terça-feira, 17 de abril de 2012

Neutrinos

It's Allright by Pet Shop Boys on Grooveshark

O Astor foi pra Capella levar umas coisas lá. Ah, que vontade de ir também. Mandei pão francês pros meus pais, pois eles gostam e lá eles só comem o pão ázimo. E mandei lanche pros meus dois irmãos - um pacote pra cada um do meu jantar. Na próxima viagem eu vou. Pedi ao Astor pra me trazer pomanders, as frutas que o meu tio me mandou da outra vez, que as minhas já acabaram. Plantei um pezinho aqui na mata e ele está se adaptando, mas está muito pequeno ainda. 
Comentamos lá na nave sobre os absurdos que vocês falam sobre neutrino. Aliás, descoberta recente de vocês. Vocês não o conhecem mesmo. Ele está relacionado com a desintegração - ele evita isso - porque, devido à velocidades altíssimas, a nave ou qualquer outra coisa pode se desintegrar, e a interação dele em relação à gravidade é amplificada e ele evita isso. Eliminando a gravidade, ele se potencializa. Ele é mais veloz que a luz, sua rotação é oposta à da sua velocidade. Ele reduz peso e massa quando em ação e potencializa a velocidade, e a velocidade cósmica não tem limites. O neutrino é usado nas nossas naves espaciais, o que as torna mais velozes que a luz, eliminando o "ano-luz" de vocês. Vocês precisam rever as suas leis da física de e reconsiderar. 

Resolvi o problema do meu cabelo. O corte chanel não ficou bem em mim. Ele fica com as pontas enrolando pra dentro e eu fico com um cabeção...
Resolvi alisar, esticar e desfazer o cabeção. Fiquei no que era. Essa sim sou eu. Bom, como eu não quero nem posso me expor no momento, não vou colocar uma foto minha aqui, mas pelo menos pra dar uma ideia da minha aparência vou colocar essa foto de outra pessoa ET que esteve (ou quem sabe ainda está) na Terra. Dá pra ter uma boa ideia de como eu sou, pois a aparência é bastante semelhante.  
Fiz isso na madrugada. Os rapazes - e meus bichos - estavam achando esquisito, aquilo. Eu sou magra, mas não assim, esquelética, e não tenho um cabeção. O tal do corte de antes não aprovou. Os rapazes, quando eu cheguei lá na nave, disseram: "Nossa, que feia essa cabeça. Ficou com um cabeção de alien." Resolvi então dar um jeito na figura aqui e voltar ao antes. 

Desde que vim morar pra cá, nesse lugar, tenho usado um macacão inteirisso cinza prateado, metálico, de tecido telado, colado no corpo, que me dá mais físico. Só que, quando saio, costumo usar roupas iguais às que todos usam aqui na Terra, porque o macacão chama muito a atenção. Não é uma roupa normal por aqui... 

Subi lá na nave pra perguntar o que achavam do cabelo agora e eles nem me deram tempo pra isso. Eu entrei e eles foram logo dizendo: "Ah, agora sim, a Etnéia voltou." Pronto, foi o suficiente. 
Falei com a minha mãe e irmãos e eles nem sabem desse episódio do cabelo. Eles também usam esse tipo de roupa lá em Capella. O tecido adere no corpo, moldando-o, e quando tiramos o macacão ele se torna uma peça de pano outra vez. Ele se molda desde os pés - não usamos sapatos, os pés são cobertos pelo próprio macacão. Por isso chama a atenção sair assim por aí, então me visto igual aos terráqueos quando saio de casa para estar no meio deles. E com o macacão, saio uma vez ou outra e aí coloco sapatos para disfarçar e não deslizar pelo chão, porque o macacão é movido à energia e desliza. Não precisamos dar 
passos, corremos suspensos três dedos de altura do chão. Com os sapatos, esse campo de força entre o chão e o macacão é eliminado pela borracha do tênis. Mesmo assim o macacão chama a atenção e uso-o mais aqui com os rapazes. Eles também se vestem assim. Agora, quando saem, eles também usam roupas terráqueas. Às vezes vão pra balada de macacão, porque vão dançar, mas o macacão provoca relâmpagos na luz negra, por isso eles não vão em boates de luz negra, vão mais em discotecas e bailes dançantes. Eu fui a uma discoteca uma vez com o pessoal da faculdade, em uma festa de turma. Fui a uma boate de luz negra também e estava de macacão... Resultado: relampejei a noite toda e o pessoal pensava que era efeito do DJ lá no som.

