, filha... Às vezes a vida faz dessas coisas com a gente... Não vê o meu caso? Tive que abandonar a minha família daqui e ir pra lá com o seu pai... Eu também não tinha ninguém lá.
- Tinha sim. Tinha ele.
Ela suspirou.
- Mãe... Você tem vontade de rever os seus?
- Não, isso é impossível...
- Por que, mãe?
- Fui dada como morta... Tive um enterro simbólico e tudo...
- Mas você sabe o endereço da vovó, não sabe?
Ela ficou calada, olhando lá pra fora.
- Me dá o endereço dela, mãe. Ela mora aqui em São Paulo, não mora?
Ela permaneceu calada.
- Mãe!
Só então ela olhou pra mim.
- Pra que, Etnéia?
Quero conhecer minha avó, meu avô. Eu vivo muito só aqui, mãe”, respondi.  Ela se calou novamente. “Você vai me dar o endereço, mãe?
- Não.
Eu me levantei e saí. Fui dormir chateada e passei o resto dos dias chateada com isso. Durante esses dias, levei os meninos na mata, eles tomaram banho de rio, jogaram bola com os rapazes da nave e eu e minha mãe passeamos tudo por ali.
Quando foram embora, ela me deixou um papel com o endereço. Vou procurá-los.
Beijos

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