Fui a bares na happy hour com os colegas da faculdade, eu pagava tudo pra eles, porque estudante é duro, não tem dinheiro, e eles adoravam as noitadas. Isso foi só pra matar a minha curiosidade, não frequento casas noturnas, foi só pra conhecer. Rola tudo nesses lugares. Meu pai soube dessas aventuras e falou que essa parte fica por conta dos rapazes, ele não me quer metida nessas coisas, mas ele a minha mãe até hoje vão dançar lá no Nuvem 54, uma boate muito doida pra casais lá em Caciopéia. Agora, eu não posso, tenho que ficar em casa só trabalhando em pesquisas e estudando. É por isso que eu tenho vontade de ir morar lá em Capella, conhecer gente da minha idade. Os rapazes estão na minha faixa de idade, mas eu queria ter amigas, não me sinto só mas gostaria de dividir as coisas com uma companhia da mesma idade e do mesmo sexo. Na faculdade eu conheci poucas moças, morava separada de todos em uma vaga sozinha e sempre andávamos todos juntos em grupos, não tinha conversas particulares. Os rapazes, eu conheço bem, são diferentes no comportamento dos rapazes da Terra. Mas existem aqui na Terra muitos rapazes iguais aos de Capella: responsáveis, trabalhadores, educados, comportados. Poucos, mas existem. 

Na hora em que fui buscar o meu jantar, falei com um cara que está sempre pór lá. Ele veio me perguntar:
- De onde você é?
- De Téia, sou teiaca.
- Onde fica isso?
- Longe, viu. Bem longe. Mas é rápido que se chega lá, pelo buraco de minhoca. Fica ali pro lado das Plêiades. Sou capeliana. Os homens da Terra dizem que precisam de anos luz pra viajar de um lugar pra outro no espaço e jamais quem sair daqui em uma dessas viagens chegar vivo ao local... Não é bem assim. Nós usamos as microondas para as viagens espaciais. A tecnologia é desaceleração, e vocês ainda não conhecem isso. Portanto, estão usando errado. Jamais nós usaríamos as microondas para cozinhar. Assim como a televisão - a televisão destrói o sistema imunológico com suas ondas e, usando da maneira que vocês usam, o tempo todo, faz mal. Nós usamos TV também, mas não assim. Somos conscientes do seus efeitos sobre nós. Essa loucura tecnológica que está aí é que está tirando a realidade de vocês. 
- Está falando sério? Quem é você? 
- Sou uma ET e moro aqui na Terra. E, como eu sou uma capeliana, tem outros que são pleiadianos, sirianos, andromedanos, arcturianos... E os anunakis, que vivem aqui também. 
Ele me olhando, com aquela cara de "o que é isso?" Então eu disse: 
- Não está sonhando, não, amigo. Nós todos estamos bem aqui, junto com vocês na Terra, o tempo todo. E os discos voadores estão aí, invisíveis. Nós não damos show pra chegar, somos discretos. Essas naves por aí que vocês vêem, esses contatos imediatos, são inventados - a maioria. Fazer contato de quê, se já estamos aqui? As naves vão aparecer, sim, se for preciso um dia resgatar vocês. Fora isso, não precisamos aparacer pra ninguém. Já estamos visíveis e aqui, entre vocês, então...

O balcão avisou que meu pedido estava pronto. Fui pegar, e ele me olhando. Passei por ele e disse baixinho:
- E nós estamos muito aborrecidos com vocês por causa do que estão fazendo com a Terra. Tchau. 
Fui pra casa. 

Beijos. 

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